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Campo Grande, Quarta-feira, 21 de Agosto de 2019

17/07/2019 10:57

Cercados por índios há 3 anos, sitiantes denunciam descaso do governo

Confronto com três feridos é mais um capítulo da tensão entre índios e donos de pequenas áreas nos arredores da reserva

Helio de Freitas, de Dourados
Índios agrupados ao redor de sítio na região norte de Dourados (Foto: Direto das Ruas)Índios agrupados ao redor de sítio na região norte de Dourados (Foto: Direto das Ruas)

Há três anos, donos de sítios localizados nos arredores da reserva indígena de Dourados – a 233 km de Campo Grande – convivem com invasões feitas por índios, muitos deles vindos de outras aldeias de Mato Grosso do Sul. Nesta semana, em mais uma tentativa de invasão, houve confronto com a Polícia Militar. Dois índios e o funcionário de um dos sítios sofreram ferimentos leves.

O conflito começou em março de 2016, quando sete sítios entre o anel viário e a aldeia Bororó foram invadidos pelos índios. Alguns moradores foram expulsos de casa e até hoje estão fora das propriedades.

Daquele ano em diante, ocorreram várias outras invasões em pontos distintos nos arredores da reserva de 3.600 hectares, onde vivem pelo menos 17 mil pessoas das etnias Guarani-Kaiowá e Terena.

Atualmente as tentativas de invasões ocorrem na região oeste do município, nos fundos do Aeroporto Regional Francisco de Matos Pereira, onde a tensão começou no final do ano passado, após a chegada de um grupo de índios, supostamente de outras aldeias da região sul.

São pelo menos 30 sítios localizados nessa região do município, usados para cultivo de soja, milho e hortifrutigranjeiros. Para os sitiantes, a situação só se agrava, por total descaso do poder público e da Justiça.

“É triste isso, as autoridades não freiam essa situação”, afirmou hoje ao Campo Grande News o sitiante Nelson Amaral de Assunção. O sítio dele já sofreu tentativas de invasão anteriormente.

O confronto desta semana, assim como tinha ocorrido em março deste ano, foi no sítio de Allan Christian Kruger, vizinho de Nelson. A exemplo do ocorrido há quatro meses, a Polícia Militar apreendeu flechas e uma garrafa usada pelos índios como coquetel molotov.

“Meus avós paternos compraram essa área do João Vicente Ferreira [um dos fundadores do município de Dourados e primeiro prefeito da cidade] em 1928. Meu pai nasceu aqui em 1939. Eu nasci em 1963 e nunca saí dessa propriedade. Sou o remanescente da família e tenho uma área de 5 hectares”, conta Nelson.

“Está cada vez pior. Eles têm apoio e nós sem apoio algum. Estão se reunindo e invadindo”, afirmou Allan Kruger nesta manhã. Segundo ele, a polícia saiu da área após o confronto desta semana.

Motivo das invasões – Levantamento feito pela Funai em 2013 aponta o “sumiço” de 85 hectares da reserva de 3.600 hectares, criada em setembro de 1917. Segundo o órgão federal, 3.539 hectares foram demarcados em 1965 e atualmente apenas 3.515 hectares estariam na posse dos índios.

A Justiça Federal determinou perícia para identificar se essa área foi expropriada dos índios e em que parte dos arredores da reserva houve a posse ilegal. Só que essa perícia não aconteceu até agora.

Em 2017, o STF (Supremo Tribunal Federal) suspendeu a reintegração de posse dos primeiros sítios invadidos em 2016. O despejo tinha sido determinado pela Justiça Federal em Dourados. O caso está parado no Poder Judiciário.



Devolvam a terra para seus legítimos donos que são os índios.
Os invasores são os brancos e não os índios.
O resto é mi mi mi.
 
Critico em 17/07/2019 14:49:36
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