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Interior

Aluno com deficiência diz ter sido obrigado a engolir bexiga com água em escola

Garoto sofreu com uma infecção por cerca de 10 dias até que a bexiga, enfim, foi retirada em uma cirurgia

Por Adriano Fernandes | 21/10/2021 20:16
Bexiga retirada do estômago do garoto. (Foto: Arquivo Pessoal)
Bexiga retirada do estômago do garoto. (Foto: Arquivo Pessoal)

Um adolescente, de apenas 14 anos, com deficiência mental, diz ter sido obrigado por um colega de escola a engolir uma bexiga cheia de água, em Três Lagoas, cidade a 338 quilômetros de Campo Grande. O garoto sofreu com os sintomas de uma infecção causada pelo material por cerca de 10 dias, até que a bexiga, enfim, foi retirada através de uma cirurgia. A família se queixa de não estar recebendo nenhum tipo de ajuda da direção da escola para tentar identificar o suposto agressor.

Mãe do adolescente a dona de casa Cecilia Aparecida Chaves de Souza, de 37 anos, conta que o quadro de retardo mental do filho envolve hiperatividade, déficit de atenção e epilepsia, dentre outros problemas que afetam no aprendizado. Ele está matriculado na 8ª série da Escola Estadual Bom Jesus.

No dia da agressão, Cecília estava em casa, quando recebeu uma ligação do diretor da escola pedindo para que a mãe levasse o filho até a UPA (Unidade de Pronto Atendimento Comunitário).

Incisão para a retirada da bexiga foi feita acima do umbigo do garoto. (Foto: Arquivo Pessoal)
Incisão para a retirada da bexiga foi feita acima do umbigo do garoto. (Foto: Arquivo Pessoal)

“Eles avisaram que o meu filho estava vomitando muito e se queixando de dores e febre, mas eu avisei que não tinha como levá-lo. Então, eles o encaminharam a unidade de saúde, quando cheguei lá, vi que meu filho estava mesmo muito mal”, lembra.

A suspeita inicial dos médicos era de que o adolescente estava com uma intoxicação alimentar ou uma pedra na vesícula.

“Na UPA, ele ficou internado de segunda a quinta-feira, mas no dia seguinte, tivemos de retornar porque ele não parava de vomitar. Ele foi ficando muito ruim, abatido, não parava comida no estômago dele”, se queixa. Apesar da gravidade do quadro clínico do garoto, Cecília conta que o pedido de transferência do adolescente para o Hospital Auxiliadora de Três Lagoas foi recusado inúmeras vezes.

Quando o pedido foi aceito, o adolescente precisou ficar internado por cerca de uma semana, mesmo não tendo um diagnóstico preciso. “Ele continuava passando muito mal e os médicos insistiam que ele estava com uma pedra na vesícula. Só quando eles viram que o meu filho estava morrendo, que pediram mais exames e acharam um objeto estranho no estômago dele”, diz a dona de casa.

Só após a retirada da bexiga, através de uma incisão feita acima do umbigo, que o garoto conseguiu dizer o que havia acontecido. “Ele contou que foi um menino da escola que fez ele engolir. Ou ele engolia ou apanhava”, conta Cecília. O adolescente teve alta no último dia 8 de outubro e aos poucos, sua saúde está voltando ao normal.

“Eu estava com o coração na mão, já tinha entregado o meu filho nas mãos de Deus. Ele estava todo roxinho, não tinha forças nem para brigar. Ele teve anemia, uma infecção por conta da cirurgia, mas eu estou cuidando dele e graças a Deus, ele está melhorando”, conta Cecília.

Passado o pior, a família do adolescente agora pede por justiça. Cecília cobrou uma explicação da Escola Estadual Bom Jesus, mas a direção sequer teria se prontificado a tentar identificar o aluno que teria obrigado o adolescente engolir a bexiga. “Eu cheguei a ouvir que eles tinham a obrigação de cuidar do meio filho na parte pedagógica, de resto, eu teria que me virar”, desabafa.

A reportagem encaminhou o caso à SED (Secretaria Estadual de Educação) e aguarda um posicionamento.

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