Apontado como liderança do PCC, homem é morto a tiros dentro de BMW
Vítima foi condenada a 14 anos por homicídio na fronteira e deixou a prisão neste ano
Apontado como integrante e liderança do PCC (Primeiro Comando da Capital), Diego Macedo Juiz, de 39 anos, conhecido pelos apelidos de “Proibido” e “Zebedeu”, foi morto a tiros na madrugada deste sábado (31), em Bonito, a 297 quilômetros de Campo Grande. Ele estava ao volante de uma BMW 320i quando o veículo foi alvo de um ataque armado na região central do município. Conforme apurado pelo Campo Grande News, Diego havia deixado o presídio neste ano.
RESUMO
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Diego Macedo Juiz, de 39 anos, apontado como liderança do PCC e conhecido como "Proibido" e "Zebedeu", foi morto a tiros na madrugada de sábado (31) em Bonito, a 297 km de Campo Grande. Ele dirigia uma BMW quando o carro foi atacado, e o passageiro ficou ferido. Condenado em 2021 a 14 anos por homicídio na fronteira com o Paraguai, ele havia deixado o presídio neste ano. A motivação e a autoria são desconhecidas e serão investigadas pela polícia.
O passageiro que estava no carro também foi atingido pelos disparos. Segundo informações do Corpo de Bombeiros, ele recebeu atendimento e foi encaminhado ao hospital de Bonito. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre seu estado de saúde.
Quando as equipes de socorro chegaram, os dois homens estavam desacordados e feridos no interior do veículo. Diego não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local. O carro ficou com marcas dos tiros e havia grande quantidade de sangue no interior.
As circunstâncias do crime ainda são desconhecidas. Não há informações sobre a autoria ou a motivação do ataque. O caso deverá ser investigado pelas autoridades policiais.

Condenado por assassinato na fronteira - A morte de Diego traz novamente à tona o histórico criminal atribuído a ele. Em 22 de junho de 2021, ele foi condenado a 14 anos de prisão pelo assassinato de Marcos Daniel Duarte Medina, de 28 anos, executado com 13 tiros de pistola calibre 9 milímetros, em julho de 2015, na região de fronteira entre Brasil e Paraguai.
Na época, Diego tinha 34 anos e era apontado como integrante do PCC, no qual ocuparia posição de liderança na chamada disciplina da facção. Conhecido também pelos apelidos de “Paulista”, “Magnata” e “Príncipe”, além de “Proibido” e “Zebedeu”, a Justiça o julgou no Fórum de Campo Grande, após uma discussão judicial sobre qual localidade deveria ser responsável pelo processo.
O assassinato começou a ser articulado em Ponta Porã, mas foi consumado em território paraguaio, na Colônia Portera Ortiz, a cerca de 15 quilômetros de Pedro Juan Caballero. Por isso, o caso precisou passar por análise do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que definiu a competência da Justiça de Mato Grosso do Sul.
Conforme a denúncia do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), Diego teria atraído Marcos Daniel com uma falsa proposta de trabalho para transportar drogas. A vítima receberia R$ 3 mil pelo serviço. O encontro foi marcado em uma estrada da Colônia Portera Ortiz, onde o pistoleiro Américo Ramirez Chaves, apontado como executor, já aguardava.
Marcos Daniel foi atingido por 13 disparos e encontrado morto no meio da rua. Segundo a investigação, Américo teria passado primeiro pela casa de Diego, em Pedro Juan Caballero, atravessado a fronteira para executar a vítima e retornado ao Paraguai em seguida.
A sentença foi proferida pelo juiz Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande. Diego foi condenado por homicídio doloso qualificado pela dissimulação. Na mesma decisão, o magistrado decretou a prisão preventiva do réu, citando os antecedentes criminais e o risco de ele fugir caso permanecesse em liberdade.
Na ocasião, a defesa sustentou que não havia provas suficientes para condená-lo e informou que recorreria da decisão.

Apontado como liderança do PCC - O nome de Diego também apareceu em investigações do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), durante a Operação Caso Fronteira, que apurou a atuação do PCC em Mato Grosso do Sul.
Interceptações telefônicas realizadas entre 2016 e 2017 apontaram a importância dele na estrutura da organização criminosa. Segundo a investigação, Diego era uma das lideranças do chamado “Geral do Progresso”, núcleo responsável pelo tráfico de drogas e pela circulação de armas de fogo.
Ele também teria coordenado a distribuição de cocaína e crack da região de fronteira para outras cidades, além de definir estratégias de atuação do grupo.
Durante a apuração, os investigadores identificaram a participação de Diego em videoconferências com outros integrantes da facção que estavam presos no Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, a Máxima de Campo Grande.
Em uma das conversas interceptadas, ele teria orientado os comparsas a reagir a ações policiais dentro do presídio, inclusive com rebeliões e ataques contra agentes penitenciários. Em um dos áudios, a frase atribuída a ele foi: “Derruba a cadeia e mata agente na rua”.
As investigações também apontaram contatos com integrantes do grupo no Paraná. Em dezembro de 2016, um atentado contra um veículo do sistema prisional deixou um agente penitenciário morto e outros dois feridos a tiros, em Londrina.
Devido às investigações, Diego chegou a ser transferido para a Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná. Depois, retornou a Mato Grosso do Sul.
Apesar de ter respondido em liberdade pelo assassinato na fronteira, permaneceu preso por outros processos relacionados ao tráfico de drogas e à organização criminosa.
Em uma das decisões judiciais, o magistrado também registrou que Diego havia declarado ter integrado o PCC e que, posteriormente, estaria vinculado ao Comando Vermelho, facção rival.
Agora, cinco anos após a condenação pelo assassinato na fronteira, Diego foi morto em um ataque a tiros em Bonito. As circunstâncias da execução ainda deverão ser esclarecidas pela Polícia Civil.
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