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Capital

Terceiro dia de pente-fino chega à Supermáxima e reforça cerco a facções

Ação concentra revistas e fiscalização em presídio de alta segurança nesta quinta-feira, em Campo Grande

Por Bruna Marques | 03/09/2026 09:32
Terceiro dia de pente-fino chega à Supermáxima e reforça cerco a facções
Policiais penais do COPE durante a Operação Nêmesis, nesta quinta-feira (3), na Penitenciária da Gameleira 1, a “Supermáxima”, em Campo Grande (Foto: Direto das Ruas)

A Operação Nêmesis chegou ao terceiro dia nesta quinta-feira (3) com um pente-fino na Penitenciária Masculina de Regime Fechado da Gameleira 1, em Campo Grande, conhecida como “Supermáxima”. A unidade concentra presos de alta periculosidade, incluindo custodiados que integram ou possuem ligação com a cúpula de organizações criminosas.

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A Operação Nêmesis chegou ao terceiro dia nesta quinta-feira (3) com inspeções na Penitenciária Masculina de Regime Fechado da Gameleira 1, em Campo Grande (MS), que abriga presos de alta periculosidade ligados ao crime organizado. A operação foi deflagrada após vídeos mostrarem detentos comemorando os 33 anos do PCC dentro da Máxima, com uso de cocaína. Desde 25 de agosto, foram apreendidos dois drones, 14 celulares e drogas nas unidades prisionais do estado.

A ação é conduzida pela Polícia Penal de Mato Grosso do Sul, com participação de agentes da própria Gameleira 1, e do COPE (Comando de Operações Penitenciárias), da GISP (Gerência de Inteligência do Sistema Penitenciário).

Nesta quinta-feira, as equipes realizam revistas gerais, procedimentos de segurança e fiscalização voltados a impedir irregularidades e articulações do crime organizado dentro da unidade. O objetivo é ampliar o controle do presídio e evitar que o ambiente prisional seja utilizado para manter atividades ilícitas.

A Operação Nêmesis começou na terça-feira, no Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, a Máxima de Campo Grande, após vídeos mostrarem presos comemorando os 33 anos do PCC (Primeiro Comando da Capital) dentro da unidade.

Nas imagens, internos aparecem aglomerados e fazendo uso de cocaína durante a celebração. Um dos presos que grava o vídeo cita expressamente o aniversário da facção e afirma que a Máxima seria a “maior sede do PCC” em Mato Grosso do Sul.

A manifestação coletiva de apoio ou alusão a organização criminosa pode configurar falta disciplinar grave, conforme a Lei de Execução Penal. Os internos identificados estão sendo submetidos a PADIC (Procedimento Administrativo Disciplinar do Interno), com análise individual das condutas.

As apurações também levaram à determinação de transferências de presos envolvidos nas irregularidades para unidades de maior segurança. Por questões operacionais, a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) não informou o número de custodiados transferidos, os nomes nem os destinos.

Na quarta-feira, segundo dia da operação, o pente-fino foi mantido na Máxima, com identificação dos presos envolvidos na comemoração, revistas e cumprimento das transferências determinadas após as apurações.

A investigação também apontou que materiais ilícitos encontrados no sistema prisional têm entrado, em parte, por meio de drones. Desde 25 de agosto, a Polícia Penal de Mato Grosso do Sul e a Força Penal Nacional reforçaram o monitoramento em unidades de Campo Grande e Dourados.

Nesse período, a atuação conjunta resultou na apreensão de dois drones, 14 celulares, cinco carregadores, um rolo de linha reforçada usado para acoplar cargas, cerca de 1,7 quilo de substância semelhante à maconha e aproximadamente 250 gramas de substância com características de cocaína.

Somente entre os dias 25 e 29 de agosto, 13 tentativas de entregas por drones foram interceptadas na Máxima de Campo Grande.

De acordo com a Agepen, 56 revistas foram realizadas em estabelecimentos penais de Mato Grosso do Sul apenas nos seis primeiros meses deste ano, além dos procedimentos de segurança de rotina acompanhados pela área de inteligência.

O diretor-presidente da Agepen, Rodrigo Rossi Maiorchini, afirmou que a Operação Nêmesis integra uma atuação permanente de enfrentamento ao crime organizado e à entrada de ilícitos nos presídios.

“A Operação Nêmesis faz parte do trabalho permanente da Polícia Penal de Mato Grosso do Sul no enfrentamento ao crime organizado e no combate à entrada de ilícitos nas unidades prisionais. É uma atuação contínua e incansável para garantir a ordem, a disciplina e a segurança no sistema prisional e, consequentemente, contribuir para a segurança de toda a sociedade”, afirmou.

O secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia, destacou a importância da integração entre as forças estaduais e federais.

“O enfrentamento ao crime organizado exige presença operacional, inteligência e integração. A atuação conjunta da Polícia Penal Federal, por meio da Força Penal Nacional, com a Polícia Penal de Mato Grosso do Sul fortalece a capacidade de prevenção e resposta e demonstra a importância da cooperação entre União e estados para impedir que organizações criminosas utilizem o ambiente prisional para manter atividades ilícitas”, declarou.

O nome Nêmesis faz referência à tradição grega e simboliza a resposta à transgressão da ordem, associada ao restabelecimento da autoridade e à aplicação das consequências previstas em lei e nos procedimentos disciplinares.

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