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A luta para a medicina abdicar o diagnóstico de estresse nas úlceras

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 16/01/2026 07:20
A luta para a medicina abdicar o diagnóstico de estresse nas úlceras

Até há pouco tempo uma pessoa diagnosticada com úlcera estomacal tinha de se submeter a um tratamento que envolvia desestressar e uma dieta de quase fome. Quem tinha essa doença era visto pela sociedade como alguém próximo da loucura. Eles estavam errados. A úlcera estomacal é causada por uma bactéria com o formato de uma hélice, daí o nome “Helicobacter pylori”, uma “hélice no piloro”.

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Os japoneses e o porquinho-da-Índia.

No início do século passado, pesquisadores japoneses chegaram a provocar úlceras estomacais em porquinhos-da-Índia usando algumas bactérias suspeitas que tinham a forma de uma hélice que haviam retirado de gatos. No entanto, a pesquisa nipônica nunca se consolidou. A medicina fez troça dos japoneses.


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O grego multado e condenado.

Se os japoneses se converteram em motivo de chacota, pior foi o destino de um médico grego. Ele tratou sua própria úlcera estomacal com antibióticos e utilizou com sucesso o mesmo método em seus pacientes. No entanto, nenhuma revista cientifica quis publicar suas descobertas. Nenhuma empresa farmacêutica se interessou pelo tratamento. Como “agradecimento”, as autoridades gregas multaram o médico e o levaram ao tribunal.


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A ousadia dos australianos.

Dois australianos, Warren e Marshall conseguiram convencer alguns microbiologistas que eram as bactérias as causadoras da úlcera estomacal. Mas, fora isso, a teoria bacteriana foi soterrada por publicações e mais publicações afirmando que era o estresse o causador da doença. Tal como os japoneses, conseguiram comprovar a teoria em porquinhos-da-Índia e em camundongos. E nada de reconhecimento. Com o tempo, Warren e Mashall ficaram desesperados. Eles sabiam que estavam no caminho certo, mas as autoridades médicas não aceitavam. Com pura audácia, Marshall decidiu virar cobaia de seu experimento.


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Prêmio Nobel.

Engoliu uma cepa de bactérias retiradas de um paciente com úlcera e dez dias depois, começou a tomar antibióticos. Tudo devidamente documentado. O jogo virou. Muitos começaram a acreditar na teoria bacteriana, abandonando a do estresse. Mas ainda foram necessários dez longos anos para as autoridades aceitarem. Em 2005, os dois receberam a maior honraria da ciência pela “descoberta”: o Prêmio Nobel

 

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