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Campo Grande, Segunda-feira, 27 de Maio de 2019


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    com Manoel Afonso


26/04/2019 09:18

Prestígio ou habilidade: o que decide eleição?

Manoel Afonso

VALE A PENA circular pelo saguão da Assembleia Legislativa. Encontra-se com ex-políticos, poetas e outros sonhadores. Vale também pelas observações de assessores que revelam os papos nos gabinetes. Um deles revelou a possibilidade do vice governador Murilo Zauith (DEM), filiar-se ao PSDB após assumir o Governo - se o governador Reinaldo (PSDB) renunciar ao cargo para disputar o Senado. Com o poder da máquina poderia tentar viabilizar sua candidatura a reeleição pelo mesmo partido do governador. Uma tese muito interessante. Em tempo: Murilo nasceu em Barretos (SP) pertinho da divisa com Minas Gerais. Uai...sabe como é!

1-HABILIDADE Poderia começar pelo deputado Londres Machado (PSD), mas a figura de Tancredo Neves é mais emblemática, pela ‘mineirice’ nata e por sua dimensão nacional acima de ideologias e partidos. Ele sobreviveu com êxito à Ditadura sem se render aos generais e foi competente ao transformar o enfrentamento em conciliação. Dele, duas frases são marcantes sobre a postura do líder político numa situação delicada: “Não se tira o sapato antes de chegar ao rio” – “Ninguém chega ao ‘Rubicão’ para pescar”.

2-HABILIDADE Foi o que faltou à ex-presidente Dilma Roussef (PT) que não soube dialogar com o Congresso. Como jamais havia disputado uma eleição, tinha apenas o perfil gerencial. Esqueceram de avisá-la: na política bronca funciona muito pouco e ordens nem sempre são bem vindas. Uma figura que representa a antítese dela é Ângela Merkel – 1ª. Ministra da Alemanha. Nos últimos anos tem sobrevido politicamente graças a sua habilidade, ouvindo e dialogando muito, decidindo sem precipitação. Se Dilma tivesse lido a respeito do comportamento de Merkel, teria errado menos.

3-HABILIDADE Mais importante do que o prestígio eleitoral. Dois exemplos nossos. Londres Machado e o ex-governador Pedro Pedrossian. De Secretário da prefeitura de Fátima do Sul ao Governo; ele comandou pessoalmente e indiretamente a Assembleia Legislativa por anos a fio com influência direta em todas as administrações, chegando inclusive a ocupar interinamente o Governo Estadual. Londres sempre separou o que é adversidade política com inimizade ou ódio. Foi o consenso na direita e esquerda, a referência, com poder invisível nas duas bancadas.

PEDROSSIAN, apesar de ser engenheiro, líder por natureza, não era hábil. Os políticos reconheciam sua capacidade administrativa, mas criticavam seu estilo personalista, centralizador, muito franco e direto. Seu dicionário era de poucas palavras. Pedrossian encarnou a figura do lobo solitário, governando e discursando sempre na primeira pessoa, não compartilhando com companheiros as conquistas e vitórias. Marcou muito mais pelo gerenciamento do que pela habilidade política.Perdeu sua última eleição exatamente pela falta de habilidade em agregar lideranças.

REPORTANDO ao título da coluna, pelos exemplos locais, nacionais e no mundo, os exemplos mostram que nem sempre o prestígio pessoal tem sido o passaporte para o poder. Candidatos preparados para o cargo, acabaram derrotados por equívocos nas alianças partidárias, erros nos discursos e propostas e tropeços ao longo da campanha. Normalmente seus discursos são reflexos do que realmente pensam, independente da opinião dos eleitores. Não se preocupam em agradar.

GANHAM os habilidosos, que conversam atrás das cortinas, que ouvem mais, que cedem espaços e encaram as eleições como um jogo normal, onde se perde e se ganha. Por exemplo – em tese – o ex-governador Alckmin (PSDB) seria o candidato mais apto a governar o país, mas faltou-lhe habilidade em várias ocasiões. Em Campo Grande, Edson Giroto (PR) era o portador de todas as qualificações para o cargo de prefeito mas perdeu feio.

ROBERTO CAMPOS lembrava: “ao subir num palanque, os candidatos competentes devem esquecer seu currículo e as suas propostas racionais. Lá o que vale é o dialeto do PAMG – que quer dizer – prometer, acusar, mentir e gritar.” Infelizmente na hora do voto o coração fala mais alto do que a mente. Assim a primeira derrotada é a verdade, pois os votos são passionais. Vota-se pela simpatia ou antipatia. O que falta nestas horas é racionalidade. Já vi candidato a vereador derrotado porque resolveu dar aula de Educação Moral e Cívica no palanque. O povo detesta candidato chato, pessimista.

SÓ DESGRAÇA? Pelo conteúdo do noticiário da TV Globo o país está despido de esperança e aspectos positivos. De cabo a rabo a pauta só fala de golpes, violência, tragédias e dados negativos sobre o comportamento do brasileiro. Para a Globo o Brasil seria uma ‘Chernobil’ sem chances após o episódio da explosão na usina nuclear. Será que a maioria da população não é de gente de bem e que sonha com um país melhor. Bolsonaro fechou a$ torneira$ e deu nisso!

