Prefeito quer acelerar plebiscito para batizar Rio Verde como “do Pantanal”
Réus Fornari quer antecipar plebiscito para evitar que mudança de nome entre na disputa política
O prefeito de Rio Verde de Mato Grosso, Réus Fornari (PP), articula a antecipação do plebiscito que decidirá se o município vai abandonar o “de Mato Grosso” e passar a se chamar Rio Verde do Pantanal. Em entrevista ao Campo Grande News nesta quarta-feira (7), o prefeito afirmou que o processo está avançado, mas defendeu que a população seja chamada a decidir antes das eleições municipais de 2028.
RESUMO
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O prefeito de Rio Verde de Mato Grosso, Réus Fornari (PP), busca antecipar o plebiscito sobre a mudança do nome do município para Rio Verde do Pantanal. A votação está prevista para outubro de 2028, junto às eleições municipais, conforme regra do TSE. Fornari quer evitar a influência da disputa eleitoral e vê ganho turístico. O Projeto de Lei 152/2025 aguarda avanço na CCJR da Assembleia Legislativa.
Pela previsão atual, os moradores de Rio Verde deverão votar sobre a mudança de nome em outubro de 2028, junto com o primeiro turno das eleições municipais. A consulta popular seguirá a regra do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), segundo a qual plebiscitos e referendos devem ocorrer de forma concomitante às eleições ordinárias subsequentes ao ato de convocação.
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Fornari, no entanto, afirma que trabalha para antecipar a votação. Segundo ele, a intenção é impedir que a discussão sobre o novo nome seja contaminada pela disputa eleitoral pelo comando da prefeitura.
“Isso está bem adiantado. É uma consciência quase natural de quem mora aqui. Há quase 50 anos a cidade não pertence mais a Mato Grosso. Mas estou trabalhando para antecipar, não quero que essa escolha vá para o campo político, quero que seja uma disputa mais natural”, explicou.
A proposta prevê que o município passe a se chamar Rio Verde do Pantanal. A alteração retiraria a referência ao antigo vínculo territorial com Mato Grosso e acrescentaria o nome do bioma que marca a identidade da região.
Para o prefeito, a mudança também pode ser usada como estratégia para fortalecer a atividade turística. A ideia é apresentar Rio Verde como uma espécie de portal de acesso ao Pantanal, associando oficialmente o nome do município à principal referência ambiental e turística da região.
“Rio Verde do Pantanal” seria, na avaliação de Fornari, uma denominação mais alinhada à identidade atual da cidade e poderia contribuir para explorar comercialmente e turisticamente essa característica.
Processo na Assembleia - A mudança depende ainda do avanço do Projeto de Lei nº 152/2025, apresentado pela Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul e com coautoria de deputados estaduais. A proposta altera oficialmente a denominação de Rio Verde de Mato Grosso para Rio Verde do Pantanal.
O projeto foi protocolado na Assembleia em 23 de junho de 2025 e tramita em regime ordinário. Em julho daquele ano, foi encaminhado à CCJR (Comissão de Constituição, Justiça e Redação), onde o deputado Junior Mochi foi designado relator.
A última movimentação registrada no processo ocorreu em 8 de julho de 2025, quando a proposição foi encaminhada ao gabinete de Mochi para relatoria. Desde então, o projeto permanece aguardando avanço na comissão.
A proposta também passou pelo período de pauta e teve relatório inicial de análise linguística e redacional inserido no processo. A ementa estabelece que o projeto altera a denominação do município de Rio Verde de Mato Grosso para Rio Verde do Pantanal e dá outras providências.
Antes de chegar à Assembleia, a mudança também recebeu apoio da Câmara Municipal de Rio Verde de Mato Grosso.
Reunião no TSE - A discussão sobre o plebiscito avançou institucionalmente em novembro de 2025, quando autoridades de Mato Grosso do Sul estiveram no TSE para tratar dos procedimentos necessários à consulta popular.
Na ocasião, participaram da reunião no gabinete da então presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, o presidente da Assembleia Legislativa, Gerson Claro (PP), o presidente do TRE-MS, desembargador Carlos Eduardo Contar, o prefeito Réus Fornari e a senadora Tereza Cristina (PP).
O encontro tratou dos procedimentos administrativos e jurídicos para viabilizar a consulta à população.
Pelo desenho atual, o TRE-MS é responsável por conduzir os procedimentos eleitorais e definir o calendário da votação, após as etapas necessárias junto à Justiça Eleitoral. Caso a consulta seja realizada e a maioria dos eleitores aprove a alteração, o projeto ainda precisará avançar na Assembleia Legislativa antes de seguir para sanção do governador.
A realização do plebiscito é, portanto, uma das etapas centrais do processo, já que a mudança depende da manifestação dos eleitores do município.
De Mato Grosso a Mato Grosso do Sul - A justificativa para a alteração também está ligada à própria história territorial do município. O atual nome carrega a referência a Mato Grosso, estado ao qual a região pertencia antes da criação de Mato Grosso do Sul.
Para Fornari, a permanência do “de Mato Grosso” não corresponde mais à realidade da cidade. A intenção é substituir a referência histórica pela identificação com o Pantanal, bioma que ocupa parte significativa do território municipal.
Além da questão identitária, o prefeito vê na mudança uma oportunidade de posicionar Rio Verde no mapa turístico de Mato Grosso do Sul. A proposta é que o próprio nome funcione como uma referência para visitantes, associando a cidade diretamente ao Pantanal.
A mudança, contudo, ainda depende do voto da população. Caso a consulta seja antecipada, os moradores terão de decidir se querem manter o atual Rio Verde de Mato Grosso ou adotar oficialmente Rio Verde do Pantanal.



