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Educação e Tecnologia

Levantamento mostra que 41,1 mil alunos sofrem para aprender a distância

Além de diretrizes de biossegurança, Educação também terá ações para recuperação pedagógica na volta às aulas presenciais

Por Lucia Morel | 01/06/2020 14:41
Professora da Rede Estadual dá aulas à distância pela plataforma Google Classroom. (Foto: Lucia Morel)
Professora da Rede Estadual dá aulas à distância pela plataforma Google Classroom. (Foto: Lucia Morel)

Diante da pandemia do novo coronavírus e das mudanças que ele obrigou a sociedade a tomar, as aulas na REE (Rede Estadual de Ensino) têm sido pela internet, para aqueles alunos que têm acesso, através da TV ou com entrega de material impresso nas escolas, com atividades.

Essa mudança radical no ritmo de ensino pegou a todos de surpresa e como não poderia deixar de ser, culmina num desequilíbrio que atinge muitos estudantes que não conseguem acompanhar o conteúdo e ter um aprendizado eficaz.

Muitos alunos acompanham as aulas pelo próprio celular. (Foto: Reprodução)
Muitos alunos acompanham as aulas pelo próprio celular. (Foto: Reprodução)

Com isso, além de normas de segurança sanitárias nas escolas, cartilha que está sendo preparada pela SED (Secretaria de Estado de Educação) para orientar o futuro retorno às aulas presenciais, prevê também diretrizes para acompanhar os estudantes mais prejudicados e que enfrentam maior dificuldade.

A secretaria fez análise nas 345 escolas estaduais que estão com as aulas paralisadas e constatou que dos 210 mil alunos da rede, 98%, ou seja, 205,8 mil estão tendo acesso às ferramentas de ensino neste momento de pandemia. O restante, 4,2 mil, por algum motivo, se desconectaram do ambiente escolar e por consequência, do aprendizado. A SED informou que as escolas estão indo atrás desses.

O levantamento identificou ainda que entre os 205,8 mil alcançados, 80% deles, o mesmo que 164.640, atendem às atividades de maneira satisfatória, com desempenho adequado diante do que é passado. Já os demais 20%, o que corresponde a 41.160, não mostram bastante dificuldade de aprendizado.

Segundo o superintendente de políticas educacionais da Secretaria de Estado de Educação, Hélio Daher, com esse quadro, o protocolo pedagógico de retorno às aulas presenciais vai focar justamente nesses 20% que apresentam defasagem.

Assim que o ensino começar a viver seu “novo normal” nas salas, serão aplicadas avaliações de diagnóstico aos estudantes.

“No retorno, os estudantes serão avaliados por todo esse processo que estão passando e também em relação ao que aprenderam, focando em quem teve mais dificuldade”, disse.

A ideia é tentar recuperar o prejuízo, mesmo sustentando que “o que estamos fazendo, através de todas as ferramentas, é minimizar o dano”, que é sentido tanto pelos alunos que apresentam desempenho mais eficaz, quanto pelos que não.


Realidade atual é de corredores e salas vazias. (Foto: Divulgação SED)
Realidade atual é de corredores e salas vazias. (Foto: Divulgação SED)

Daher ainda explica ainda que diante desse quadro, está sendo feita uma busca ativa dos 2% de alunos que simplesmente “desapareceram” e não dão nenhum sinal de que estão acompanhando as atividades à distância.

“Provavelmente esses alunos abandonaram a escola ou desistiram de estudar porque caiu a renda da família durante a pandemia e precisaram começar a trabalhar, ou por outros motivos. Mas temos que ir atrás deles”, sustenta o superintendente.

Enquanto isso, as escolas trabalham sem notas, com avaliações de conhecimento que determinam o aprendizado, mas não qualificam esse estudante.

Sobre reprovações, Daher explica que muitas escolas optaram por não lançarem nota, mas recuperá-las num eventual retorno, mesmo sem saber quando isso irá ocorrer. A nota será aplicada então, apenas na volta, em uma posterior recuperação.