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Editorial

A Inteligência Artificial já entrou em nossas vidas. A segurança ficou na porta

Fórum na Capital vai discutir os riscos de uma tecnologia que avança mais rápido que as regras de segurança

Por José Cândido | 05/10/2026 05:03
A Inteligência Artificial já entrou em nossas vidas. A segurança ficou na porta
Encontro em 25 de novembro, na Fiems, levará a empresários e gestores públicos o debate sobre segurança e responsabilidade. (IA)

O temor de armas biológicas e de catástrofes exige atenção. Mas o risco mais próximo está nos dados que pessoas, empresas e governos entregam à tecnologia sem saber quem terá acesso a eles.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

O uso de inteligência artificial levanta alertas sobre privacidade e segurança de dados. Prontuários, documentos e informações pessoais podem circular por ferramentas adotadas sem avaliação adequada. No Brasil, a LGPD exige medidas técnicas contra acessos indevidos. O 1º Fórum MS de IA Segura, em Campo Grande, no dia 25 de novembro, na Fiems, debaterá o tema com empresários e gestores públicos.

Uma pessoa pede à inteligência artificial que explique um exame médico. Um funcionário envia a planilha de clientes para preparar uma apresentação. Uma escola usa a ferramenta para organizar informações de alunos. Em segundos, recebem uma resposta. A pergunta que costuma ficar para depois é outra: o que aconteceu com os dados enviados?

A inteligência artificial avança porque é útil. Resume documentos, ajuda a pesquisar, traduz, programa e economiza horas de trabalho. O problema começa quando a facilidade de uso é confundida com segurança. Nem toda ferramenta tem as mesmas regras de armazenamento, acesso e uso das informações. Mesmo onde há proteção contratual, uma empresa precisa saber quem pode inserir dados, quais dados são necessários e para que a ferramenta será usada.

Os alertas mais extremos também merecem ser levados a sério. O Relatório Internacional sobre Segurança da IA de 2026 registra a preocupação de que sistemas avançados possam auxiliar no desenvolvimento de armas biológicas. Segundo o documento, empresas reforçaram a proteção de modelos lançados em 2025 porque testes não conseguiram descartar esse risco. Isso não significa que uma catástrofe esteja prestes a acontecer. Significa que há incertezas graves demais para serem tratadas apenas depois de um desastre. O mesmo relatório afirma que os sistemas atuais ainda não têm capacidade para provocar os cenários de perda total de controle discutidos por pesquisadores.

Enquanto o mundo debate a possibilidade de um dano à humanidade, um problema concreto já está sobre a mesa. Prontuários, documentos, conversas privadas, dados bancários e informações de crianças podem circular por ferramentas adotadas sem avaliação. O risco não depende só de uma invasão: começa também quando alguém compartilha mais do que deveria com um serviço que mal conhece.

Há ainda o outro lado da segurança. Segundo o relatório internacional, criminosos e grupos ligados a governos já usam IA em operações cibernéticas, embora ainda não seja possível medir com segurança quanto a tecnologia aumentou a escala desses ataques. A conclusão exige cuidado, mas não permite indiferença.

No Brasil, a proteção dos dados pessoais não é uma gentileza das empresas. A Lei Geral de Proteção de Dados exige medidas técnicas e administrativas contra acessos indevidos e uso inadequado das informações. A obrigação vale desde a criação do serviço. Por isso, adotar IA no atendimento de um hospital, na rotina de uma escola, em uma redação ou em uma repartição pública exige mais do que abrir uma conta e distribuir senhas.

É preciso definir quais informações podem ser enviadas, limitar o acesso, avaliar o fornecedor, treinar equipes e manter supervisão humana sobre decisões que afetam pessoas. Quem administra dados de terceiros deve conseguir explicar o que a ferramenta faz com eles. Se não consegue, ainda não conhece suficientemente o risco que assumiu.

Essa discussão terá espaço em Campo Grande no dia 25 de novembro, no auditório da Fiems, durante o 1º Fórum MS de IA Segura. O encontro é voltado a empresários, diretores, gestores públicos e lideranças institucionais que precisam compreender, orientar e decidir sobre o uso da inteligência artificial em suas organizações. É uma conversa necessária para quem já colocou a tecnologia na rotina de trabalho ou está prestes a fazê-lo: quais ganhos ela oferece, quais dados estão sendo expostos e quem responde pelas escolhas feitas em seu nome?

O debate sobre a extinção da humanidade pode parecer distante para quem usa IA apenas para escrever um e-mail. A proteção dos dados, porém, começa nesse gesto cotidiano. A tecnologia oferece benefícios reais. Aproveitá-los com responsabilidade exige uma pergunta simples antes de cada envio: essa informação precisa mesmo sair daqui?