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Empregos

Em País com 37% de mulheres na liderança, empresa tem quase o dobro em MS

Elas ocupam 53% dos cargos de chefia nas lojas e falam como conquistaram esse espaço

Caroline Maldonado | 08/03/2022 11:57
Funcionárias da Sertão; empresa incentiva a produtividade independente do gênero. (Foto: Divulgação/Sertão)
Funcionárias da Sertão; empresa incentiva a produtividade independente do gênero. (Foto: Divulgação/Sertão)

No Brasil, apenas 37,4% de cargos de gerência são ocupados por mulheres, segundo o último levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em Mato Grosso do Sul, elas são 30%. Para a alegria delas, algumas empresas no Estado estão na contramão dessa estatística. O motivo? Além da empresa priorizar a produtividade independente de gênero, elas fazem por onde por meio do estudo e de habilidades que estão fazendo a diferença para as organizações.

Nas 16 lojas de materiais de construção da Sertão em MS, entre os cargos de liderança, 53% são ocupados por mulheres. São 21 mulheres e 18 homens chefiando lojas nos municípios. No quadro geral de funcionários, elas já representam 40%. São 320 mulheres e 480 homens, segundo a empresa.

Como chegaram lá

Gerente de Recursos Humanos da Sertão, Bernadete Rocha (Foto: Divulgação/Sertão)
Gerente de Recursos Humanos da Sertão, Bernadete Rocha (Foto: Divulgação/Sertão)

A gerente de Recursos Humanos, Bernadete Rocha, de 49 anos, está na Sertão há 27 anos. Ela entrou como auxiliar contábil, setor em que permaneceu por seis anos, depois passou a ser encarregada do setor trabalhista, no qual atuou por 12 anos e há oito é gerente.

Bernadete conta que nunca viu diferenciação e a empresa prioriza os resultados. “A gente faz muita análise interna de promoção e são todos avaliados da mesma forma. É a competência que leva as mulheres a terem promoções”, comenta.

Cada loja tem até três gestores. A expressividade das mulheres é tanta que tem uma loja em Paranaíba em que as três são mulheres.

“O mais incrível é que o nosso ramo é de material de construção, que sempre foi muito dominado por homens, mas aqui não tem essa. As mulheres sabem de tudo sobre os produtos. Até a logística é liderada por uma mulher”, conta.

Diferenciais

Gerente financeiro da Sertão, Ana Paula Souza (Foto: Divulgação/Sertão)
Gerente financeiro da Sertão, Ana Paula Souza (Foto: Divulgação/Sertão)

O setor de logística já foi liderado por quatro homens nos últimos anos, mas agora com uma mulher a empresa está mais satisfeita com os resultados, segundo Bernadete.

“Estamos tendo menor rotatividade no setor. A gerente conseguiu manter a equipe e reduziu em 73% o absenteísmo, que é um termo que usamos para nos referir a faltas ao serviço, buraco na equipe, funcionários pegando muito atestado. Isso tudo diminuiu muito”, destaca.

Para a gerente de RH, as mulheres têm mostrado na loja uma capacidade maior de lidar com suas equipes.

“Elas têm tido mais facilidade com questões emocionais, que nos últimos anos tivemos muito por causa da covid-19. Não tem um colaborador que não teve alguma perda entre familiares e amigos. O resultado disso tudo é que a empresa cresce e a gente cresce junto”, comemora Bernadete.

O gosto pelo estudo e a determinação pessoal de cada uma também são os motivos para o espaço que conquistaram, na opinião da gerente financeiro Ana Paula Souza, de 50 anos. Ela está há 33 anos na Sertão. Ana entrou como auxiliar de escritório e literalmente cresceu junto com a empresa.

“Tinha apenas uma loja quando entrei. As mulheres estavam sempre no administrativo, mas agora são maioria nas vendas. Elas estão estudando, muitas fazem faculdade em busca de crescimento. Além disso, aqui não tem esse machismo que a gente vê muito em outras empresas de modo geral. É uma satisfação”, comenta Ana.

No Brasil 

A pesquisa "Estatísticas de gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil", realizada em 2020, mostra que cresceu também a participação de mulheres como docentes no ensino superior. Em 2003, 43% dos professores de universidades eram mulheres. Em 2019, esse percentual subiu para 46%.

Já entre os vereadores eleitos, apenas 16% eram mulheres. O maior percentual foi encontrado no Rio Grande do Norte, 21%, e o menor no Rio de Janeiro, 9,8%.

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