Rota Bioceânica já responde por 29% do comércio exterior de Campo Grande
Capital movimentou US$ 268,3 milhões com Argentina, Bolívia, Chile e Paraguai entre janeiro e agosto
A integração de Campo Grande com os países ligados à Rota Bioceânica já representa uma parcela significativa do comércio exterior da Capital. Entre janeiro e agosto de 2026, as operações com Argentina, Bolívia, Chile e Paraguai movimentaram US$ 268,304 milhões, o equivalente a 29,09% de toda a corrente de comércio exterior do município no período, que chegou a US$ 922,285 milhões.
RESUMO
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Os dados constam na edição de setembro do Boletim Econômico de Campo Grande, elaborado pela Semades (Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana, Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável) com base em informações do ComexStat, do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. O levantamento mostra que a relação comercial com os quatro países já tem peso relevante na economia da Capital, principalmente pela entrada de combustíveis e pela saída de produtos da indústria de alimentos.
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O comércio com os países da RILA (Rota de Integração Latino-Americana) ocorre em um momento de forte expansão da inserção internacional de Campo Grande. No acumulado de janeiro a agosto, as exportações municipais alcançaram US$ 631,272 milhões, alta de 35,66% em relação aos US$ 465,343 milhões registrados no mesmo período de 2025.
As importações também cresceram de forma expressiva e somaram US$ 291,013 milhões, avanço de 96,95% na comparação com os oito primeiros meses do ano passado. Com isso, a corrente de comércio chegou a US$ 922,285 milhões e o município registrou superávit de US$ 340,259 milhões. Segundo o boletim, tanto as exportações quanto o saldo comercial representam recordes históricos para o período da série acompanhada pelo governo federal desde 1997.
Dentro desse cenário, os quatro países da Rota Bioceânica respondem por quase três de cada dez dólares movimentados pelo comércio exterior de Campo Grande. O peso do bloco, porém, é formado principalmente pelas importações, especialmente de produtos energéticos provenientes da Bolívia.
Entre janeiro e agosto, Campo Grande importou US$ 172,781 milhões em combustíveis minerais, óleos minerais e produtos de sua destilação vindos da Bolívia. A Argentina aparece também nessa pauta, com US$ 9,492 milhões em produtos do mesmo grupo.
A Bolívia ainda foi responsável por US$ 10,406 milhões em adubos e fertilizantes importados pela Capital. Já a Argentina forneceu US$ 1,642 milhão em plásticos e suas obras e US$ 1,354 milhão em frutas.
No sentido contrário, o Chile se consolidou como o principal destino das exportações de Campo Grande entre os países da RILA. Foram US$ 46,971 milhões em vendas de carnes e miudezas comestíveis nos oito primeiros meses do ano.
O Paraguai aparece na sequência entre os mercados da rota, com US$ 3,917 milhões em preparações à base de cereais, farinhas e amidos, além de US$ 2,557 milhões em resíduos e desperdícios das indústrias alimentares e alimentos preparados para animais. Para a Bolívia, Campo Grande exportou US$ 2,472 milhões em produtos de ferro fundido, ferro e aço.
O desempenho mostra que, embora o fluxo com os países da rota seja fortemente influenciado pela entrada de combustíveis, a integração também abre espaço para a produção local alcançar mercados consumidores sul-americanos.
A carne bovina é o principal exemplo. Além de representar o maior produto exportado pela Capital no conjunto dos mercados da RILA, as carnes e miudezas comestíveis seguem como o principal item da pauta exportadora geral do município. Em agosto, foram US$ 37,488 milhões exportados desse grupo, mesmo com queda de 28,44% em relação ao mesmo mês de 2025.
No mês de agosto, especificamente, o intercâmbio de Campo Grande com os quatro países da RILA somou US$ 40,666 milhões, equivalente a 34,51% de todo o fluxo internacional registrado pela Capital naquele mês. As importações da Bolívia foram responsáveis pela maior parcela, com US$ 31,576 milhões, enquanto as exportações destinadas ao conjunto dos quatro parceiros totalizaram US$ 8,215 milhões.
