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Esportes

Com desconto de só 0,3%, empresa de MG vence disputa para ressuscitar Morenão

Proposta de R$ 17,82 milhões ficou R$ 53,7 mil abaixo dos R$ 17,87 milhões previstos pelo Governo de MS

Por Jhefferson Gamarra | 05/10/2026 19:02
Com desconto de só 0,3%, empresa de MG vence disputa para ressuscitar Morenão
Fechado há 4 anos, estádio se deteriora com o passar do tempo (Foto: Sofia Lupaes)

O Morenão está mais perto de voltar a receber futebol. A empresa mineira Alcance Engenharia e Construção venceu nesta segunda-feira (5) a disputa pela reforma do estádio, com proposta de R$ 17,821 milhões, desconto de R$ 53,7 mil sobre o valor estimado pelo Governo de Mato Grosso do Sul.

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A empresa mineira Alcance Engenharia e Construção venceu a disputa pela reforma do Morenão, em Campo Grande, com proposta de R$ 17,821 milhões, valor R$ 53,7 mil abaixo da estimativa do Governo de Mato Grosso do Sul. A empresa ainda deve entregar a proposta readequada até as 14h desta terça-feira (6). As obras devem durar 180 dias, e o Estado prevê a reabertura do estádio na abertura do Campeonato Sul-Mato-Grossense de 2027, em janeiro.

A empresa, sediada em Teófilo Otoni, em Minas Gerais, superou a Engetal Engenharia e Construções, que terminou a disputa com proposta de R$ 17.839.125,00. A diferença entre as duas ofertas foi de R$ 17.875.

Apesar de ter terminado na primeira colocação, a Alcance ainda precisa cumprir uma etapa antes da conclusão da licitação. A empresa deverá apresentar uma proposta readequada ao valor final do lance, com as planilhas detalhadas dos serviços e custos. O prazo termina nesta terça-feira (6), às 14h, quando a Agesul retoma a sessão eletrônica.

O valor apresentado pela vencedora ficou R$ 53.695,95 abaixo do orçamento estimado pelo Governo de Mato Grosso do Sul, de R$ 17.874.945,95. A redução, portanto, foi de aproximadamente 0,3% em relação ao valor previsto para a contratação.

A licitação começou com cinco empresas relacionadas ao processo, mas três foram inabilitadas por não terem apresentado os documentos obrigatórios e as propostas iniciais dentro do prazo estabelecido no edital. Foram eliminadas CR Arquitetura e Construção, Sustentare Empreendimentos e Engelec Engenharia Elétrica e Civil.

Alcance e Engetal foram as duas empresas que avançaram para a fase de habilitação. Durante a análise documental, ambas precisaram corrigir pendências apontadas pela Agesul. A Alcance, por exemplo, apresentou inicialmente uma certidão de falência vencida e um termo de compromisso sem a assinatura dos responsáveis técnicos indicados. Os documentos foram posteriormente substituídos.

A Engetal também precisou complementar a documentação relacionada à certidão da Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo e corrigir a inclusão da garantia da proposta no sistema. Após as diligências, as duas empresas foram habilitadas pela Agesul no dia 2 de outubro.

Nenhuma das concorrentes manifestou interesse em apresentar recurso contra a habilitação. Com isso, a fase foi encerrada e a disputa de preços começou na tarde desta segunda-feira. As duas empresas partiram inicialmente do mesmo valor de R$ 17.874.945,95, exatamente o orçamento estimado pelo Estado.

Na sequência dos lances, a Alcance reduziu a proposta para R$ 17.821.250,00, enquanto a Engetal chegou a R$ 17.839.125,00. Com o menor preço, a empresa mineira terminou a disputa na primeira colocação.

Com desconto de só 0,3%, empresa de MG vence disputa para ressuscitar Morenão
Maquinário trabalhando na remoção do gramado que será substituido (Foto: Sofia Lupaes)

Reforma para tirar estádio do abandono - A contratação é a principal etapa da segunda frente de obras para tentar tirar o Morenão de anos de abandono e devolvê-lo ao calendário esportivo de Campo Grande. A licitação aberta pelo Governo do Estado prevê uma série de intervenções para adequar o estádio às condições atuais de uso.

Entre os serviços previstos estão novas rampas de acesso às arquibancadas, instalação e recuperação de guarda-corpos e corrimãos, substituição de portas por modelos corta-fogo com barras antipânico, construção de uma nova subestação elétrica, implantação de casa de bombas e adequações nos sistemas de combate a incêndio e segurança.

O projeto também contempla intervenções em estruturas metálicas, instalações elétricas, sistemas de proteção contra descargas atmosféricas, pintura e outras adequações necessárias para a requalificação funcional do estádio. O prazo previsto para execução dos serviços é de 180 dias consecutivos após a ordem de início.

Como o Morenão foi construído na década de 1970, o levantamento técnico encontrou limitações para uma inspeção completa de todas as estruturas e instalações. Parte dos projetos foi elaborada a partir de levantamentos realizados nos pontos acessíveis e de documentos anteriores fornecidos pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). Por isso, eventuais divergências encontradas durante a execução precisarão ser avaliadas pela Agesul.

A reforma estrutural ocorre paralelamente à recuperação do gramado. O campo antigo já foi retirado e o sistema de irrigação foi concluído, em uma intervenção feita em parceria com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), com investimento estimado em R$ 1,8 milhão. Cerca de 60 caminhões de terra e grama foram retirados durante essa etapa.

A expectativa apresentada pelo Governo é que o estádio esteja novamente apto a receber partidas na abertura do Campeonato Sul-Mato-Grossense da Série A de 2027, prevista para janeiro. O retorno, porém, depende da conclusão das diferentes etapas de reforma e das condições necessárias para a liberação do estádio.

Próximo passo é nesta terça-feira - A vitória da Alcance na disputa de preços ainda não encerra o processo. A empresa terá até as 14h desta terça-feira para apresentar a proposta readequada ao valor de R$ 17.821.250,00.

A própria ata da Agesul estabelece que, caso a proposta não seja apresentada no prazo, o lance vencedor poderá ser desclassificado. A sessão foi suspensa justamente para essa etapa e tem retorno marcado para as 14h de terça-feira.

Se a documentação for aceita e as demais etapas forem concluídas, a empresa poderá avançar para a contratação e execução dos serviços que representam a tentativa mais concreta de colocar novamente o Morenão em condições de receber grandes partidas.

O estádio, que já foi palco de jogos históricos e chegou a receber grandes públicos, passou anos fechado e deteriorado. Agora, com o gramado em recuperação e a contratação da obra estrutural em fase final, o antigo principal palco do futebol de Mato Grosso do Sul começa a ganhar um caminho para voltar a funcionar.