MSGás mira biometano para conectar regiões e acelerar descarbonização em MS
Companhia vê potencial no agro e planeja atuar como elo entre produtores e consumidores do biocombustível
De olho na transição energética e no potencial de produção de combustíveis renováveis em Mato Grosso do Sul, a MSGás já projeta um futuro em que o biometano terá papel estratégico na expansão da infraestrutura energética do Estado. A companhia trabalha com a perspectiva de atuar não apenas na distribuição de gás natural, mas também como elo entre os polos produtores de biometano e os grandes consumidores industriais e logísticos, especialmente nas regiões de expansão da celulose e de produção de bioenergia.
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A MSGás planeja ampliar sua atuação para distribuir biometano em Mato Grosso do Sul, aproveitando o crescimento do setor sucroenergético, da produção de proteínas animais e do Vale da Celulose. A empresa quer usar a futura rede entre Campo Grande e Dourados para levar o combustível a polos industriais, descarbonizar frotas e criar um hub de biometano, mas depende de avanços regulatórios e econômicos para viabilizar o mercado.
A aposta faz parte do planejamento de longo prazo da empresa e está associada à interiorização da rede de distribuição. Segundo a diretora-presidente da MSGás, Cristiane Alkmin Junqueira Schmidt, a empresa vai atuar na região a partir de julho deste ano, com a chegada do GNC (Gás Natural Comprimido) e está nos planos da companhia futuramente construir um que ligará Campo Grande a Dourados.
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“Queremos aproveitar o biometano para atender clientes da celulose em Três Lagoas, Inocência e Bataguassu. A ideia é fazer com que a MSGás seja o condutor e consiga levar o biometano para essas regiões. É um projeto de mais longo prazo, mas que já faz parte do nosso pipeline de investimentos”, afirmou.
Para a executiva, a criação de uma rede integrada de biometano pode representar um novo ciclo de desenvolvimento para o setor energético estadual. “Uma vez consolidada essa infraestrutura, queremos pensar em um hub de biometano. Esse hub é que pode colocar Mato Grosso do Sul em outro patamar”, destacou.
A estratégia está diretamente ligada ao crescimento do chamado Vale da Celulose. Segundo Cristiane, somente nessa região existe potencial para descarbonizar aproximadamente 1.900 caminhões que atuam na cadeia florestal e industrial.
“Quando eu falo que essas operações virão descarbonizadas, já estou falando de caminhões movidos a gás natural e biometano”, explicou.
A executiva avalia que Mato Grosso do Sul reúne condições privilegiadas para se tornar um dos principais polos brasileiros de produção de biometano. Entre os fatores que sustentam essa perspectiva estão a expansão da atividade bioenergética, a produção de proteínas animais e a presença de frigoríficos.
Ela cita como exemplos empresas já envolvidas com a produção do combustível renovável, como a Cocal, que adquiriu duas usinas sucroenergéticas da Raízen e já utiliza biometano em sua frota, além da Atvos, que deverá iniciar a produção ainda neste ano em Nova Alvorada do Sul. A Adecoagro também já produz biometano e utiliza o combustível em veículos próprios. Somam-se a esse cenário a suinocultura e os frigoríficos instalados na região sul do Estado.
“O Estado é muito rico em biometano. O Centro-Oeste, o Sul e o Sudeste do País têm grande potencial, mas aqui, especialmente no sul de Mato Grosso do Sul, esse potencial é ainda maior”, afirmou.
Apesar do potencial, o mercado brasileiro ainda é incipiente. Segundo Cristiane, atualmente o país produz cerca de 14 milhões de metros cúbicos diários de biogás. Desse total, aproximadamente 60% são destinados à geração de energia elétrica. Apenas cerca de 5 milhões de metros cúbicos são transformados em biometano.
Além disso, a maior parte dessa produção não chega ao mercado. “Hoje, cerca de 99% do biometano produzido é para consumo próprio. Empresas como a Cocal produzem para abastecer seus próprios caminhões e não comercializam esse combustível”, explicou.
Segundo ela, a comercialização nacional ainda é pequena, girando em torno de 300 mil metros cúbicos por dia, o que demonstra o espaço existente para crescimento do mercado.
A presidente da MSGás acredita que iniciativas desse tipo podem contribuir diretamente para as metas ambientais do Estado. “O Governo do Estado tem o projeto de carbono neutro para 2030. Talvez a gente consiga até antecipar esse objetivo se conseguirmos integrar todos esses projetos e substituir parte importante das frotas movidas a diesel por gás natural e biometano”, disse.
Uma das vantagens do biometano, segundo a executiva, é a total compatibilidade tecnológica com o gás natural. Como ambos possuem a mesma composição molecular, não há necessidade de adaptações em caminhões ou equipamentos.
“É exatamente a mesma molécula. Quem compra um caminhão a gás natural está comprando um caminhão apto a operar com biometano. Não precisa fazer nenhuma alteração tecnológica”, afirmou.
Apesar do otimismo, Cristiane ressalta que a consolidação desse mercado ainda depende de avanços regulatórios e da construção de um ambiente econômico que torne a comercialização viável. “Eu quero fazer isso acontecer, mas preciso saber como fazer. Hoje nossa discussão com o Ministério de Minas e Energia, a ANP, a Associação Brasileira do Biogás e os reguladores é justamente construir as condições para viabilizar esse mercado”, concluiu.



