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Artes

Artesanato produzido na roça cruza MS e chega a grandes centros

Por Elverson Cardozo | 24/03/2012 08:56
Idéia começou da extrema necessidade, conta Marly. (Foto: Marlon Ganassin)
Idéia começou da extrema necessidade, conta Marly. (Foto: Marlon Ganassin)

No cerrado do distrito de Palmeiras, um assentamento que fica em Dois Irmãos do Buriti, a pouco mais de 100 quilômetros de Campo Grande, tudo que sobra da roça vira arte. Arte que conquistou a Capital, cruzou o Estado, chegou a grandes centros e já complementa a renda de muita gente.

A matéria-prima é simples e dispensada por muitos: Sobras do que é produzido em pequenas propriedades da região. “Você corta uma bananeira e já aproveita o talo dela”, explica a artesã que deu início ao projeto, Marly Sanchik Túlio, de 58 anos. “A gente só vende o que sobra da roça”, acrescenta.

E é do talo da bananeira, por exemplo, que sai mandalas, revisteiros ou outros utilitários e objetos decorativos. A fibra é a matéria-prima principal e as ornamentações surgem da própria natureza. São castanhas, cipós, cascas secas, madeiras mortas e tudo o que o cerrado gentilmente possa oferecer.

Peças já foram expostas em Campo Grande, no interior e já foram para outros Estados. (Marlon Ganassin)
Peças já foram expostas em Campo Grande, no interior e já foram para outros Estados. (Marlon Ganassin)

Tem arte de todos os tipos e para todas as exigências. Nem crânio de boi morto é dispensado. Colado em um pedaço de madeira – que normalmente seria jogado fora - e ornamentado com flores, também vira objeto decorativo. Mas o carro-chefe são as mandalas. Uma paixão de Marly.

O esposo da artesã, Francisco Lopes, de 66 anos, o “Chicão", como é conhecido, é o responsável pelas estruturas das peças. São feitas com materiais recicláveis. Para construir um revisteiro, por exemplo, Francisco - que também é artesão - utilizou a caixa de um freezer velho.

Por mês são produzidas de 180 a 200 peças que custam entre R$ 15,00 e R$ 200,00. O material já foi exposto em feiras de Campo Grande e do interior do Estado.

A idéia que surgiu da “extrema necessidade”, como relatou Marly, agora é motivo de orgulho. Já foi parar em outros Estados como Goiás, São Paulo e Rio de Janeiro. “Eu fico muito feliz. É um desafio que valeu a pena”, diz.

Mandalas produzidas com castanhas e fibras do talo da bananeira. (Foto: Marlon Ganassin)
Mandalas produzidas com castanhas e fibras do talo da bananeira. (Foto: Marlon Ganassin)
Ao todo, 14 famílias trabalham na confecção das peças.(Foto: Marlon Ganassin)
Ao todo, 14 famílias trabalham na confecção das peças.(Foto: Marlon Ganassin)

Resultados - Sete anos depois, os resultados são visíveis e tão bonitos quanto o nome que recebeu. As atividades do chamado “arranjo produtivo local” agora fazem parte da rotina de 14 famílias do assentamento.

“Todo mundo já melhorou suas casas. Quem andava de bicicleta agora têm uma moto”, conta a artesã. “Nada compensou como isso aqui”, completa o marido.

Em 2009, a atividade foi reconhecida pelo governo federal e o distrito ganhou um ponto de cultura, denominado Associação Leste. Sede que abriga, além da produção de artesanato, oficinas de bordado, pintura e até salas de inclusão digital.

Quem participa das atividades também recebe qualificação de órgãos como o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial).

Esta semana, pela primeira vez, as produções da associação foram expostas no Cepaer (Centro de Capacitação e Pesquisa) da Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural).

Recurso - A entidade recebe subsídio anual de R$ 60 mil do PNCF (Programa Nacional do Crédito Fundiário), do Ministério do Desenvolvimento Agrário, destinado a compra de imóveis por meio de financiamento.

O recurso ainda é usado na estruturação da infraestrutura necessária para a produção e assistência técnica e extensão rural.O financiamento pode ser individual ou coletivo.

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