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Capital

Contrato de venda do Consórcio Guaicurus foi assinado no fim de semana

Apesar de parecer bem baixo, o valor da transação, dito até agora nos bastidores, é de R$ 170 milhões

Por Fernanda Palheta e Kamila Alcântara  | 21/07/2026 18:44
Contrato de venda do Consórcio Guaicurus foi assinado no fim de semana
Ônibus faz parada em terminal de transbordo em Campo Grande (Foto: Divulgação/MPMS) ... veja mais em https://www.campograndenews.com.br/cidades/capital/consorcio-recorre-ao-tj-para-suspender-multa-sobre-app-de-acessibilidadeÔnibus faz parada em terminal de transbordo em Campo Grande (Foto: Divulgação/MPMS)

O contrato de venda do Consórcio Guaicurus para a empresa goiana HP Mobilidade foi fechado no fim de semana, em 18 de julho (sábado). Apesar de parecer baixo para o tamanho do grupo que opera o transporte coletivo de Campo Grande, o valor da transação, dito até agora nos bastidores, é de R$ 170 milhões.

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O Consórcio Guaicurus foi vendido por R$ 170 milhões à empresa goiana HP Mobilidade, conforme apurou o Campo Grande News. O anúncio foi feito pela prefeita Adriane Lopes, que condicionou a aprovação da transação à apresentação de um cronograma de melhorias. O transporte coletivo de Campo Grande segue sob intervenção da prefeitura há 35 dias, medida decretada após relatório que apontou mais de 21 mil autuações e frota envelhecida no consórcio.

O anúncio da venda foi feito pela prefeita Adriane Lopes (PP), durante coletiva no Paço Municipal, no início da tarde desta terça-feira (21), minutos após ser informada da negociação. Em nota, o Consórcio Guaicurus afirmou que o contrato de compra e venda de quotas e outras avenças para a aquisição das quatro empresas que operam foi celebrado no último sábado.

Apesar do anúncio da mudança de proprietário, para a nova empresa assumir a operação em Campo Grande é necessária a anuência do Executivo Municipal. "Nós, do Município, vamos solicitar um cronograma das melhorias para avaliar se haverá o aceite. Eu não vou aceitar se não houver mudança, que é o que venho cobrando", disse Adriane à reportagem.

Enquanto o município analisa o negócio e cobra da compradora uma proposta detalhada de investimentos para Campo Grande, o transporte coletivo permanece sob responsabilidade da equipe interventora.

Segundo informações apuradas pela reportagem, uma equipe da empresa goiana desembarcou em Campo Grande nesta segunda-feira para dar andamento à negociação. A prefeita ainda afirmou que a HP solicitou uma reunião para apresentar a proposta de atuação na Capital.

Intervenção - O transporte coletivo de Campo Grande completa hoje 35 dias sob intervenção da prefeitura. A medida começou em 16 de junho e pode durar até 180 dias, período em que gestores nomeados pelo município assumiram o controle operacional, administrativo, financeiro e jurídico do serviço prestado pelo Consórcio Guaicurus.

A intervenção foi decretada após meses de apuração sobre o contrato de concessão, firmado em 2012. O processo começou a ganhar força em novembro de 2025, quando uma ação popular levou a discussão à Justiça. Em vez de determinar imediatamente que a prefeitura assumisse o sistema, o Judiciário exigiu a abertura de procedimento administrativo para verificar se havia justificativa para a medida.

Em março deste ano, uma comissão especial começou a analisar documentos financeiros, dados de fiscalização e o cumprimento das obrigações contratuais. O relatório final, concluído em 8 de junho, recomendou a intervenção.

Entre os problemas apontados estavam 21.910 autuações aplicadas ao consórcio entre 2021 e 2025. Desse total, 12.279 estavam relacionadas ao descumprimento de horários e 3.444 a viagens que não foram realizadas.

A comissão também identificou uma frota com idade média de 7,6 anos, 98 ônibus com mais de dez anos de uso, veículos parados por falta de peças, falhas nas inspeções e ausência dos seguros exigidos pelo contrato durante quase nove anos.

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