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Educação e Tecnologia

IA chega à escola e traz um desafio: ajudar o aluno sem pensar por ele

Como preservar o pensamento crítico e proteger os estudantes será tema do Fórum MS de IA Segura, em novembro

Por José Cândido | 19/10/2026 16:50
IA chega à escola e traz um desafio: ajudar o aluno sem pensar por ele
Alcir Abuchaim e Paulo César discutem o uso da inteligência artificial nas escolas, com proteção dos dados dos estudantes e supervisão dos professores. (Foto divulgação)

Uma ferramenta capaz de entregar respostas em segundos coloca a escola diante de uma pergunta que exige mais tempo para ser resolvida: como usar a inteligência artificial para ensinar sem deixar que ela faça pelo aluno o esforço de aprender? Em Mato Grosso do Sul, a discussão envolve também o acesso de empresas às informações dos estudantes, a preparação dos professores e o risco de ampliar desigualdades digitais.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

O superintendente de Informação e Tecnologia da Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul, Paulo César, defende que a inteligência artificial seja usada nas escolas para ajudar os alunos a aprender, e não para pensar por eles. Ele destacou a necessidade de proteger dados sensíveis dos estudantes, preparar professores e gestores e evitar que a desigualdade de acesso digital se amplie. O tema será debatido no 1º Fórum MS de IA Segura, em 25 de novembro, em Campo Grande.

O alerta foi feito pelo professor Paulo Cezar Rodrigues dos Santos, superintendente de Informação e Tecnologia da Secretaria de Estado de Educação (SED), em entrevista ao podcast da i4t, conduzida pelo especialista em inteligência artificial Alcir Abuchaim. Na avaliação do gestor, incorporar a tecnologia à rotina escolar exige planejamento pedagógico e profissionais preparados para orientar seu uso e avaliar as respostas produzidas.

“O professor não é aquele que somente ensina, é aquele que desenvolve o pensamento crítico e a sociabilidade dentro da sala de aula. Nós não queremos uma escola que peça para a IA pensar pelos nossos alunos. Queremos uma escola que use a inteligência artificial para que eles aprendam a aprender”, afirmou.

A distinção tem consequências para o ensino. Obter uma resposta pronta é diferente de compreender um problema, confrontar informações e construir um raciocínio. Por isso, segundo Paulo César, o papel do professor permanece central: cabe ao educador direcionar o uso da ferramenta e verificar se ela contribui para a aprendizagem.

Há, porém, uma preocupação que começa antes de a tecnologia chegar à sala de aula: quais informações uma solução precisa acessar para funcionar e o que acontece com esses dados depois.

Segundo o superintendente, a oferta de ferramentas cresce rapidamente, mas nem todos os desenvolvedores demonstram conhecer os cuidados necessários para lidar com informações de crianças e adolescentes.

“Chega uma solução querendo acesso à nossa base de dados, que contém informações sensíveis dos alunos. A primeira pergunta que faço é se o sistema promove a anonimização desses dados. Não podemos utilizar ferramentas sem conhecer os riscos e sem estabelecer protocolos de proteção”, relatou.

A preocupação coloca a contratação de tecnologia diante de exigências que vão além das funcionalidades anunciadas. É preciso esclarecer quais dados serão utilizados, quem poderá acessá-los e quais limites serão impostos ao sistema, destacou Alcir Abuchaim, fundador da i4t.

“Não basta desenvolver uma ferramenta de inteligência artificial e colocá-la dentro de uma escola. É preciso saber quais dados serão utilizados, quem terá acesso a essas informações e quais são os limites de atuação da tecnologia. Segurança, protocolos, processos e supervisão humana precisam fazer parte da estrutura desde o início”, afirmou.

Para o especialista, as decisões devem permanecer sob responsabilidade das pessoas, com validação do conteúdo produzido por profissionais qualificados. Isso exige definir responsáveis e procedimentos para acompanhar o funcionamento das ferramentas.

Outro desafio é impedir que a inovação aprofunde diferenças entre os estudantes. Paulo César chamou a atenção para as condições desiguais de acesso à internet e aos equipamentos digitais. Uma política de uso da IA na educação, em sua avaliação, precisa combinar segurança e inclusão para que as oportunidades não fiquem restritas a quem já dispõe de mais recursos.

A preparação dos gestores é uma das frentes em andamento na rede estadual. Segundo a SED, a secretaria desenvolve, em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), uma formação sobre inteligência artificial na gestão pública, voltada a diretores escolares e servidores do órgão central. A proposta é orientar sobre possibilidades e limites da tecnologia, especialmente no tratamento de informações institucionais e de dados dos alunos.

O debate também fará parte do 1º Fórum MS de IA Segura, previsto para 25 de novembro, em Campo Grande, com realização do Campo Grande News e da i4t. O encontro reunirá especialistas e representantes de diferentes setores para discutir segurança, soberania de dados, regras de uso e responsabilidade humana.

Convidado como palestrante, Paulo César defendeu a participação da sociedade na definição dos caminhos para a tecnologia. “Precisamos pensar onde queremos chegar com a inteligência artificial e como utilizá-la para o bem da sociedade”, afirmou.

Na educação, essa escolha passa por um critério essencial: a capacidade de uma ferramenta produzir respostas precisa resultar em mais capacidade de o estudante compreender, questionar e aprender.

As inscrições para o fórum estão disponíveis em www.msiasegura.org.