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Campo Grande, Quinta-feira, 16 de Agosto de 2018

05/12/2016 15:37

Com sítio invadido por índios, família está há nove meses fora de casa

Moradores de cinco pequenas propriedades vizinhas da reserva de Dourados estão com terras invadidas desde março e sem previsão de quando ordens de despejo serão cumpridas

De Dourados
Barracos montados por índios em sítios em Dourados (Foto: Helio de Freitas)Barracos montados por índios em sítios em Dourados (Foto: Helio de Freitas)

Há nove meses fora de casa, uma família de Dourados, a 233 km de Campo Grande, ainda não sabe se poderá passar o Natal em sua propriedade, localizada na região norte da cidade, ao lado da mais populosa reserva indígena do país.

O sítio da família foi invadido por índios na madrugada do dia 5 de março deste ano. Temendo pela própria integridade física, a mulher, o marido e dois filhos pequenos abandonaram o local e a casa passou a ser ocupada por um dos líderes da invasão.

A sitiante mora atualmente na casa da mãe, em frente à sua propriedade, de onde acompanha diariamente a movimentação de índios em suas terras e em outros quatro sítios vizinhos, também invadidos em março.

A reintegração de posse dos sítios foi determinada pela Justiça Federal em abril deste ano, mas a Funai não cumpriu o prazo para saída pacífica e até agora o Juízo de Dourados não autorizou o envio de força policial para fazer o despejo.

Dois sítios localizados na mesma região da cidade foram desocupados pela Polícia Federal no dia 25 de outubro, mas as outras propriedades continuam invadidas.

O advogado que defende os sitiantes, João Waimer Moreira Filho, disse que a angústia dos proprietários aumenta, pois dificilmente os índios serão despejados ainda neste ano, já que o recesso forense começa dia 19.

Reserva incompleta – Nos recursos contra o despejo, advogados da Funai e o procurador da República Marco Antonio Delfino de Almeida sustentaram que a área de terras ocupada pelos índios seria extensão da reserva de Dourados, pois dos 3.600 hectares da área indígena criada em 1917, apenas 3.539 foram registrados no cartório de imóveis, 49 anos depois.

Também foi citado um levantamento feito pela Funai em 2013 apontando que a reserva conta com 3.515 hectares, ou seja, 85 hectares a menos do que o tamanho total definido há quase cem anos. Segundo a Funai e o MPF, os índios não podem ser despejados dos sítios até a realização de perícia topográfica, para saber quais são os “reais marcos da reserva”.



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