Fizemos a trend: veja como era a Campo Grande dos anos 80
Dos Menudos, Picarelli, ET do Morenão e ruas de terra, saiba de que forma a Capital vivia há 4 décadas

Nos últimos dias, a trend “Como eu seria nos anos 80?” virou febre nas redes sociais, transformando fotos atuais em retratos que voltam quatro décadas ao passado. A IA (Inteligência Artificial) preserva os principais traços do rosto e muda cabelo, roupa, iluminação, cenário e acabamento para criar uma versão de como tudo era naquela época.
Mas trazendo a brincadeira para o contexto da cidade,
Como era Campo Grande na década de 1980?
Nos anos 80, Campo Grande recebeu o grupo Menudo no Guanandizão, viu o caso do “disco voador” no Morenão, o fenômeno de Maurício Picarelli na TV e tinha boates cheias, matinês, carnaval de salão e uma cidade que ainda estava crescendo para todos os lados.
Em 1980, Campo Grande tinha 291.777 habitantes. Onze anos depois, já eram 526.126 e praticamente ganhou outra cidade dentro dela durante aquele período.
O Lado B elencou 10 coisas que ajudam a entender essa versão oitentista da Cidade Morena:
- Grupo Menudo fez o Guanandizão ferver

Em 1985, a histeria adolescente dos Menudos chegou a Campo Grande, que recebeu seu primeiro show internacional. O grupo porto-riquenho se apresentou no Guanandizão e mobilizou fãs desde a chegada ao aeroporto.
A banda, que era uma das maiores febres pop da América Latina, levou milhares de pessoas ao ginásio. O show é lembrado até hoje como um dos grandes acontecimentos musicais internacionais da década na cidade.
2. Picarelli era líder de audiência na televisão

Se a inteligência artificial fosse recriar uma sala de estar campo-grandense dos anos 80, provavelmente teria uma televisão ligada e Maurício Picarelli aparecendo na tela.
Picarelli chegou a Mato Grosso do Sul em 1982 e, pouco depois, assumiu o “O Povo na TV”, programa popular que marcou a televisão local.
A atração ganhou enorme popularidade e se tornou uma das marcas da televisão popular de Campo Grande, com audiência consolidada desde os anos 1980.
3. O dia em que um “ET” apareceu no Morenão
Mais de 24 mil pessoas em um estádio de futebol e, no meio da partida, uma luz estranha cruzou o céu. Foi isso que aconteceu em 1982, durante o jogo entre Operário-MS e Vasco, no Morenão, no episódio que ficou conhecido como o “disco voador do Morenão” e entrou para o imaginário da cidade.
O objeto foi visto por milhares de torcedores e até pelo árbitro da partida. Décadas depois, o caso continuou sendo estudado e virou tema de documentário e pesquisa acadêmica sobre ufologia, memória coletiva e identidade campo-grandense.
4. Parque das Nações Indígenas? Ainda não existia
Hoje é difícil imaginar a região da Afonso Pena sem o Parque das Nações Indígenas. Mas quem viveu os anos 80 conheceu outra paisagem.
A área que hoje abriga o parque ainda era formada por chácaras e terrenos. O processo de urbanização daquela região avançou durante a década, mas a criação oficial do Parque das Nações Indígenas só veio em 1993, por decreto estadual.
Ou seja, aquela enorme área verde que hoje é cenário de caminhada, corrida, shows, passeios e encontros não fazia parte da rotina da Capital.
5. Shopping Campo Grande chegou no apagar das luzes da década

