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Economia

Endividamento cresce e já compromete renda de 72% da Capital

Cartão de crédito lidera dívidas e inadimplência pesa mais entre famílias com menor poder aquisitivo

Por Gustavo Bonotto | 11/06/2026 23:33
Endividamento cresce e já compromete renda de 72% da Capital
Contas do mês anotadas em caderno junto com dois cartões de crédito. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

A proporção de famílias com dívidas em Campo Grande subiu para 72,3% em maio, segundo a PEIC (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), divulgada pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). O índice é superior ao registrado em abril, quando estava em 72%, e também supera em 10% o percentual apurado no mesmo período do ano passado.

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Em maio, 72,3% das famílias de Campo Grande estavam endividadas, alta em relação aos 72% de abril e 10% acima do registrado no mesmo período do ano anterior, segundo a PEIC, da CNC. O cartão de crédito é a principal fonte de endividamento em todas as faixas de renda. Famílias com renda de até dez salários mínimos são as mais afetadas, com 18,6% muito endividadas, ante 7,1% entre as de maior renda.

O levantamento considera famílias que possuem parcelas de cartão de crédito, cheques pré-datados, carnês, empréstimos, financiamentos de veículos e seguros. Os dados mostram que o comprometimento da renda permanece elevado na Capital e afeta diferentes faixas de rendimento.

Entre os lares com renda de até dez salários mínimos, 18,6% dos entrevistados afirmaram estar muito endividados. Nas famílias com renda superior a esse valor, o percentual cai para 7,1%.

A pesquisa também aponta diferenças no perfil das dívidas. O cartão de crédito aparece como principal fonte de endividamento em todas as faixas de renda. Entre as famílias de menor poder aquisitivo, os carnês ocupam a segunda posição, citados por 19,8% dos entrevistados. Já entre os grupos de renda mais alta, o financiamento de veículos aparece em segundo lugar, mencionado por 27,9%.

Economista do Instituto de Pesquisa da Fecomércio-MS, Regiane Dedé de Oliveira avalia que a inadimplência atinge com mais intensidade os consumidores de menor renda. Segundo ela, esse grupo tem menos margem para absorver despesas extras e compromissos financeiros diante dos gastos cotidianos.

O estudo também acende um alerta para o uso do cartão de crédito. A modalidade concentra o maior número de dívidas e possui uma das taxas de juros mais elevadas do mercado, o que pode ampliar o comprometimento da renda em caso de atraso nos pagamentos.