Na reta final da pesca, comércio de MS ainda espera fisgar mais clientes
Lojistas relatam vendas abaixo do previsto e apostam na proximidade da piracema para melhorar o movimento
A poucos dias do início da piracema, o período reprodutivo de peixes no qual a pesca fica proibida, lojas de artigos de pesca de Campo Grande ainda esperam pelo movimento de última hora para recuperar parte das vendas perdidas ao longo do ano.
RESUMO
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Às vésperas da piracema, lojas de pesca de Campo Grande esperam uma alta nas vendas antes da proibição, atribuída por comerciantes à chuva, às eleições e à falta de dinheiro. Um estabelecimento estima queda de 30% em relação ao ano passado. O defeso começa em 1º de novembro no Rio Paraná e em 5 de novembro nos demais rios do Estado, seguindo até 28 de fevereiro de 2027. A pesca amadora exige autorização do Imasul e tem limites para captura e transporte de pescado.
Isso porque comerciantes apontam chuva, eleições e até a falta de dinheiro para bancar o hobby como motivos para a procura mais fraca. Em um dos estabelecimentos, a queda chegou a 30% em relação ao ano passado.
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A expectativa agora é de que os pescadores aproveitem os últimos dias de captura permitida para ir aos rios. O período de defeso começa em 1º de novembro no Rio Paraná e em 5 de novembro nos demais rios de Mato Grosso do Sul. Até lá, lojistas apostam numa reação das vendas, embora nem todos atribuam o desempenho ruim ao calendário eleitoral.
Renan Benites, proprietário da loja Náuticos Pesca, já contava com uma baixa durante as eleições, mas achou que os muitos feriados prolongados deste ano compensariam as perdas.
"Tivemos que correr mais atrás do cliente porque foi um ano um pouco diferente dos outros. O clima não ajudou este ano: esfriou um pouco, choveu um pouco mais, isso atrapalha o nosso mercado. No último mês, a gente esperava vendas mais expressivas, mas com a política, muita gente deixa de ir para o rio para votar ou porque trabalha nessa área”, detalhou.
Esta semana, o movimento segue “quieto”, segundo o comerciante. “Acreditamos que vai ter fluxo maior de pessoas indo para o rio só na semana que vem, a poucos dias da piracema”, finaliza.
Hobby ficou de lado - Proprietário da loja Isca do Pescador, Renan dos Santos estima uma queda de 30% nas vendas em relação ao período de pesca liberada do ano passado. Ele suspeita que falte dinheiro para os pescadores amadores se dedicarem ao hobby.
“Como é um hobby, as pessoas pagam as contas e às vezes não sobra para investir na pescaria”, afirma. Em contrapartida, a loja apostou em expor artigos de pesca e alevinos entre as mercadorias. Antes, ela dependia apenas da venda de iscas.
O avô de Renan abriu a Isca do Pescador há 20 anos. Com base no histórico da loja, o atual proprietário aposta numa pré-piracema com bastante procura.
Ano político não é tão ruim - Dona da Águamato Pesca e Aventura, Ana Paula Barros não vê o ano eleitoral como barreira para as vendas, embora admita que elas caem um pouco.
A comerciante observa que as contratações dos candidatos e partidos também injetam dinheiro na economia, o que favorece a loja e equilibra as perdas típicas durante as eleições. "É nítido que nos três meses de eleições existe um aquecimento pequeno em relação às vendas. Faz parte do processo", diz.
No ramo há 35 anos, a loja de pesca se diversificou e começou a vender produtos para trilhas, acampamentos e para uso de profissionais das forças de segurança. Ana Paula acredita que esse investimento contribui para não sentir tanto a oscilação das vendas.
O que pode e o que não pode - Quem pretende aproveitar os últimos dias de pesca liberada em Mato Grosso do Sul precisa ficar atento às regras ambientais. A pesca amadora exige autorização do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), e o transporte de pescado é limitado a um exemplar de espécie nativa, respeitados os tamanhos permitidos, além de até 5 piranhas. Também é permitido consumir pescado no local da captura, conforme as regras estaduais.
Durante a piracema, a pesca fica proibida para proteger a reprodução dos peixes, com exceções previstas na legislação, como a pesca de subsistência e a científica autorizada. O defeso segue até 28 de fevereiro de 2027. Quem desrespeitar as restrições está sujeito a multas e outras penalidades ambientais.
A pesca do dourado continua proibida em Mato Grosso do Sul até 31 de março de 2027, com exceções específicas previstas em lei. Na sexta-feira (23), o Imasul autorizou a captura da espécie exclusivamente para pesquisas científicas, medida que não altera a proibição para os pescadores em geral.
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