ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
MARÇO, TERÇA  03    CAMPO GRANDE 32º

Interior

Briga entre amigos e versões conflitantes marcam duplo homicídio em Caarapó

Antonio Lucas, que deve se apresentar hoje, e o advogado Cássio de Souza se conheciam desde a infância

Por Helio de Freitas, de Dourados | 03/03/2026 11:05


RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Uma briga entre amigos resultou no assassinato do advogado Cássio de Souza, 40 anos, e do servidor público Hugo Centurião Enciso, 49, em Caarapó, Mato Grosso do Sul. O incidente ocorreu após desentendimento entre Cássio e Antonio Lucas Bispo da Silva, amigos de infância, em frente a uma conveniência.Dois suspeitos foram presos: Alex Santos da Silva, 34 anos, e Antônio Marques da Silva, 55. Ambos apresentam versões conflitantes sobre a autoria dos disparos. Antonio Lucas, que está foragido, foi visto em estado alterado em um posto de combustíveis após o crime, onde teria confessado informalmente o assassinato.

Depoimentos de dois acusados presos revelam motivos banais para a briga que terminou nos assassinatos do advogado Cássio de Souza, de 40 anos, e do servidor público municipal Hugo Centurião Enciso, 49, ocorridos na madrugada de domingo (1º) em Caarapó, a 274 km de Campo Grande.

Cássio de Souza e Antonio Lucas Bispo da Silva, que está foragido, mas deve se apresentar ainda hoje, se conheciam desde a infância e mantinham amizade desde então.

Apesar de terem desentendimentos frequentes, eles estavam sempre juntos, segundo o interrogatório do ex-cunhado de Antonio Lucas, Alex Santos da Silva, 34 anos, que foi preso na manhã de ontem na companhia do ex-sogro, Antônio Marques da Silva, 55, pai do terceiro envolvido.

Nos depoimentos ao delegado Ciro Carlos Jales Carvalho, Alex e Antônio afirmaram que Lucas e Cássio começaram a brigar em frente à conveniência na área central da cidade após um bate-boca envolvendo outro morador da cidade. Lucas teria falado mal desse indivíduo, que também era amigo do advogado.

Cássio não gostou e os dois discutiram. Com um taco de beisebol que carregava em seu carro, um Golf preto, Lucas tentou golpear o advogado, mas Cássio conseguiu tomar o objeto, o acertou com um golpe no braço e correu atrás do amigo de infância.

Lucas se refugiou na casa de Alex, na Rua Américo Vesúvio, no Bairro Capitão Vigário. Cássio e Hugo Enciso, que também havia se envolvido na primeira briga, foram ao local para tirar satisfações. Houve nova discussão envolvendo os cinco homens. O advogado e o servidor foram alvejados a tiros e morreram no local.

Novos vídeos anexados ao inquérito revelam detalhes da briga em frente à conveniência, o som dos tiros disparados contra Cássio e Hugo e dois carros fugindo do local – o Palio branco usado por Antônio e Alex e o Golf preto de Lucas (veja as imagens acima).

Quando foram presos na manhã de ontem deixando Juti em direção a Caarapó, Antônio Marques da Silva e Alex Santos estavam no Palio branco, conduzido pelo primeiro. O revólver usado no crime estava embaixo do tapete do carro.

Após os crimes, os dois vieram para Dourados, foram para o distrito de Macaúba, depois para o distrito de Cristalina onde mora a filha de Antônio e voltaram para Juti, onde foram presos.

Briga entre amigos e versões conflitantes marcam duplo homicídio em Caarapó
O advogado Cássio de Souza, assassinado com o amigo Hugo, domingo, em Caarapó (Foto: Reprodução)

Um acusa o outro – Assim como o Campo Grande News havia adiantado ontem, Antônio Marques e Alex Santos acusam um ao outro pelos tiros que mataram Cássio e Hugo.

No interrogatório gravado em vídeo, Antônio disse que o ex-genro era o dono da arma e que após matar o advogado e o servidor o ameaçou, para obrigá-lo a assumir os crimes. Alex diz que foi o ex-sogro que fez os disparos e nega ser dono do revólver.

Também interrogado pela polícia, o pai de Alex disse que o filho falou com ele por ligação após as mortes e contou que Antônio Marques e Antonio Lucas queriam obrigá-lo a confessar os assassinatos. O homem disse não ter conhecimento de que o filho não tinha arma.

“Eu matei ele” – Outra informação relevante e que só aumenta o conflito de versões sobre o duplo homicídio foi levada à Polícia Civil pelo frentista de um posto de combustíveis que atendeu Antonio Lucas após as mortes, ainda na madrugada de domingo.

Em depoimento na delegacia, o funcionário do posto disse que Lucas chegou ao local abalado, totalmente em choque, pedindo para colocar R$ 100 de combustível no Golf preto. Enquanto o carro era abastecido, Lucas teria dito, falando consigo, que tinha acabado com sua vida.

“Pedi pra ele manter a calma. Ele falou de novo que tinha acabado com a vida dele e que tinha matado alguém, ‘eu matei ele’. Vi que ele tava ralado aqui no braço e fiquei: será que esse cara atropelou alguém e fugiu? Ele tava muito elétrico, não ficava parado, agachava, levantava, ia pra lá e pra cá, passava a mão na cabeça”, relatou o frentista.

Segundo o delegado Ciro Jales Carvalho, o advogado Rodrigo Elder Lopes Bueno, que assumiu a defesa de pai e filho, já informou à polícia que Antonio Lucas vai se apresentar na tarde desta terça-feira (3) para dar sua versão sobre os fatos. Ele está com prisão preventiva decretada pela Justiça.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.