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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

22/11/2014 17:00

Judocas cegos dão exemplo de superação, dentro e fora dos tatames

Michel Faustino
Judoca cegos disputam vaga na seleção brasileira paralímpica. (Foto: Alcides Neto)Judoca cegos disputam vaga na seleção brasileira paralímpica. (Foto: Alcides Neto)
Coordenador técnico da seleção brasileira paralímpica destacou importância da competição. (Foto: Alcides Neto)Coordenador técnico da seleção brasileira paralímpica destacou importância da competição. (Foto: Alcides Neto)

Pela 1ª vez, Campo Grande recebeu o GrandPrix Infraero de Judô para cegos. O evento foi realizado neste sábado (22) no ginásio de esportes Moreninho e reuniu cerca de 150 atletas. A Capital sul-mato-grossense é a segunda cidade fora do eixo Rio-São Paulo a abrigar o evento – tendo Natal (RN) sido a primeira, em 2013.

Participaram do evento 23 clubes, de 12 estados. Dentre os cerca de 150 judocas, alguns nomes brilharam, como Lúcia Teixeira, Daniele Bernardes, Michele Ferreira e Victória Silva. Todas são medalhistas Mundiais ou Paraolímpicas.

No tatame, os judocas lutam por pontos para o ranking nacional do Judô Paralímpico e se preparam para os Jogos Paralímpicos do Rio em 2016. O torneio define ainda os atletas que serão convocados para a seleção que disputará, em abril, os Jogos Mundiais da Associação Internacional de Esportes para Cegos, na Turquia.

Segundo o coordenador técnico da seleção brasileira paralímpica, Jaime Roberto Bragança, a competição também é uma espécie de “observatório” para analisar o desempenho dos atletas que irão integrar a seleção.

Jaime destaca que o Estado foi incluído no calendário por ter evoluído rapidamente na preparação e incentivo aos atletas que hoje estão despontando. A exemplo da sul-mato-grossense Michele Ferreira, ouro nos Jogos Parapan-Americanos Guadalajara 2011 e bronze nos Jogos Paralímpicos Londres 2012 e Pequim 2008.

Referencia no esporte, sendo o único atleta a ganhar quatro vezes a medalha de ouro nos Jogos Paralímpicos, o judoca Antônio Tenório, participou da competição e ressaltou a importância da participação de atletas iniciantes. Ténorio foi ouro em Atlanta 1996, Sydney 2000, Atenas 2004 e Pequim 2008.

Quatro vezes campeão paralímpico, Antônio Tenório comentou sobre as dificuldades do esporte. (Foto: Alcides Neto)Quatro vezes campeão paralímpico, Antônio Tenório comentou sobre as dificuldades do esporte. (Foto: Alcides Neto)

“Isso é muito importante para a difusão do esporte. Acredito que vivemos um momento em que o esporte está se afunilando cada vez mais, e é preciso que se tenha essa ampliação e que tenhamos a inserção de mais atletas, e uma forma de se propagar isso é abrir esse tipo de competição que é de mais alto nível para os iniciantes”, disse.

O atleta diz que infelizmente o esporte de alto rendimento acaba sendo “privativo” e muitos judocas acabam desistindo, antes mesmo de despontar.

“Infelizmente o esporte de alto rendimento é muito fechado. E ai a maioria acaba resistindo. É uma questão que vai além da superação por si só”, disse.



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