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Interior

Empresária morreu em assalto após reconhecer ex-funcionário

Vítima identificou Fabiano Velasques pela voz, chamou seu nome e por isso foi amordaçada e esfaqueada

Por Geisy Garnes | 14/07/2020 17:40
Em depoimento o suspeito afirmou que matou ao ser reconhecido (Foto: Diário Corumbaense)
Em depoimento o suspeito afirmou que matou ao ser reconhecido (Foto: Diário Corumbaense)

Depois de ser preso em um quarto de motel em Corumbá – a 419 quilômetros de Campo Grande – Fabiano Velasques, de 28 anos, confessou ter matado a comerciante Liane Arruda, de 51 anos, por ser reconhecido durante o roubo de R$ 9,5 mil. O crime aconteceu na noite de sábado (11), mas o corpo da vítima só foi encontrado no dia seguinte, amordaçado e com ferimentos no pescoço.

Detalhes do caso foram divulgados pela Polícia Civil, na tarde desta terça-feira (14), durante coletiva de imprensa transmitida pelo site Diário Corumbaense.

Segundo a Tatiana Zyngier e Silva, em depoimento Fabiano contou ter trabalhado no restaurante de Liane em dois períodos. Acabou demitido por “faltar demais”, mas nunca teve problemas com a patroa. Recentemente, no entanto, começou a ter dívidas cobradas constantemente e para conseguir pagar, decidiu assaltar a comerciante, pois sabia ela guardava parte do dinheiro no estabelecimento.

Na noite de sábado foi até o local. Por conta da proximidade com a vítima, também sabia que ela deixava um dos funcionários em casa após o expediente e esperou que voltasse escondido atrás de uma árvore. Assim que Liane entrou com o carro na garagem, Fabiano correu e passou pelo portão antes que fechasse completamente.

Toda a cena foi gravada por câmeras de segurança, mas em nenhuma imagem era possível ver o rosto do suspeito, que estava de capuz. A movimentação dentro do imóvel também foi registrada e mostra Fabiano render a proprietária e a levar para um dos quartos, o único momento não filmado.

Nas palavras do preso, nos 10 minutos que ficou no cômodo, foi reconhecido por Liane. A dona do restaurante identificou Fabiano pela voz, chamou seu nome e por isso foi amordaçada e assassinada com facadas no pescoço. Para a delegada, o suspeito afirmou que não tinha intenção de matar, mas não viu “outra alternativa” depois disso.

Após encontrar cerca de R$ 9,5 mil no cofre e no caixa do restaurante, pegar joias e retirar o CPU do computador, voltou para a garagem e roubou também o carro de Liane, um Volkswagen Fox. O carro foi encontrado na manhã de domingo (12), próximo ao Aeroporto Internacional de Corumbá.

A identificação – Através das imagens e da perícia feita no local do crime, a polícia encontrou indícios de que vítima e autor se conheciam. Ex-funcionários e amigos foram investigados e ouvidos. Logo a polícia chegou ao nome de Fabiano como um dos suspeitos.

Ao mesmo tempo, conta o delegado Willian Rodrigues de Oliveira Júnior, os investigadores começaram a refazer os passos do criminoso. Equipes foram ao local em que o carro foi deixado pelo suspeito e rodaram pela região a procura de imagens. Os vídeos encontrados mostravam o Fox de Liane ocupado por dois homens, um deles com um boné de aba branca.

Pouco depois, os dois passaram pelo mesmo ponto a pé. Na coletiva de imprensa, Willian Rodrigues explicou que nesse momento as duas linhas de investigação foram cruzadas e um foto de Fabiano com o mesmo boné do homem visto dentro do carro comprovou as suspeitas sobre seu envolvimento no caso.

O pedido de prisão temporária foi feito a justiça e com mandado em mãos, os policias da 1ª Delegacia de Polícia Civil de Corumbá começaram as buscas pelo foragido. Denúncias anônimas avisaram que Fabiano estava em um motel da cidade e um por um foi checado até ele ser encontrado, na manhã de hoje.

Para a polícia, Fabiano contou que depois do crime jogou a faca usada em um lixo de rua e saiu para beber com amigos, que agora são testemunhas do crime, negam qualquer tipo de envolvimento e confirmaram a versão apresentada pelo preso.

Ainda segundo o assassino, a maior parte do dinheiro foi usada para pagar as dívidas. Ele também comprou cerveja e carne para fazer um churrasco no domingo e ficou com R$ 688, valor recuperado pela polícia.

Enquanto narrava o crime para os delegados, Fabiano se disse arrependido, mas não demostrou qualquer indicio disso, ao contrário, foi frio durante todo o tempo. “A palavra que eu encontro para resumir esse crime é covardia. Foi um crime extremamente covarde”, desabafa a delegada Tatiana Zyngier.

Campo Grande News - Conteúdo de Verdade