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Campo Grande, Terça-feira, 18 de Setembro de 2018

22/02/2018 07:23

Vitório largou status de bairro nobre para viver em prédio de 1936 no Centro

Thailla Torres
Vitorio da sacada do apartamento, com vista privilegiada para a 14 de Julho. (Foto: Thailla Torres)Vitorio da sacada do apartamento, com vista privilegiada para a 14 de Julho. (Foto: Thailla Torres)

A esquina das ruas Maracaju e 14 de Julho, no Centro, guarda um pedaço da história de quem escolheu o simples para viver. A relação vem do segundo andar, do apartamento do aposentado Vitório Hideo Aratani, de 63 anos, que largou a vida em um bairro nobre, para se aventurar no edifício construído em 1936, um dos mais antigos da cidade.

São mais de 15 anos vivendo no Centro, perto do barulho, conta Vitório. Ele vendeu uma casa no Carandá Bosque para comprar o imóvel de 450 m², que na época da compra, estava caindo aos pedaços na parte interna.

Prédio foi construído em 1936. (Foto: Marcos Ermínio)Prédio foi construído em 1936. (Foto: Marcos Ermínio)

O motivo, segundo ele, foi parar de sofrer com as contas. "Sempre pensei que queria comprar um imóvel para ter rendimento e não só despesa. Foi quando surgiu essa oportunidade".

Vitório é funcionário público federal aposentado e morava em bairro nobre para ficar próximo ao trabalho. Mas com o tempo, os filhos e a despesa aumentando, foi preciso pensar em uma alternativa. Ao invés de optar por uma casa menor, resolveu dar uma chance ao Centro, que muitas vezes, parece ter parado no tempo.

"Eu conheci esse lugar, gostei do tamanho, da arquitetura antiga. É um prédio daqueles que as paredes são grossas e uma estrutura muito bem feita. Pode passar anos e nada derruba".

Vitório só precisou investir em uma boa reforma. Renovou a pintura, trocou revestimento da cozinha e pisos. O primeiro andar continuou destinado ao aluguel e no segundo, onde ele mora, uniu dois apartamentos para viver com a família. "Quebrei as paredes e virou uma casa só. Queria os meus filhos por perto, mas hoje, só um mora comigo. Os outros estão vivendo no Sul".

Na fachada, até a cor é a mesma, só o cinza que já está meio desbotado porque o aposentado desistiu de disputar com a pichação. "Eu pintei, ficou super bonito e a noite vieram pichar. Eles sobem nos prédios pelos semáforos", conta.

Até portas são originais, um charme desgastado pelo tempo.Até portas são originais, um charme desgastado pelo tempo.

Ele garante que a mudança trouxe mais felicidade do que imaginava. "Achava que era só uma mudança financeira, mas a gente é feliz aqui. Eu tenho tudo na 14 de Julho e no Centro".

A proximidade com o comércio, fez ele diminuir o uso do carro. "Eu alugo uma vaga ao lado, mas dificilmente ando por aí de carro. Tudo que eu faço vou apé".

Com vista privilegiada para as duas ruas, Vitório já conhece a vizinhança mais antiga e pode acompanhar a evolução da cidade, da ponta da sua sacada. "Tem barulho, mas a gente acostuma tanto que a partir das 19h eu tenho o silêncio e no fim de semana é ainda mais tranquilo", disse o aposentado.

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O que incomoda mesmo é a pichação, que destrói o patrimônio com data na fachada: 1936O que incomoda mesmo é a pichação, que destrói o patrimônio com data na fachada: 1936


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