Esse resultado provocou déficit de US$ 24,238 milhões na balança comercial de Campo Grande com o bloco em agosto. O saldo negativo foi fortemente influenciado pelas compras provenientes da Bolívia.
O avanço da relação com os países da Rota ocorre em paralelo à ampliação do comércio exterior da Capital. Em agosto, as exportações municipais chegaram a US$ 69,828 milhões, alta de 0,69% frente aos US$ 69,347 milhões registrados no mesmo mês de 2025. Já as importações saltaram 131,94%, de US$ 18,196 milhões para US$ 42,204 milhões.
A corrente de comércio do mês foi de US$ 112,032 milhões, com superávit de US$ 27,625 milhões. Entre os principais produtos exportados naquele mês estavam carnes e miudezas, resíduos e desperdícios de indústrias alimentares, sementes e frutos oleaginosos, peles e couros e gorduras e óleos animais ou vegetais. Nas importações, os combustíveis minerais lideraram, com US$ 29,214 milhões.
No acumulado do ano, a China permanece como um dos principais destinos das exportações de Campo Grande, enquanto a Bolívia ganhou destaque como principal origem das importações. Em agosto, as compras bolivianas chegaram a US$ 31,576 milhões, aumento de 931,95% em relação aos US$ 3,060 milhões registrados no mesmo mês de 2025.
A composição do comércio exterior ajuda a explicar a importância estratégica da integração regional para a Capital. A Rota Bioceânica conecta mercados sul-americanos e amplia as possibilidades de circulação de mercadorias, ao mesmo tempo em que aproxima empresas e produtores de novos consumidores.
Para a prefeita Adriane Lopes, o aumento das relações comerciais reforça a posição de Campo Grande no processo de integração regional.
“A Rota Bioceânica amplia as possibilidades de conexão de Campo Grande com novos mercados e fortalece nossa posição estratégica no cenário sul-americano. Esse movimento gera oportunidades para o setor produtivo, estimula novos negócios e mostra que estamos preparados para aproveitar as transformações que essa integração traz para a nossa economia”, afirmou.
O boletim aponta que a expansão das trocas internacionais acontece em uma economia municipal que mantém outros indicadores positivos. A Capital registrou 236.926 empregos formais em agosto, com saldo de 3.772 novas vagas no acumulado de janeiro a agosto. Serviços lideraram a geração de postos, com 2.617 vagas, seguidos pela construção civil, com 1.357.
A base empresarial também chegou a 148.531 empresas ativas em setembro, segundo dados da Receita Federal compilados pelo DataSebrae. Desse total, 87.154 estão no setor de serviços, 36.779 no comércio, 12.537 na construção civil e 10.795 na indústria.
Nesse ambiente, a administração municipal avalia que a ampliação dos mercados externos pode representar uma oportunidade de diversificação para empresas e produtores locais.
“A diversificação dos mercados é importante para dar mais segurança ao setor produtivo e ampliar as oportunidades de negócios. A proximidade com os países da Rota Bioceânica cria uma condição favorável para Campo Grande, especialmente para segmentos que já possuem capacidade de produção e podem avançar na busca por novos mercados”, afirmou o secretário Ademar Silva Junior.
A evolução dos números mostra que a Rota Bioceânica já deixou de ser apenas uma perspectiva logística para aparecer de forma concreta nos dados do comércio exterior da Capital. Em oito meses, os quatro países movimentaram US$ 268,3 milhões com Campo Grande, enquanto as exportações municipais atingiram o maior valor da série histórica para o período.
Para Ademar, o desafio agora é transformar a integração regional em novas oportunidades para o setor produtivo.
“Estamos trabalhando para que Campo Grande tenha um ambiente cada vez mais favorável para quem produz, investe e empreende. A integração regional é uma oportunidade que precisa ser acompanhada de perto, com planejamento e desburocratização, para que os benefícios cheguem ao setor produtivo e se transformem em desenvolvimento para a cidade”, completou.