O shopping que hoje parece fazer parte da paisagem de Campo Grande é, na verdade, um recém-chegado quando se olha para a história da cidade.
O Shopping Campo Grande foi inaugurado em outubro de 1989, no último ano da década. Foi o primeiro shopping center de Mato Grosso do Sul e surgiu em uma área da Avenida Afonso Pena que ainda tinha grandes espaços sem construções ao redor.
Era o começo de uma transformação no jeito de comprar, passear e se encontrar na cidade.
6. Parque dos Poderes sem a “muvuca” das corridas
Hoje basta chegar ao Parque dos Poderes em determinados horários para encontrar gente caminhando, correndo, pedalando e fazendo exercícios. Nos anos 80, essa cena ainda não existia como conhecemos.
O Parque dos Poderes estava nascendo. As primeiras estruturas foram concluídas no início da década, e outras construções foram sendo entregues ao longo dos anos seguintes.
O complexo foi pensado principalmente para concentrar os órgãos públicos e dar uma nova configuração administrativa à Capital.
A imagem de centenas de pessoas usando o espaço como grande academia a céu aberto é uma construção de décadas posteriores.
7. A noite era cheia de clubes, matinês e boates
Antes de shopping, aplicativos de namoro e redes sociais, o encontro acontecia na rua, nos clubes e nas pistas de dança. E Campo Grande tinha opções.
O Clube Surian viveu uma fase de ouro nos anos 80 com os famosos “passinhos”, festas que reuniam adolescentes e chegavam a receber cerca de mil pessoas.
O Círculo Militar, o União dos Sargentos e o Rádio Clube também aparecem nas memórias de quem viveu a década como espaços importantes de festas e domingueiras.
E havia a Chatanooga, inaugurada em 1987, que virou uma das boates mais badaladas da cidade, com discos importados, DJs e uma pista que chegou a receber mais de 1 mil pessoas em noites especiais.
O Túnel Club também fazia parte desse circuito e é lembrado como uma das casas que marcaram a noite campo-grandense dos anos 80.
Nas memórias de moradores também aparecem os bailes no Sindicato Rural ao som do Grupo Uirapuru, as matinês, o Carnaval do Rádio Clube e as domingueiras no União dos Sargentos como alguns dos programas que movimentavam a cidade.
E Carnaval não era só desfile. Em 1984, a prefeitura promoveu a chamada Batalha de Confetes, com apresentações em diferentes regiões. A cidade ganhou até o Jacaré Elétrico, um trio que animava micaretas na cidade.
8. Dom Bosco, Americanas e a galera matando aula

Nos anos 80, o Colégio Dom Bosco era o mais badalado da cidade e todo mundo queria ser aluno de lá. Entre os estudantes de lá e de outras escolas espalhadas pela cidade, as Lojas Americanas eram o point para ‘rolês’ de quem matava aula.
A loja chegou a Mato Grosso do Sul ainda nos anos 70 e, na década seguinte, virou ponto de encontro de adolescentes.
9. A cidade também tinha suas gangues

Nem tudo era festa. Os anos 80 também ficaram marcados pela presença de gangues formadas por adolescentes e jovens em diferentes regiões de Campo Grande.
Um exemplo recente resgatado pelo Campo Grande News é o das Gatas Selvagens, grupo feminino que ganhou fama nas Moreninhas quando o bairro ainda começava a se desenvolver.
Relatos de antigos frequentadores do Surian também mencionam adolescentes de 14 e 15 anos que formavam gangues e circulavam pelos bailes.
Era uma juventude que encontrava nos clubes, nas ruas e nos bairros seus próprios códigos de convivência, e também suas disputas.
10. Entre a Ceará e o Parque dos Poderes era tudo vazio

Talvez nenhuma imagem explique melhor a transformação de Campo Grande. Hoje, basta percorrer a Avenida Afonso Pena para encontrar uma das áreas mais valorizadas e movimentadas da cidade. No entanto, nos primeiros anos da década de 1980, a avenida terminava na Avenida Ceará.
O prolongamento da Afonso Pena até o Parque dos Poderes só foi inaugurado em 1983. O Parque dos Poderes também estava em implantação naquele período, enquanto a área ao redor ainda passava por um processo acelerado de urbanização.
Por isso, a lembrança de quem viveu aquela época é de uma cidade em que grandes vazios, terrenos e áreas de terra ainda separavam regiões que hoje parecem completamente integradas.
11. Cine Alambra demolido

Em 1987 foi demolido o cinema construído em 1937 e considerado um marco na Capital. Após a aposentadoria do proprietário, o comerciante Karim Bacha, o espaço deu lugar à construção de um hotel que permanece inacabado até hoje.
O Alambra tinha capacidade para cerca de 1.700 pessoas, com piso de madeira, paredes de granito e poltronas estofadas.
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