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Cidades

Ex-funcionária filmada pedindo R$ 50 mil de propina é condenada

Ex-funcionária do Ministério da Saúde foi filmada recebendo propina do Hospital do Câncer para que houvesse liberação de verba pública para compra de equipamentos

Por Izabela Sanchez | 30/05/2018 14:05
Roberlayne Patrícia Alves foi filmada recebendo propina do Hospital do Câncer (Arquivo/Campo Grande News)
Roberlayne Patrícia Alves foi filmada recebendo propina do Hospital do Câncer (Arquivo/Campo Grande News)

Roberlayne Patrícia Alves, ex-consultora técnica do Ministério da Saúde, foi condenada pela Justiça Federal a 5 anos de prisão por receber propina do Hospital do Câncer (HC) de Campo Grande. Segundo a denúncia, o dinheiro era para que houvesse a liberação de verba pública, por parte do Ministério da Saúde, para a compra de um acelerador linear e equipamentos destinados ao tratamento contra o câncer. O pedido de propina foi filmado.

A Justiça Federal acatou parcialmente a denúncia do MPF-MS (Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul) pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ela poderá recorrer da sentença em liberdade. O MPF também havia denunciado o ex-namorado dela, Pedro Paulo Prince dos Santos, pelos mesmos crimes, mas a Justiça Federal o absolveu.

O caso - No dia 15 de maio, em encontro com o diretor-presidente do hospital, Carlos Coimbra, em Brasília, a servidora exigiu R$ 50 mil para agilizar a liberação de R$ 1 milhão para a compra de dois equipamentos. Depois, cobrou mais R$ 100 mil em troca de emenda de R$ 1,6 milhões para a instituição adquirir acelerador linear.

À época, Coimbra procurou a promotora de Justiça, Paula Volpe, para denunciar o caso. Ela o aconselhou a acionar a PF (Polícia Federal), que detonou a investigação. Com a autorização do juiz federal Odilon de Oliveira, Coimbra depositou R$ 50 mil em uma conta bancária informada pela servidora. O procedimento permitiu a PF rastrear a conta, de titularidade do pai de ex-namorado da funcionária do Ministério.

Ainda sob orientação da polícia, o presidente do hospital marcou uma reunião com a servidora em Campo Grande para lhe entregar o restante da propina. Em uma sala monitorada por agentes da PF, com câmaras e escutas, Coimbra entregou R$ 100 mil, em sete folhas de cheque, quatro de R$ 10 mil e três, de R$ 20 mil.

Mesmo flagrada em vídeo Roberlayne declarou que seguia ordens de superiores. Já para a polícia ela sustentou a história de que agiu sozinha.