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Artes

Artistas denunciam “show fantasma” com cachê de R$ 15 mil em sarau gratuito

A Fundação de Cultura do Estado disse que houve erro na publicação do Diário Oficial de ontem

Por Paula Maciulevicius Brasil | 20/02/2020 14:17
A nota ainda informa que "não houve a contratação do grupo musical "Os Filhos de Campo Grande".
A nota ainda informa que "não houve a contratação do grupo musical "Os Filhos de Campo Grande".

Uma imagem do Diário Oficial de quarta-feira (19) tem sido compartilhada por artistas de Campo Grande. A publicação aponta o pagamento de R$ 15 mil a uma banda sertaneja para um show que nunca aconteceu. O evento seria no Sarau de Segunda, encontro na Praça dos Imigrantes, feito na base da colaboração. 

Oficialmente, o pagamento foi realizado pela FCMS (Fundação de Cultura do Estado de Mato Grosso do Sul) ao grupo "Filhos de Campo Grande" para uma apresentação de 1h30 no dia 10 de fevereiro, às 20h, dentro do projeto "Ações Culturais Participativas". 

A informação chegou até a organizadora do Sarau, Mara Rojas, com o questionamento se o evento passou a receber artistas sertanejos, pagos. "O Sarau existe desde 2014 e o nosso perfil não é sertanejo, também não temos shows de 1h30 e temos alguns critérios: por ordem de chegada, apresentação de duas músicas, são vários artistas da música, do teatro, da dança", rebate Mara. 

Ela e os outros 13 integrantes da direção do Sarau também estranharam a data. A publicação fala sobre show no dia 10 de fevereiro, que nunca aconteceu. "Estão usando o Sarau, nosso endereço e o espaço que a gente usa", diz Mara. 

A publicação do cachê chamou atenção da classe que marcou até reunião para discutir o tal "show fantasma", na palavra dos artistas. Conselheira do Conselho Estadual de Cultura e artista visual, Márcia Albuquerque, explica que o formato do Sarau não condiz com o pagamento descrito no Diário Oficial. "O Sarau foi constituído por um grupo de amigos que se reuniu para falar poesia, cantar, fazer essa troca cultural. É feito por artistas e pouco tem o investimento do poder público", contextualiza. 

Na data que teria sido o show, Márcia conta que não só esteve presente como declamou uma poesia curta, de 2 minutos, devido ao tempo escasso para apresentações. "Ninguém ganha um centavo ali, cada artista apresenta duas músicas. Eles não estiveram lá. Eu estava do início ao fim", frisa.

A indignação também é cima do valor pago. "Tem tantos artistas que ainda não receberam da Fundação de Cultura, que estão com cachê atrasado desde o ano passado e estão colocando show fantasma? Quantas situações dessas será que não passaram desapercebidas?", questiona. 

A Fundação de Cultura do Estado disse que houve "erro formal na publicação do Diário Oficial de ontem", o qual será corrigido na publicação desta sexta-feira.

A nota ainda informa que "não houve a contratação do grupo musical Os Filhos de Campo Grande, nem emissão de nota e sequer pagamento a eles por show na Praça dos Imigrantes, no dia 10 de fevereiro de 2020".

Em nota divulgada nesta sexta-feira (21), no Facebook, a banda diz que sente muito pelo equívoco sobre informações de contratação do grupo e que infelizmente, antes de serem apurados os fatos "oportunistas nos atacaram em redes sociais". Os Filhos de Campo Grande ressaltam que não realizaram o show nem receberam o cachê e que "apesar de todas as ofensas", vai continuar levantando a bandeira da música sertaneja regional para todo País. 

(Matéria editada dia 21 de fevereiro, às 14h30 para acréscimo do posicionamento oficial da banda Os Filhos de Campo Grande).