Tutora soube por vídeo que cachorro apanhava em hotel de pets
Gravação de fevereiro ressurgiu após repercussão de outro caso no mesmo espaço, em Bonito
“Hoje eu tive a infeliz surpresa de saber que meu cachorro foi agredido pela pessoa que a gente pagava para cuidar dele.” Foi assim que a empresária Muriel Xavier descreveu a descoberta de que Manjericão, um cão da raça Akita, de 4 anos, é o cachorro que aparece levando puxões e tapas em um vídeo gravado dentro do mesmo hotel para animais do caso Ravi, cachorro atingido na cabeça em outra gravação que viralizou no fim de semana.
RESUMO
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Muriel Xavier descobriu nesta segunda-feira (5) que Manjericão, seu Akita de 4 anos, aparece sendo puxado e atingido por tapas em vídeo gravado no mesmo hotel para animais do caso de Ravi. A tutora disse ter recebido as imagens de um desconhecido e que pretende registrar boletim de ocorrência nesta terça (6). A responsável pelo local, Ana Carla Leite, afirma que os fatos estão sendo apurados e que os vídeos foram divulgados com versões distorcidas.
A gravação mostra uma monitora do Hotelzinho Peludos Resort de Bonito, município a 297 quilômetros de Campo Grande, segurando o cachorro pelas orelhas enquanto coloca um adereço colorido em seu pescoço. O animal se desequilibra e cai da plataforma de madeira onde estava. Durante a queda, ela o segura por uma das patas dianteiras.
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Quando o cãozinho volta a ficar em pé, a mulher o puxa pelo pescoço até fazê-lo subir novamente na estrutura. Em seguida, dá um tapa na lombar do animal.
Ao Campo Grande News na noite desta segunda-feira (5), Muriel disse ter recebido as imagens de uma pessoa que não conhecia. “Na hora que eu vi, fiquei em choque. Vi alguém batendo no meu cachorro para tirar uma foto, porque sempre faziam, fotos de Carnaval, Páscoa, fotos temáticas. E aí eu fico me perguntando se isso aconteceu outras vezes”, afirmou.

Manjericão e outro cachorro da empresária frequentavam o hotel desde junho de 2025. A tutora recorria ao espaço quando precisava viajar e disse que confiava no serviço justamente por acreditar que os animais estariam protegidos enquanto ela estivesse fora.
“Eu precisava viajar e ficava muito preocupada com o bem-estar dos meus cachorros. Deixava eles no hotel para estarem bem cuidados, seguros. Eu achei que era isso o que acontecia.”
Para Muriel, o novo registro mudou como ela passou a enxergar situações anteriores. Ela contou que Manjericão já havia voltado do hotel com o rabo dolorido e, em outras ocasiões, com pequenos ferimentos. Na época, recebeu a explicação de que o cachorro havia brigado com outros animais.
“Eu acreditava porque, como ele convivia com vários outros cães lá, achei que em algum momento poderia acontecer de ele brigar. Mas nunca, na minha vida, imaginei que pudessem agredir o meu cachorro. Senão eu jamais deixaria eles lá.”
A confiança também era reforçada pelo comportamento dos próprios animais. Segundo Muriel, os cães demonstravam gostar de frequentar o hotel e ficavam felizes quando estavam no espaço.
De verdade, eu nunca achei que eles fossem agredidos lá, porque eles ficavam muito felizes quando viam [a monitora]. Eles gostavam muito de ir para lá. Por isso eu ficava tão tranquila, tão em paz”, diz tutora.
Muriel afirmou que, quando viu o primeiro vídeo (veja abaixo), ainda considerou a possibilidade de a cena ter ocorrido durante uma tentativa de separar uma briga entre cães, versão apresentada pela responsável pelo hotel. “Até ali, eu achava que cabia uma interpretação, um momento de desespero. Mas agora, depois de ver esse vídeo do Manjericão sendo agredido gratuitamente, sem fazer nada, e esses outros relatos, eu acredito que ela tenha feito isso.”
A tutora afirmou que pretende registrar boletim de ocorrência nesta terça (6). “Espero que isso seja investigado muito a fundo, que não caia no esquecimento das pessoas e que quem errou seja punido com rigor.”
Entenda - O caso começou a ganhar repercussão no sábado (3), quando o empresário Vincent Lacerda publicou o vídeo de Ravi, um cão da raça Pastor Australiano de pouco mais de um ano, agredido com socos e tapas no estabelecimento.
Quando viu as imagens, o rapaz entrou em contato com a proprietária do hotel e recebeu a explicação de que ela tentava separar Ravi de outro cachorro, um yorkshire chamado Kowalski. No entanto, a dinâmica inicial entre os dois cães segue desconhecida.
Nas redes sociais, o tutor afirmou que nunca recebeu dos responsáveis pelo espaço relatos de comportamento agressivo do animal, acusado de atacar outros cães. “Num lugar pago para cuidar, faltou profissionalismo, faltou comunicação, faltou sensibilidade”, disse.
Procurada pelo Campo Grande News, a responsável pelo estabelecimento, Ana Carla Leite, disse que tentou separar uma briga entre os animais. Ela também pontuou que o cachorro envolvido no episódio entendia apenas comandos em alemão.
A reportagem fez novo contato telefônico com Ana Carla nesta segunda. Por meio de mensagem, ela afirmou que os fatos estão sendo devidamente apurados internamente. "No momento oportuno, todos os esclarecimentos serão apresentados de forma responsável, transparente e com os elementos necessários para demonstrar o que realmente ocorreu".
Ainda em nota, a monitora diz que vídeos foram divulgados com versões distorcidas sobre os fatos, utilizando trechos de vídeos isolados "para construir uma narrativa que não corresponde à realidade".


