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Comportamento

Carlos podia desistir, mas não larga café que a família cultiva há 62 anos

Saga começou em 1964 com 40 hectares, mas o clima e falta de mão de obra fez a família reduzir para 9

Por Natália Olliver | 07/02/2026 08:14
Carlos podia desistir, mas não larga café que a família cultiva há 62 anos
Carlos Olívio podia desistir de plantação, mas escolheu seguir tradição de família (Foto: Henrique Ianaze)

Carlos Olívio poderia ter ido embora, desistido da tradição da família e feito outra coisa da vida. Mas a paixão pelo café e a história que nasceu em 1964 são grandes demais para isso. Motivos para desistir não faltaram. O produto nunca foi prioridade no Estado, o clima joga contra, a mão de obra sumiu e a conta nem sempre fecha. Mesmo assim, ele ficou para dar continuidade à saga da família em Ivinhema.

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Carlos Olívio mantém viva a tradição familiar de cultivo de café em Ivinhema, Mato Grosso do Sul, iniciada em 1964. Representando a terceira geração de cafeicultores, ele administra hoje 9 hectares dos 40 que a família já possuiu, tendo optado pela redução para aumentar a produtividade. Em 2013, Olívio expandiu os negócios ao montar uma torrefação, assumindo todo o processo produtivo. Apesar dos desafios climáticos e escassez de mão de obra, ele investe em variedades especiais de café arábica, como a Arara, conhecida por sua coloração amarela e premiações em Minas Gerais.

Carlos Olívio é a terceira geração de cafeicultores na família. Ao Lado B, ele conta que todos participavam do cultivo. Para ter ideia do império que os Olívios construíram, nos tempos áureos a plantação chegava a 40 hectares. Hoje, são apenas 9. Apesar de todos esses anos de legado, ele conta que perdeu muitas fotos ao longo do tempo e que hoje as lembranças são poucas.

Carlos podia desistir, mas não larga café que a família cultiva há 62 anos
Carlos podia desistir, mas não larga café que a família cultiva há 62 anos
Tudo começou em 1964, quando o pai veio e São Paulo para o MS plantar café (Foto: Arquivo pessoal)

A mudança no tamanho da plantação veio para aumentar a produtividade e evitar prejuízos, já que trabalham apenas a família e, no período de colheita, terceirizados.

“Minha família produz café em Ivinhema desde 1964. Meu avô veio de São Paulo quando meu pai e meus tios ainda eram meninos e começou. Veio para isso: plantar café, e nossa família persiste sempre. Eu sou nascido aqui e continuo a saga da minha família. Meu avô e meu pai trabalham comigo até hoje.”

Para ele, continuar o legado da família é satisfatório, porque além de apaixonado pela lavoura, também é apaixonado pela terra.

Carlos podia desistir, mas não larga café que a família cultiva há 62 anos
Carlos podia desistir, mas não larga café que a família cultiva há 62 anos
Família Olívio em 2008 e 2026, durante encontro dos parentes; plantação fica em Ivinhema (Foto: Arquivo pessoal)

“Sou da roça, nasci e me criei aqui. A gente nasceu e se criou embaixo do pé de café. Não deixar a tradição e a cultura da família morrerem é muito importante para mim. Meu pai é um guerreiro da lavoura, já com 70 anos, vai todo dia para a roça. Não deixa de ir porque é apaixonado pelo que faz.”

Em 2013, Carlos deu um passo que mudou a lógica do negócio. Passou a industrializar a própria produção. Montou a torrefação. Assumiu o controle do processo até o fim.

Ele explica que o café sai da lavoura, passa pelo lavador para retirada de impurezas, seca no chão por sete a dez dias, segue para o descascamento e só então vai para a torra.

“O café passa por momentos difíceis em Mato Grosso do Sul. A mão de obra é escassa, o clima não ajuda, com muita chuva e calor intenso, aqui na Gleba Ubiratã. Hoje, o nosso café é da espécie arábica, das variedades Acauã Novo, IPR 100 e Arara. Ele é amarelo.”

Carlos podia desistir, mas não larga café que a família cultiva há 62 anos
Carlos podia desistir, mas não larga café que a família cultiva há 62 anos
Cfé é comercializado em todo Estado, mas a plantação é de apenas 9 hectares (Foto: Arquivo pessoal)

A escolha foi uma experiência de Carlos, que resolveu investir. Viu que a espécie era boa para tempos secos, mas pouco tolerante à falta de água. Por isso, o sistema de irrigação precisou ser aprimorado.

“Vi que era uma variedade nova em Minas Gerais e que vinha ganhando muitos prêmios, e resolvi experimentar. Trouxe, fiz as mudas e comprei. É a variedade Arara, uma amarela. Leva esse nome por causa do pássaro, que é amarelo.”

Carlos Olívio é a terceira geração de cafeicultores na família. Ao Lado B, ele conta que todos participavam do cultivo. Para ter ideia do império que os Olívios construíram, nos tempos áureos a plantação chegava a 40 hectares. Hoje, são apenas 9. Apesar de todos esses anos de legado, ele conta que perdeu muitas fotos ao longo do tempo e que hoje as lembranças são poucas.

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