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Campo Grande, Sábado, 23 de Março de 2019

30/05/2018 14:05

Ex-funcionária filmada pedindo R$ 50 mil de propina é condenada

Ex-funcionária do Ministério da Saúde foi filmada recebendo propina do Hospital do Câncer para que houvesse liberação de verba pública para compra de equipamentos

Izabela Sanchez
Roberlayne Patrícia Alves foi filmada recebendo propina do Hospital do Câncer (Arquivo/Campo Grande News)Roberlayne Patrícia Alves foi filmada recebendo propina do Hospital do Câncer (Arquivo/Campo Grande News)

Roberlayne Patrícia Alves, ex-consultora técnica do Ministério da Saúde, foi condenada pela Justiça Federal a 5 anos de prisão por receber propina do Hospital do Câncer (HC) de Campo Grande. Segundo a denúncia, o dinheiro era para que houvesse a liberação de verba pública, por parte do Ministério da Saúde, para a compra de um acelerador linear e equipamentos destinados ao tratamento contra o câncer. O pedido de propina foi filmado.

A Justiça Federal acatou parcialmente a denúncia do MPF-MS (Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul) pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ela poderá recorrer da sentença em liberdade. O MPF também havia denunciado o ex-namorado dela, Pedro Paulo Prince dos Santos, pelos mesmos crimes, mas a Justiça Federal o absolveu.

O caso - No dia 15 de maio, em encontro com o diretor-presidente do hospital, Carlos Coimbra, em Brasília, a servidora exigiu R$ 50 mil para agilizar a liberação de R$ 1 milhão para a compra de dois equipamentos. Depois, cobrou mais R$ 100 mil em troca de emenda de R$ 1,6 milhões para a instituição adquirir acelerador linear.

À época, Coimbra procurou a promotora de Justiça, Paula Volpe, para denunciar o caso. Ela o aconselhou a acionar a PF (Polícia Federal), que detonou a investigação. Com a autorização do juiz federal Odilon de Oliveira, Coimbra depositou R$ 50 mil em uma conta bancária informada pela servidora. O procedimento permitiu a PF rastrear a conta, de titularidade do pai de ex-namorado da funcionária do Ministério.

Ainda sob orientação da polícia, o presidente do hospital marcou uma reunião com a servidora em Campo Grande para lhe entregar o restante da propina. Em uma sala monitorada por agentes da PF, com câmaras e escutas, Coimbra entregou R$ 100 mil, em sete folhas de cheque, quatro de R$ 10 mil e três, de R$ 20 mil.

Mesmo flagrada em vídeo Roberlayne declarou que seguia ordens de superiores. Já para a polícia ela sustentou a história de que agiu sozinha.

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