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Campo Grande, Sábado, 22 de Setembro de 2018

26/04/2017 16:34

Em média, três mulheres morrem por mês em MS vítimas de feminicídio

Luana Rodrigues
Pâmella foi morta a tiros pelo ex-marido,. (Foto: Reprodução/ Facebook)Pâmella foi morta a tiros pelo ex-marido,. (Foto: Reprodução/ Facebook)

De 2016 até abril deste ano, 43 mulheres foram vítimas de feminicídio em Mato Grosso do Sul. O número representa três mortes por mês, segundo dados da Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública). Os dados mostram que o crime, também definido como “a matança de mulheres por homens, pelo simples fato de serem mulheres”, é cada dia mais comum no Estado.

“É um problema cultural, muito difícil de lidar, porque há um ciclo da violência, do qual a mulher não consegue, mesmo depois de estar sob a proteção dos órgãos de justiça e segurança pública”, explica a juíza Jacqueline Machado, coordenadora da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar de MS.

Em média, três mulheres morrem por mês em MS vítimas de feminicídio

Um caso recente, que representa a realidade citada pela juiza, é o da atendente Pâmella Jennifer, que aos 32 anos, foi sepultada nesta quarta-feira(26) depois de ser morta a tiros pelo ex-marido, Johnny Teodoro Souza, 31 anos, enquanto trabalhava. Por três vezes, ela havia entrado com pedidos de medida protetiva contra o ex marido.

Na primeira delas, segundo a Justiça, Pâmella retirou o pedido e voltou a se aproximar de Johnny. Alguns meses depois, a mulher voltou a Justiça e solicitou que o ex-marido mantivesse distância dela.

Mas, pela segunda vez, Pâmella voltou atrás e permitiu que o homem se reaproximasse. Numa terceira vez, em janeiro, pediu proteção novamente, mas mesmo assim acabou morta pelo ex – o crime aconteceu no dia 23 de março, ela estava no hospital desde então.

“Infelizmente é isto que acontece na maioria dos casos, por causa dos filhos, do sentimento, ou até por medo, muitas mulheres permitem uma reaproximação do homem, sem denunciar isto a polícia, sem se dar conta de que isso enfraquece a medida protetiva e reaproxima o homem, sem perceber que essa reaproximação pode ser fatal”, explica a juíza.

Para Jacqueline, há necessidade de empoderar as mulheres, para que em qualquer fase do ciclo de violência, elas denunciem as relações abusivas. “É preciso que a mulher vá atrás dessas medidas, que ela não tenha receio, peça acolhimento, corra atrás dos próprios direitos, desde o primeiro ato de violência, o primeiro descumprimento da medida protetiva ela precisa avisar, porque ela será amparada”, explica.

A juíza, titular da 3ª Vara de Violência Doméstica e Familiar de Campo Grande, que funciona dentro da Casa da Mulher Brasileira, informou que um amplo trabalho de orientação e conscientização já está sendo realizado por meio de oficinas, palestras, em salões de beleza, com o Projeto “Mãos EmPENHAdas” Contra a Violência, em que profissionais são capacitados a identificar vítimas e orientá-las.

“Outras ações deverão ser executadas em escolas e ambientes frequentados pelas mulheres: tudo para mudar a cultura do machismo e evitar que vidas sejam destruídas e muitas vezes ceifadas”, explicou a juíza.

Caminhada – No sentido de promover esta conscientização, nesta sexta-feira, dia 28 de abril, às 16 horas, haverá a 2ª Caminhada pela Paz – Mulher Brasileira.

A Caminhada terá concentração em frente ao Fórum de Campo Grande, seguindo pela Rua Dom Aquino até a Rua 14 de Julho, com encerramento e concentração final no Centro Integrado de Justiça (Cijus), situado na Rua 7 de Setembro.



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