VOTO OBRIGATÓRIO “Os nossos governos são escolhidos por eleitores que tem um dos piores níveis educacionais do universo, quase metade da população é analfabeta pura ou funcional. (Luiz G. Bertelli – Academia Paulista de Educação). “O voto obrigatório garante que no dia da eleição compareçam todos os habitantes dos seus currais, cujos votos compram com a doação de dentaduras e com anúncios de felicidade instantânea na televisão, pagos por sinal, com seu dinheiro.” (José R. Guzzo) “Dos 231 países em que há eleições, só em 31 o voto é obrigatório, sendo 13 na América Latina.” ( ex-deputado federal Hélio Duque)

“A ESQUERDA vê o Estado como o instrumento de política pública para criar o máximo de igualdade possível. A direita, aposta que se pode promover a igualdade e mudança estrutural com menos Estado. Como explicar uma ditadura direitista? Simples: Estado forte em benefício de poucos. O que caracteriza a esquerda, como se vê, não é apenas o gosto por muito Estado, mas o uso do Estado para determinados fins. A ditadura de direita é uma distorção perversa do liberalismo econômico assim como a de esquerda é uma corrupção do social.” (Juremir Machado da Silva - Correio do Povo)

CONFIRA: “A infelicidade tomou conta do Brasil, segundo o Instituto Gallup em parceria com a ONU e fundações internacionais (era o 15º país mais feliz em 2015, passou para a 32ª posição). Crises econômica, política, moral, ética, tudo explica a queda. Mais: desemprego, trabalho precarizado , fome, miséria, perda de status social, insegurança jurídica, corrupção, revolução tecnológica que privilegia a concentração de riqueza, uso vulgar da internet, ódio, violência e por aí vai. O predomínio é dos discursos, não das ações da vida. A ilusão tomou lugar da verdade. ” (Luiz Flávio Guimarães – jurista e deputado federal PSB-SP)

ORELHA EM PÉ Os políticos profissionais que se cuidem. A cada eleição aqui e mundo afora resultados rejeitam que fazem da política mais que profissão, adotando o Governo como sua propriedade. A última a lição veio da Ucrânia onde o humorista Volodymyr Zelenski venceu o presidente e candidato a reeleição Petro Porochenko. A frase emblemática do vencedor no último debate merece ser decorada pelos nossos políticos. Anotem: “Eu não sou político. Eu sou só uma pessoa comum que veio para quebrar o sistema. Sou o resultado de seus erros e promessas.”

É POUCO? Cada deputado federal tem salário de Cr$33.763,00; auxílio moradia de Cr$4.253,00 (ou apto grátis), verba de R$101,9 mil para contratar até 25 funcionários; de R$ 30.788,66 a R$45.612,52 mensais para alimentação, aluguel de veículo e escritório, divulgação do mandato, entre outras despesas. Dois salários no primeiro e no último mês da legislatura como ajuda de custo, ressarcimentos gastos médicos. Esses os principais benefícios entre salários benesses custam R$2,14 milhões por ano, ou R$179 mil mensais.

RESENHA PARLAMENTAR:

ANTONIO VAZ (PRB): Projeto autorizando o Executivo a criar acesso ao Portal da Sejusp para atender ocorrências de animais. Projeto proibindo sátira religiosa em manifestações culturais e sociais, além de participar de reuniões de comissões.

CAPITÃO CONTAR (PSL): Quer honrar os 78.390 votos recebidos. Participou de reuniões das comissões e das sessões semanais da Casa e na quinta feira, usou a tribuna manifestando-se contra a retirada do abono salarial de funcionários, sendo aplaudido.

JOSÉ C. BARBOSA (DEM): Participou da reunião da CCJR, ocupou a tribuna para abordar questões jurídicas de projetos, presente a reunião da Comissão de Combate a Violência nas Escolas e manifestou opinião sobre a qualidade e preservação das águas.

JOÃO HENRIQUE (PR): Autor de projeto isentando de ICMS os repelentes no período do surto da Dengue. Presente ( membro titular) da reunião da Comissão de Constituição Justiça e Redação e esteve presente a premiação de prefeito empreendedor na capital.

LÍDIO LOPES (Patriota): Propôs projeto permitindo a visita de animais nos hospitais e usou da tribuna para elogiar o empreendedorismo da atual administração municipal da capital. Visitou órgãos públicos em questões envolvendo municípios do interior.

MARÇAL FILHO (PSDB): Participou da reunião da Comissão de Constituição, Justiça e Redação, ocupou a tribuna várias vezes e participou da reunião da Comissão Permanente de Segurança Pública e Defesa Social. Recepcionou vereadores do interior.

EVANDER VENDRAMINI (PP): Emitiu 103 ofícios para órgãos diversos e assinou 72 proposições e foi as reuniões das comissões que integra. Esteve em Brasília tratando de questões partidárias. Sua assessoria é constituída de pessoas vinculadas a Corumbá.

LUCAS LIMA (SD): Tomou posse como membro do Conselho Estadual de Controle Ambiental; pediu ao Governo o asfaltamento do acesso até o distrito de Areado (33,5kms) e promove Ação de Cidadania neste sábado no Bairro Nova Campo Grande.

JAMILSON NAIME (PDT): Aprovado seu projeto beneficiando portadores de câncer através de campanhas oficiais divulgando os direitos e orientando sobre os caminhos disponíveis para o tratamento. Deve insistir em ações sociais como é tradição familiar.

Já se foi o tempo que a união fazia a força. Hoje a União cobra os impostos e quem faz força é você. (Max Nunes)

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