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Interior

Prefeito quer acelerar plebiscito para batizar Rio Verde como “do Pantanal”

Réus Fornari quer antecipar plebiscito para evitar que mudança de nome entre na disputa política

Por Jhefferson Gamarra e Guilherme Cavalcante | 07/10/2026 18:16
Prefeito quer acelerar plebiscito para batizar Rio Verde como “do Pantanal”
Entrada do município de Rio Verde, a cerca de 200 km de Campo Grande (Foto: Divulgação)

O prefeito de Rio Verde de Mato Grosso, Réus Fornari (PP), articula a antecipação do plebiscito que decidirá se o município vai abandonar o “de Mato Grosso” e passar a se chamar Rio Verde do Pantanal. Em entrevista ao Campo Grande News nesta quarta-feira (7), o prefeito afirmou que o processo está avançado, mas defendeu que a população seja chamada a decidir antes das eleições municipais de 2028.

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O prefeito de Rio Verde de Mato Grosso, Réus Fornari (PP), busca antecipar o plebiscito sobre a mudança do nome do município para Rio Verde do Pantanal. A votação está prevista para outubro de 2028, junto às eleições municipais, conforme regra do TSE. Fornari quer evitar a influência da disputa eleitoral e vê ganho turístico. O Projeto de Lei 152/2025 aguarda avanço na CCJR da Assembleia Legislativa.

Pela previsão atual, os moradores de Rio Verde deverão votar sobre a mudança de nome em outubro de 2028, junto com o primeiro turno das eleições municipais. A consulta popular seguirá a regra do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), segundo a qual plebiscitos e referendos devem ocorrer de forma concomitante às eleições ordinárias subsequentes ao ato de convocação.

Prefeito quer acelerar plebiscito para batizar Rio Verde como “do Pantanal”
Réus Fornari, prefeito de Rio Verde do MT durante entrevista coletiva na cidade (Foto: Reprodução)

Fornari, no entanto, afirma que trabalha para antecipar a votação. Segundo ele, a intenção é impedir que a discussão sobre o novo nome seja contaminada pela disputa eleitoral pelo comando da prefeitura.

“Isso está bem adiantado. É uma consciência quase natural de quem mora aqui. Há quase 50 anos a cidade não pertence mais a Mato Grosso. Mas estou trabalhando para antecipar, não quero que essa escolha vá para o campo político, quero que seja uma disputa mais natural”, explicou.

A proposta prevê que o município passe a se chamar Rio Verde do Pantanal. A alteração retiraria a referência ao antigo vínculo territorial com Mato Grosso e acrescentaria o nome do bioma que marca a identidade da região.

Para o prefeito, a mudança também pode ser usada como estratégia para fortalecer a atividade turística. A ideia é apresentar Rio Verde como uma espécie de portal de acesso ao Pantanal, associando oficialmente o nome do município à principal referência ambiental e turística da região.

“Rio Verde do Pantanal” seria, na avaliação de Fornari, uma denominação mais alinhada à identidade atual da cidade e poderia contribuir para explorar comercialmente e turisticamente essa característica.

Processo na Assembleia - A mudança depende ainda do avanço do Projeto de Lei nº 152/2025, apresentado pela Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul e com coautoria de deputados estaduais. A proposta altera oficialmente a denominação de Rio Verde de Mato Grosso para Rio Verde do Pantanal.

O projeto foi protocolado na Assembleia em 23 de junho de 2025 e tramita em regime ordinário. Em julho daquele ano, foi encaminhado à CCJR (Comissão de Constituição, Justiça e Redação), onde o deputado Junior Mochi foi designado relator.

A última movimentação registrada no processo ocorreu em 8 de julho de 2025, quando a proposição foi encaminhada ao gabinete de Mochi para relatoria. Desde então, o projeto permanece aguardando avanço na comissão.

A proposta também passou pelo período de pauta e teve relatório inicial de análise linguística e redacional inserido no processo. A ementa estabelece que o projeto altera a denominação do município de Rio Verde de Mato Grosso para Rio Verde do Pantanal e dá outras providências.

Antes de chegar à Assembleia, a mudança também recebeu apoio da Câmara Municipal de Rio Verde de Mato Grosso.

Reunião no TSE - A discussão sobre o plebiscito avançou institucionalmente em novembro de 2025, quando autoridades de Mato Grosso do Sul estiveram no TSE para tratar dos procedimentos necessários à consulta popular.

Na ocasião, participaram da reunião no gabinete da então presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, o presidente da Assembleia Legislativa, Gerson Claro (PP), o presidente do TRE-MS, desembargador Carlos Eduardo Contar, o prefeito Réus Fornari e a senadora Tereza Cristina (PP).

O encontro tratou dos procedimentos administrativos e jurídicos para viabilizar a consulta à população.

Pelo desenho atual, o TRE-MS é responsável por conduzir os procedimentos eleitorais e definir o calendário da votação, após as etapas necessárias junto à Justiça Eleitoral. Caso a consulta seja realizada e a maioria dos eleitores aprove a alteração, o projeto ainda precisará avançar na Assembleia Legislativa antes de seguir para sanção do governador.

A realização do plebiscito é, portanto, uma das etapas centrais do processo, já que a mudança depende da manifestação dos eleitores do município.

De Mato Grosso a Mato Grosso do Sul - A justificativa para a alteração também está ligada à própria história territorial do município. O atual nome carrega a referência a Mato Grosso, estado ao qual a região pertencia antes da criação de Mato Grosso do Sul.

Para Fornari, a permanência do “de Mato Grosso” não corresponde mais à realidade da cidade. A intenção é substituir a referência histórica pela identificação com o Pantanal, bioma que ocupa parte significativa do território municipal.

Além da questão identitária, o prefeito vê na mudança uma oportunidade de posicionar Rio Verde no mapa turístico de Mato Grosso do Sul. A proposta é que o próprio nome funcione como uma referência para visitantes, associando a cidade diretamente ao Pantanal.

A mudança, contudo, ainda depende do voto da população. Caso a consulta seja antecipada, os moradores terão de decidir se querem manter o atual Rio Verde de Mato Grosso ou adotar oficialmente Rio Verde do Pantanal.