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João faleceu 5 dias após primeiros sintomas e temia ser infectado pela covid-19

Aos 67 anos, João Ferreira, que era cardiopata não resistiu ao novo coronavírus

Por Lucia Morel | 06/07/2020 16:13
Junto com a família, João festejava e animava as festas. (Foto: Arquivo Pessoal)
Junto com a família, João festejava e animava as festas. (Foto: Arquivo Pessoal)

Cinco dias separaram João Peres Ferreira, de 67 anos, dos primeiros sintomas de covid-19 e seu falecimento em 2 de junho no Hospital Regional de Coxim, cidade a 260 Km de Campo Grande. Portador de marcapasso, o idoso se preparava para fazer ajustes no aparelho aqui na Capital, mas não deu tempo.

Filho de João, Roosevelt Gomes Ferreira, 43 anos revela que o pai temia a covid-19 e “sabia que não resistiria se a pegasse”, segundo disse à reportagem. Infelizmente, a suposição se cumpriu e nem mesmo os cuidados constantes impediram a infecção com a doença.

Segundo o filho, por ter medo de ser contaminado, João usava máscara constantemente e passava álcool em gel com frequência. No entanto, as idas e vindas para Campo Grande para o tratamento do coração podem ter sido a origem da contaminação.

Sempre acompanhado de algum dos filhos durante as consultas cardiológicas na Capital, Roosevelt conta que tanto ele, quanto uma irmã e o cunhado testaram positivo para o novo coronavírus. O cunhado, inclusive, está internado no Hospital Regional em Campo Grande, em UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

“Ele foi na cardiologista dele em Campo Grande porque tinha que fazer check-up para dar um upgrade no marcapasso, porque o coração batia num ritmo e o marcapasso em outro. A gente não sabe como ele pegou, mas acho que foi durante a ida a Campo Grande”, contou Roosevelt, que é servidor público do município de Coxim.

Ao voltar para Coxim, uns dois dias depois, começou a passar mal, num domingo, 28 de junho. “Ele estava na fazenda e começou a passar mal no domingo. Eu fui lá e ele estava se queixando de dor no peito. A princípio achei que era coração”, comentou o filho.

Mas já na segunda-feira o quadro se agravou e a dor no peito avançou para a falta de ar, quando foi levado para o Regional de Coxim, onde ficou internado. No mesmo dia foi feito teste para detecção de coronavírus, que deu positivo.

Roosevelt ao lado do pai. (Foto: Arquivo Pessoal)
Roosevelt ao lado do pai. (Foto: Arquivo Pessoal)

O quadro de saúde se agravou e João seria entubado e aguardava vaga em UTI na Capital para ser transferido, mas conforme Roosevelt, “não deu tempo, no hospital mesmo ele piorou e tentaram entubar e ele teve uma parada cardíaca. Conseguiram reanimar, mas no meio da outra entubação deu outra parada e ele não resistiu”.

Para o filho, o estado de saúde do pai, que segundo registro oficial da SES (Secretaria Estadual de Saúde) tinha doença cardiovascular crônica, prejudicou muito e fez a covid-19 agir com mais força, o debilitando com mais agressividade.

“Meu pai é meu herói, meu pilar, meu tudo”, sentencia Roosevelt, que guarda na memória o pai e avô alegre que João era. “Era uma pessoa muito alto astral, sempre animando a gente nas festas, dançando”, relembra.

Mesmo afirmando que perder o pai para a covid-19 “dói muito”, o filho alerta sobre a doença e sabe que há muitos que estão brincando.

“Com todos os cuidados que ele tinha, meu pai pegou. Se as pessoas acham que são imunes, não são. Tem que usar a máscara, tem que usar o álcool em gel, tem que respeitar a distância das pessoas. Não é brincadeira e a gente não pode ser se dar conta só quando a gente passa pela perda”, lamentou. João deixa três filhos e seis netos.