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Comportamento

Cansei de ser mãe, hoje quero ser só filha e não pensar em mais ninguém

Hoje a coluna é um desabafo de uma mãe que queria ser só filha por apenas um dia

Por Paula Maciulevicius Brasil | 12/07/2020 07:58
Essa ilustração da mãe solo representa as mães em muitos momentos, em especial, quando a gente não quer ser chamada assim por algumas horas apenas.
Essa ilustração da mãe solo representa as mães em muitos momentos, em especial, quando a gente não quer ser chamada assim por algumas horas apenas.

Eu tinha proposto trazer outro assunto para a coluna neste domingo, uma entrevista com uma mãe f*** que trabalha diretamente com a sexualidade de outras mulheres, só que eu não consegui finalizar a entrevista e tampouco fiz a foto que queria ter feito. Então, Rirelle, fica para a próxima semana, sem falta, tá? Por que hoje eu queria ser só filha, acordar a hora que eu quisesse, para comer o que quisesse e assistir o que eu quisesse sem interrupções.

O cansaço é tamanho que beira o surto. A cada período do dia eu acredito que estou mais perto de explodir. E eu sei que não sou a única. Sou "privilegiada" por estar em home office e poder ficar com meus filhos em meio à pandemia que faz com que tantas outras mães tenham que deixar suas casas para pagar as contas. Eu sei de tudo isso, eu agradeço, mas eu também quero poder dizer que a exaustão bateu pesado aqui.

Eu nunca fui a mais "guerreira" das mães não. Sempre tive ajuda, principalmente do meu marido, acho até que ele faz muito mais do que eu, da minha mãe, da minha sogra e da cunhada. Mas hoje, só hoje, eu queria ser só filha.

Vocês lembram como era ser só filha? Pensar só em você? Não ter que ter horário até para conseguir tomar banho? Aliás, conseguir tomar um banho demorado? Ir ao banheiro em paz? Tomar café quente e cerveja gelada? Poder se exercitar sem ter que bolar mil planos sobre quem vai ficar com as crianças, maratonar séries (tô curtindo muito Dark), comer sem pensar em dar de comer, beber sem pensar se a ressaca virá ou não... Beleza que tudo isso é a parte de lazer, mas eu sinto falta de poder pegar a pauta que vier, a hora que vier, ir pra rua, decupar entrevistas, levar horas me dedicando a um texto, conseguir me concentrar 100% em alguma coisa. Tudo isso eu podia fazer sendo filha.

Não me preocupar com choro, fralda, mamadeira. Com horário de banho, de soneca, não ter que brincar com ninguém e ler quantas páginas eu conseguisse de um livro que não foi rasgado nem riscado.

Só de falar isso, por segundos que seja, já me trouxe paz. Eu amo meus filhos, mas tem dias que eu não gosto da maternidade, aliás, nesta quarentena, são frequentes esses dias. Se você está aqui para me julgar, bem-vinda, eu também me julgo diariamente. Se você que leu até aqui se identificou, sinta-se acolhida. Hoje eu não queria falar de maternidade, hoje eu queria ser só filha. Mãe, tô com muita saudade. Beijo.

(escreva me detonando ou dizendo que se enxergou aqui: paulamaciulevicius@gmail.com).