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Prisão de irmãos Rotela em depósito de maconha liga alerta na fronteira

Atuante no “tráfico formiguinha”, Clã Rotela ganha espaço em presídios paraguaios e liderou rebelião com 7 mortes nesta semana

Por Helio de Freitas, de Dourados | 19/02/2021 12:20
Fuzil calibre 7,62 ao lado de sacos com maconha, em casa onde sete foram presos ontem (Foto: Divulgação)
Fuzil calibre 7,62 ao lado de sacos com maconha, em casa onde sete foram presos ontem (Foto: Divulgação)

A descoberta do depósito com quase uma tonelada de maconha ontem (18) em Ponta Porã, a 323 km de Campo Grande, deixou policiais sul-mato-grossenses em alerta na fronteira com o Paraguai. Além da droga e do fuzil calibre 7,62x39 encontrados na casa localizada no Jardim das Rosas, outro fato preocupante é o sobrenome de dois dos sete presos.

Os irmãos paraguaios Flavio Rafael Rotela Pereira, 26, e Fernando Rotela Pereira, 34, são suspeitos de pertencerem ao Clã Rotela, quadrilha dedicada ao chamado “tráfico formiguinha” na periferia das grandes cidades do país vizinho e atualmente o principal rival do PCC (Primeiro Comando da Capital) nos presídios do Paraguai.

Oficialmente a polícia ainda não se manifestou sobre o caso, mas o Campo Grande News apurou que Flavio e Fernando seriam primos de Armando Javier Rotela, fundador e “presidente” do Clã Rotela.

Armando é considerado pela polícia paraguaia o “Ás” do microtráfico no Paraguai. A quadrilha controla a venda de drogas nas ruas de cidades paraguaias e se tornou principal fornecedora de crack em comunidades pobres da capital Asunción.

Condenado a quase 30 anos de prisão por tráfico de drogas, Armando Javier Rotela está no Presídio de Tacumbú, onde sete presos foram mortos em rebelião nesta semana. Três foram decapitados. O Clã Rotela é acusado de iniciar o motim para protestar contra transferências e para eliminar rivais.

Armando Javier Rotela durante julgamento em março de 2020 (Foto: ABC Color)
Armando Javier Rotela durante julgamento em março de 2020 (Foto: ABC Color)

Desde 2019 o Clã Rotela trava guerra com o PCC nos presídios do Paraguai. Em junho daquele ano, presos da facção brasileira e do Clã Rotela entraram em confronto na penitenciária de San Pedro. Dez morreram e 12 ficaram feridos, a maioria do Clã Rotela.

Os confrontos entre as duas quadrilhas continuaram nos meses seguintes. Para tentar impedir outros massacres, o governo do Paraguai transferiu os membros do PCC do Presídio de Tacumbú e atualmente o Clã Rotela controla a penitenciária localizada na capital paraguaia.

Tráfico formiga – Outro indício ligando a quadrilha descoberta ontem ao Clã Rotela é a forma de atuação do grupo preso em Ponta Porã. Boa parte da maconha estava em pequenas malas, que seriam despachadas com “mulas” do tráfico no terminal rodoviário da cidade. O tráfico em pequenas cargas é o “modus operandi” dos Rotela.

Além dos irmãos Flavio e Fernando Rotela, foram presos no depósito Carlos Cesar Benitez, 23, Julio Cezar da Silva, 36, Silvia Rocha da Silva, 39, Freddy Raul Rodriguez Lezcano, 37, e Silvia Valiente Caballero, 26. Os filhos de Sílvia Caballero, de 2 e 7 anos, encontrados na casa, foram entregues ao Conselho Tutelar.

Julio Cezar da Silva foi autuado em flagrante por porte ilegal de arma de uso restrito, tráfico de drogas e associação para o tráfico. Os demais foram autuados por tráfico e associação para o tráfico.

Cheiro de maconha - O armazém de maconha foi descoberto pelo SIG (Setor de Investigações Gerais) da Polícia Civil em Ponta Porã. Quando os policiais se aproximaram da casa para checar a informação do serviço de inteligência, sentiram o cheiro da droga.

Com a chegada de reforço, os policiais pediram para os moradores irem para a frente da casa. Quando o portão foi aberto, o cheiro ficou ainda mais forte. Pela porta aberta, os investigadores viram tabletes de maconha na sala.

Quando entraram na casa, os policiais encontraram fardos de maconha espalhados pelos cômodos e bolsas já preparadas para a viagem. No local foram apreendidos 1.031 tabletes de maconha pesando 999,5 quilos e 10,6 quilos de “bucha”, como é chamada a maconha sem ser prensada.

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