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Artes

Depois de rejeitada em prédio, índia vira painel gigante no Centro

Artistas Hyper e Gramaloka são de Belo Horizonte (MG) e pintarão o prédio nos próximos dias

Por Bárbara Cavalcanti | 28/11/2021 08:15
Prédio na Rua 14 de Julho com a 15 de Novembro está sendo pintado pelos artistas mineiros. (Foto: Bárbara Cavalcanti)
Prédio na Rua 14 de Julho com a 15 de Novembro está sendo pintado pelos artistas mineiros. (Foto: Bárbara Cavalcanti)

No Centro de Campo Grande, na Rua 14 de Julho, na esquina com a 15 de novembro, um prédio vai ganhar um mural de uma índia kadiwéu grávida, com uma arara no ombro e segurando uma espada de São Jorge.

O mural está sendo pintado pelos artistas mineiros Gramaloka e Hyper. “O objetivo é dar voz à cultura nativa, à reconexão, à grandiosidade desse povo que vive aqui”, explica Hyper.

Pela primeira vez na Capital, o mural faz parte da programação do Campão Cultural. Os artistas são de Belo Horizonte e iniciaram hoje os trabalhos no prédio no Centro.

“Meu trabalho já é baseado nas culturas nativas, nos povos originários, o ponto forte do meu trabalho é esse. A gente buscou algo que remetesse à cultura local. E como o Grama e eu também trabalhamos com tatuagem, achamos legal trazer a cultura kadiwéu”, ainda detalha Hyper.

A arte do jeito que está sendo pintada agora, não era bem o plano original. “A gente tinha outra ideia para um outro muro que já estava fechado. A arte era bem parecida com essa, um fundo padrão, preto, vermelho e branco, só que a imagem era outra indígena, kadiwéu também. Quando ele viu a imagem, ele não gostou, falou que não queria índio e não gostou de vermelho e preto”, comenta.

Mural é uma índia kadiwéu grávida com uma arara no ombro. (Foto: Bárbara Cavalcanti)
Mural é uma índia kadiwéu grávida com uma arara no ombro. (Foto: Bárbara Cavalcanti)

Durante a semana, a busca por um outro local passou por um prédio menor, mas que não combinaria com a proposta do impacto que a intervenção traz. Acabou também não dando certo, até chegar nesse ponto da 14 de Julho. Por fim, o tamanho do prédio e a localização acabaram ressaltando melhor a proposta. “Ela continua com o mesmo significado”, garante.

Durante a breve estadia em Campo Grande, Hyper já teve contato com alguns indígenas na cidade e diz ter sentido um estranhamento. “Percebi a todo momento como se eles vivessem acuados, como se estivesse de visita. Sabe a sensação de estar na casa dos outros, de estar incomodando? A todo momento senti isso”, comentou.

Assim, ressalta ainda mais a importância do mural do qual poderá fazer parte. Inclusive até se arrepia ao falar sobre a experiência.

“Pra mim está sendo muito, muito, muito importante. Eles vão andar pelo centro da cidade e passar por aqui e ter um espelho gigantesco, ver a imponência deles e se reconhecer. E pra gente é essa reconexão com a cultura, com a ciência e a grandiosidade que esses povos têm”, expressa.

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