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Campo Grande, Sábado, 16 de Dezembro de 2017

08/07/2009 07:39

PCC manda 'corregedor' para cobrar dívidas com a vida

Redação

A ordem é para matar. Lideranças do PCC (Primeiro Comando da Capital) de São Paulo mandaram a Mato Grosso do Sul um integrante intitulado "corregedor", que veio ao Estado com toda estrutura do grupo para cobrar "dívidas" dos membros. Os que não quitarem seus débidos serão mortos, dentro ou fora dos presídios.

A constatação é dos serviços de inteligência ligados à PM (Polícia Militar) e à Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) já detectaram o plano da facção. A inteligência descobriu que há pelo menos dois meses o PCC mandou o corregedor e a quadrilha para Campo Grande.

Por mais estranho que pareça a história, os envolvidos na investigação garantem que o "partido" tem controle de presos e unidades penais.

Entretanto, prender o grupo torna-se um desafio às autoridades policiais. "Eles mudam sempre de lugar", revela uma fonte ouvida pelo Campo Grande News e que terá o nome preservado.

Bandidos ligados à facção são obrigados a manter as ações determinadas pela facção mesmo quando ganham a liberdade. "Quando a pessoa sai da cadeia tem que trabalhar para o partido", diz uma fonte.

"A ordem é matar quem está no prazo", diz outra fonte.

A reportagem também apurou que o PCC está por trás da morte de Antônio Carlos da Silva Oliveira, 41 anos, o Cabrinha encontrado morto no dia 06, na madrugada no Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande. Este foi o terceiro caso de assassinato ocorrido no local somente este ano.

Os outros crimes aconteceram em 6 de maio e 6 de junho. Oliveira cumpria pena por homicídio. Apesar de ser a mesma, a data não indica muito para oinvestigadores.

Ele foi encontrado já sem vida com vários sinais de agressão na cela 121, da ala A do pavilhão II. Um saco plástico foi apreendido no local.

No mês de maio, Bruno Nunes da Silveira dos Santos, 27 anos, sentiu-se mal e foi levado ao posto de saúde do Bairro Tiradentes, porém, já chegou à unidade sem vida.

Já Charles Siqueira foi encontrado enforcado em uma cela da Máxima no dia 6 do mês passado. Ele era considerado um dos criminosos de maior periculosidade do Estado. As circunstâncias do assassinato ainda são mistério para a Polícia.

Oliveira havia conseguido na Justiça a progressão de pena e seria removido para o regime semi-aberto. A decisão, assinada pelo juiz Francisco Gerardo de Sousa, saiu na quarta-feira (2).

Os diretores da Agepen foram procurados pelos telefones celulares e via assessoria de imprensa para esclarecer porque Oliveira ainda não havia sido transferido. Entrentanto, ninguém foi encontrado para comentar o caso.

A Agepen também não esclarece porque Charles Siqueira cumpria pena na Máxima, unidade onde corria risco de morte. No dia 24 de junho, a Justiça deu prazo de 48 horas para que a Agepen informasse acerca dos motivos que levaram a transferência de Charles para o Estabelecimento Penal de Segurança Máxima.

Do lado de fora - Queima de arquivo pode ter motivado o assassinato de Fabrício Flor da Silva, 33 anos, ocorrido na madrugada de 31 de maio, quando o preso deixava a CPA (Colônia Penal Agrícola).

Silva foi assassinado com seis tiros, três na cabeça e três no tronco. O preso estava jurado de morte e por isso passou o fim de semana anterior à morte sem sair da CPA.

Quando decidiu sair da Colônia, ele foi atingido por disparos de pistola no estacionamento do presídio de regime semi-aberto.

No dia 26 de junho, Paulo Sérgio Fernandes, 36 anos, foi encontrado enforcado em uma das celas disciplinares do IPCG (Instituto Penal de Campo Grande), considerada uma das formas "clássicas" de execução pelo PCC.

No dia 29 de junho, o detento do regime semi-aberto urbano de Campo Grande, Emerson Pereira de Oliveira, 31 anos, foi assassinado a tiros em sua casa. Conforme boletim de ocorrência, Emerson estava jurado de morte pelo PCC e estava em casa devido à licença médica.

No interior também há casos de execução de presos no primeiro dia após recuperarem a liberdade. Em Dourados, o detento Genésio Puks Nogueira, de 49 anos, morreu também a caminho do hospital, depois de passar mal durante a madrugada. O caso ainda não foi esclarecido.

Em abril, Márcio Rogério da Silva, de 20 anos, foi assassinado duas semanas depois de deixar o presídio em Rio Brilhante

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