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Campo Grande, Domingo, 23 de Setembro de 2018

27/02/2018 07:33

Com oficinas, cinema e cafeteria, prédio de 1922 é reforço na cultura da Capital

Com arquitetura restaurada, prédio histórico da Afonso Pena terá 1.300 m² destinados as artes em Campo Grande

Thailla Torres
Em abril, o local passará a receber atrações culturais que o Sesc traz à Capital. (Foto: André Bittar)Em abril, o local passará a receber atrações culturais que o Sesc traz à Capital. (Foto: André Bittar)

A obra de restauração do  prédio histórico da 30ª Circunscrição do Serviço Militar, na Avenida Afonso Pena, está com dias contados. Em abril, o local passará a receber atrações culturais que o Sesc traz à Capital. Serão 1.300 m² destinados à arte em suas diversas linguagens como dança, música, teatro, cinema e artes plásticas.

Pelos próximos cinco anos, o prédio será administrado pelo Sesc MS que fechou parceria com o CMO (Comando Militar do Oeste) e o 9º Batalhão do Exército em 2016. O novo centro cultural estava previsto para ser inaugurado em 27 de fevereiro, mas a demora com as restaurações adiou o lançamento.

Regina Ferro, diretora do Sesc MS mostrou o espaço que já tem data marcada para inaugurar. (Foto: André Bittar)Regina Ferro, diretora do Sesc MS mostrou o espaço que já tem data marcada para inaugurar. (Foto: André Bittar)

O Lado B visitou o prédio que está quase pronto. Na estrutura em si, nada foi mexido. São ao todo 12 salas que antes comportavam o Museu da Força Expedicionária Brasileira e agora irão receber exposições temporárias, salas de oficina de cerâmica, pintura, desenho, dança e um cine cult com capacidade para 35 pessoas.

"Na parte da frente, para quem entra, ao lado esquerdo, haverá uma biblioteca inclusiva para pessoas com deficiência auditiva, visual e motora para que possam desfrutar de todos os exemplares", explica a diretora regional do Sesc MS, Regina Ferro.

Ainda na parte térrea do prédio haverá uma cafeteria, o cinema e a galeria de arte com pé direito de aproximadamente 5 m de altura que já conta com suportes para iluminação especial.

O destaque da prédio inaugurado em 1922 é a escadaria em madeira com três lances. Na parede frontal uma abertura permite a iluminação natural e no teto há um enorme lustre que também foi restaurado e recuperou o brilho. Para garantir a acessibilidade, ao lado foi instalado um elevador que dá acesso ao piso superior.

(Foto: André Bittar)(Foto: André Bittar)
Escadaria, principal detalhe que chama atenção de quem chega. (Foto: André Bittar)Escadaria, principal detalhe que chama atenção de quem chega. (Foto: André Bittar)

Lá em cima, o público terá a sacada, que na concepção original do prédio, era onde o general falava para as tropas. "Esse acesso continuará disponível para que as pessoas possam vislumbrar a paisagem e a própria avenida", destaca Regina.

Ao lado, uma sala que tem um pé direito de 3,80 m e paredes revestidas de madeira foi totalmente restaurada e haverá uma exposição permanente sobre a história do Comando Militar do Oeste. O local era a sala do comandante e por ela passaram diversos coronéis.

"Às vezes as pessoas questionam o porquê de um espaço militar junto à cultura. Mas isso também faz parte da história, da nossa cultura sul-mato-grossense e não podemos apagar. É importante que as pessoas conheçam e aqui a informação histórica estará sempre disponível".

Ainda no piso superior haverá um laboratório de artes plásticas que ganhou novos ladrilhos hidraúlicos. "Mandamos fazer para compor com o ladrilhos que já existiam na obra original. São peças difíceis de fazer e únicas, mas trazem um detalhe mais especial à sala".

Também está prevista uma sala usada para oficinas e ensaio de dança, outra para teatro e um laboratório de música, com um piano de cauda sempre disponível para ensaios e encontros artísticos de fomento a produção. "A iniciativa é que, além da classe artística, a população sul-mato-grossense e turistas, frequentem e consumam cultura. Que conheçam outras linguagens e tenham conhecimento sobre o mercado cultural daqui".

Lustre original é uma das peças que permanece no prédio.Lustre original é uma das peças que permanece no prédio.
Uma das salas de música, onde haverá um piano de calda disponível para oficinas. (Foto: André Bittar)Uma das salas de música, onde haverá um piano de calda disponível para oficinas. (Foto: André Bittar)

Regina acredita que a transformação do prédio militar em espaço cultural vai fortalecer Campo Grande como um ponto de parada na área do turismo. "Ainda temos muito turistas que só desembarcam na cidade para visitar atrações como Bonito ou Pantanal, mas não ficam em Campo Grande para consumir os atrativos daqui. E a chegada de mais um ponto cultural reforça que a cidade tem muito a oferecer".

Quanto a escolha da nova cor que cobriu o antigo amarelo na fachada, a justificativa é a história. "Foi feito um estudo de camadas onde descobriu-se que as primeiras cores do prédio foram esses tons de cinza que remetem ao militar. Por isso, a cor também representa um resgate".

História - O prédio tombado como Patrimônio Histórico foi inaugurado em 1922 como Quartel General da 9ª RM. No terreno localizado na Afonso Pena entre as ruas 13 de Maio e Rui Barbosa foi projetado pelos engenheiros e arquitetos da Companhia Construtora de Santos um edifício com dois pavimentos, que passou a ser a primeira obra de engenharia e arquitetura da cidade em dois andares conforme.

Dentre as pesquisas do arquitetura e urbanista Ângelo Arruda, o Quartel General, é a primeira obra de engenharia e de arquitetura de Campo Grande, conceito que utiliza profissionais engenheiros e arquitetos no processo.

Construído em um terreno desapropriado pela prefeitura, era uma área de propriedade particular onde, havia uma escola em madeira.

No dia da inauguração, em 9 de setembro de 1922, estavam presentes, além de inúmeras autoridades locais, o ministro da Guerra Pandiá Calógeras e o diretor de engenharia Cândido Rondon.

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Nos fundos, está uma obra de Isaac de Oliveira que colore o espaço aberto que receberá espetáculos. (Foto: André Bittar)Nos fundos, está uma obra de Isaac de Oliveira que colore o espaço aberto que receberá espetáculos. (Foto: André Bittar)


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