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Em Pauta

Com o braço colado no nariz, a origem da cirurgia plástica

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 25/02/2020 07:00
Com o braço colado no nariz, a origem da cirurgia plástica

Tudo começou na Índia do século VI a.C., Sushruta, o primeiro cirurgião conhecido da história, assinou livros descrevendo o processo de recomposição ou alteração do rosto. Sua preocupação maior era com o nariz. A cirurgia consistia em talhar o nariz com uma lâmina e depois recobri-logo com a pele do queijo. Mas só dez séculos depois, na Itália, que a técnica atingiria alguma "sofisticação".

Com o braço colado no nariz, a origem da cirurgia plástica

Sem anestesia, refaziam o nariz.

Essa história de privilegiar o nariz teve continuidade ao longo dos séculos. Quem exigia esse serviço eram homens vítimas de agressão ou sifilíticos. A doença desfigura o rosto, expõe a pessoa à vergonha pública. O médico refazia o nariz antigo (com o que havia sobrado dele) com um bisturi rudimentar. E, claro, tudo sem anestesia. No máximo, recomendava uma dose forte de bebida.

Com o braço colado no nariz, a origem da cirurgia plástica

Gaspare Tagliacozzi, com o braço colado no nariz.

No renascimento italiano, Gaspare Tagliacozzi revolucionaria essa cirurgia. E garantiria uma bela fortuna para seus bolsos. Desenhava um prisma, no tamanho certo, na parte interna do braço do paciente. Com uma faca afiada, ele cortava a figura, exceto em uma das pontas. Esse pedaço de carne do braço era levado ao nariz do paciente. Terminava a cirurgia afixando o braço cortado com suturas e tiras de couro envolvendo a cabeça.

Com o braço colado no nariz, a origem da cirurgia plástica
Com o braço colado no nariz, a origem da cirurgia plástica
Com o braço colado no nariz, a origem da cirurgia plástica

Não necrosava.

Assim, esse pedaço de carne do braço podia cicatrizar lentamente sobre o nariz em conserto. Sem necrosar, pois recebia circulação de sangue. O Problema era ficar de duas a três semanas com o braço preso no nariz sem mexer um só centímetro. A essa altura, o enxerto exalava um cheiro horrível e o paciente mal sentia o braço, que havia atrofiado. Tagliacozzi chamava esse pedaço do braço de "pendículo". Que normalmente era cortado resultando em sucesso.