Soja cresce 36,7% em agosto, enquanto milho perde espaço nas exportações de MS
Estado embarcou 530,5 mil toneladas de soja no mês, mas milho teve queda de 80%
As exportações de soja de Mato Grosso do Sul mantiveram trajetória positiva em agosto de 2026, mesmo com a redução dos embarques em relação ao mês anterior. O Estado exportou 530,5 mil toneladas do grão, volume 36,7% superior ao registrado em agosto de 2025. Em valores, as vendas externas chegaram a US$ 239,1 milhões, alta de 48,9% na comparação anual.
RESUMO
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Mato Grosso do Sul exportou 530,5 mil toneladas de soja em agosto de 2026, alta de 36,7% na comparação anual, gerando US$ 239,1 milhões. A celulose assumiu pela primeira vez a liderança da pauta exportadora. O milho recuou 80% no volume embarcado. O Estado registrou superávit de US$ 801 milhões, com exportações totais de US$ 978 milhões e importações de US$ 176 milhões.
O desempenho ficou acima do registrado pelo mercado brasileiro no mesmo período. Enquanto Mato Grosso do Sul ampliou tanto o volume quanto o valor exportado de soja, o Brasil teve queda de 3,2% no volume embarcado e crescimento de 5% em valores.
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Apesar do resultado anual positivo, os embarques sul-mato-grossenses recuaram 43,1% em relação a julho. Ainda assim, a soja permaneceu como um dos principais produtos da pauta de exportações do Estado e ocupou a segunda colocação no ranking de agosto, atrás da celulose. O boletim da Aprosoja/MS aponta que a celulose assumiu pela primeira vez a liderança, enquanto soja e resíduos ficaram em segundo lugar e a carne bovina apareceu na terceira posição.
A China continua como o principal mercado para a soja produzida em Mato Grosso do Sul, concentrando 81,2% das exportações do produto. Na sequência aparecem Vietnã e Paquistão.
Para o analista de Economia da Aprosoja/MS, Linneu Borges Filho, o resultado mostra a força da soja no comércio exterior estadual, mesmo diante de uma redução no ritmo dos embarques em relação a julho.
“A soja continua apresentando um desempenho bastante relevante nas exportações de Mato Grosso do Sul, com crescimento superior ao observado no cenário nacional”, aponta.
Milho tem forte queda nos embarques - Enquanto a soja avançou na comparação anual, o milho apresentou movimento oposto. Em agosto, Mato Grosso do Sul exportou 100,1 mil toneladas do cereal, contra 498 mil toneladas no mesmo mês de 2025.
A redução também aparece nos valores movimentados. As exportações de milho passaram de US$ 99 milhões em agosto do ano passado para US$ 21,7 milhões neste ano.
O boletim econômico da Aprosoja/MS aponta que o milho atravessa um período de atraso no ciclo de exportação. Ao mesmo tempo, os dados são interpretados dentro de uma mudança na própria dinâmica do cereal no Estado: parte da produção que poderia ser destinada diretamente ao mercado externo passa a ser utilizada como matéria-prima para processos de transformação dentro de Mato Grosso do Sul.
A mudança aproxima a produção agrícola da atividade industrial e pode ampliar a agregação de valor ao milho produzido no Estado.
“Parte da produção que antes poderia seguir diretamente para outros países passa a encontrar demanda em Mato Grosso do Sul, como matéria-prima para processos de transformação. Isso fortalece o mercado interno, movimenta a indústria e agrega valor à produção estadual”, afirma Linneu.
Segundo o analista, o movimento também muda a forma como os números do milho precisam ser interpretados, já que uma redução nas exportações não significa necessariamente uma diminuição da importância do cereal para a economia estadual.
“O milho está deixando de ser visto somente como um produto para exportação e passa a ocupar uma posição importante como insumo para a indústria. É um movimento positivo porque cria novas possibilidades de mercado para o produtor e aproxima a produção agrícola das cadeias de transformação que estão se desenvolvendo no Estado”, destaca.
Celulose assume liderança da pauta - A mudança observada nos grãos ocorre em meio à diversificação das exportações sul-mato-grossenses. Em agosto, a celulose passou pela primeira vez a ocupar a liderança da pauta exportadora estadual, com participação de 32,3% do total.
Soja e resíduos ficaram em segundo lugar, respondendo por 28%, enquanto a carne bovina apareceu na terceira posição, com 15,5%. O açúcar também se destacou, com 4%, e o milho representou 2,2% da pauta.
O boletim da Aprosoja/MS destaca justamente a diversificação do setor industrial do Estado, apontando que produtos processados vêm ganhando espaço entre os principais itens exportados.
A mudança na liderança ocorre mesmo com a soja mantendo crescimento expressivo nas vendas externas em relação a agosto de 2025. O cenário mostra que a força do comércio exterior de Mato Grosso do Sul não está concentrada em apenas uma cadeia produtiva, com produtos agrícolas e industriais ocupando posições de destaque.
Estado mantém superávit de US$ 801 milhões - O desempenho das exportações também garantiu a manutenção do saldo positivo da balança comercial de Mato Grosso do Sul. Em agosto, o Estado exportou US$ 978 milhões e importou US$ 176 milhões, resultando em superávit de US$ 801 milhões.
O boletim da Aprosoja/MS destaca que as exportações foram mais de cinco vezes superiores às importações no mês.
Nas importações, o gás natural permaneceu na liderança, seguido pelo cobre e pelos equipamentos industriais. A ureia apareceu na quarta colocação, representando 3,2% das compras externas, enquanto o hidróxido de sódio completou os cinco principais produtos importados.
A presença da ureia entre os principais itens importados é apontada no boletim como um indicativo da busca por insumos necessários para atender à demanda da produção agrícola estadual. A análise econômica da Aprosoja/MS também destaca que o gás natural respondeu por 35% das importações de Mato Grosso do Sul em agosto.
Assim, os números de agosto mostram um cenário de contrastes no comércio exterior sul-mato-grossense. A soja manteve crescimento expressivo nas exportações na comparação anual, enquanto o milho apresentou forte redução nos embarques externos, em um momento de maior direcionamento do cereal para a indústria dentro do próprio Estado. Ao mesmo tempo, a celulose assumiu a liderança da pauta e ajudou a reforçar a diversificação das exportações.
Com US$ 978 milhões em vendas externas e US$ 176 milhões em importações, Mato Grosso do Sul encerrou agosto com superávit de US$ 801 milhões, mantendo o comércio exterior estadual em terreno positivo.


