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Comportamento

Conectividade anda em alta, mas a sensação de solidão também

FOMO nas redes sociais intensifica ansiedade, estresse e isolamento

Por Thailla Torres | 26/04/2026 09:32
Conectividade anda em alta, mas a sensação de solidão também
O problema começa quando a necessidade de acompanhar tudo passa a afetar o equilíbrio emocional. (Foto: Paulo Francis)

Bastam alguns minutos rolando o feed para sentir que todo mundo está vivendo algo interessante. Viagens, conquistas, encontros. Enquanto a tela se atualiza sem parar, cresce também uma sensação difícil de explicar: a de estar ficando de fora.

Esse sentimento tem nome. Conhecido como FOMO (Fear of Missing Out), ele descreve o medo de perder experiências, oportunidades ou momentos importantes. Impulsionado pelas redes sociais, o fenômeno tem sido associado à ansiedade, ao estresse e ao uso cada vez mais compulsivo do celular.

Segundo o professor de Psicologia da Estácio, Paulo Henryque de Carvalho Carneiro Geraldes, o problema começa quando a necessidade de acompanhar tudo passa a afetar o equilíbrio emocional.

“O FOMO é basicamente o medo de estar perdendo eventos, oportunidades ou interações sociais importantes. Esse sentimento pode funcionar como um gatilho para ansiedade crônica, depressão, insônia, dificuldade de concentração e um comportamento compulsivo de verificar as redes sociais o tempo todo”, explica.

Apesar de aproximarem pessoas, as redes também podem gerar um efeito contrário: a sensação de estar cercado de gente, mas ainda assim sozinho. Isso acontece porque nem toda interação digital vira conexão real.

“As conexões estabelecidas nas redes sociais não são como as conexões da vida real. Muitas vezes o que se cria é uma ilusão de conexão. A pessoa acompanha a vida de muita gente, mas faltam interações genuínas e profundas”, afirma.

Essa lógica dialoga com o conceito de “modernidade líquida”, do sociólogo Zygmunt Bauman, que descreve relações cada vez mais rápidas, superficiais e descartáveis. No ambiente digital, tudo acontece com poucos cliques: seguir, deixar de seguir, silenciar, bloquear.

O resultado é um número maior de contatos, mas nem sempre de vínculos reais, o que pode intensificar a sensação de isolamento.

Outro ponto que pesa é a forma como a vida aparece nas redes. Em geral, o que se vê são recortes positivos: viagens, conquistas, momentos felizes. Uma versão editada da realidade.

“Quando alguém compara a própria vida com essas imagens idealizadas, pode surgir um sentimento de inadequação. A pessoa sente que não tem o corpo ideal, o emprego ideal ou a vida ideal, e isso pode afetar a autoestima”, explica o docente.

Além disso, curtidas, comentários e notificações funcionam como pequenas recompensas. Cada interação ativa o sistema de prazer do cérebro.

“Quando uma pessoa posta uma foto e recebe muitos likes, ocorre uma liberação de dopamina que gera uma sensação de recompensa. Isso reforça o comportamento de buscar validação social nas redes”, afirma o docente.

Nem sempre estar sozinho significa sentir-se sozinho. A diferença é importante. “A solidão é uma percepção subjetiva de desconexão. Uma pessoa pode estar rodeada de gente e ainda assim sentir que não está sendo compreendida”, explica o professor.

O problema aparece quando o uso das redes começa a interferir na rotina. Irritação sem o celular, necessidade constante de checar notificações, dificuldade de concentração, afastamento da vida offline e sensação frequente de vazio são alguns sinais de alerta.

Dá para equilibrar?

Apesar dos impactos, as redes não são vilãs por si só. Tudo depende de como são usadas. Entre as estratégias recomendadas estão limitar o tempo de uso, fazer pausas, o chamado detox digital, desativar notificações e investir em encontros presenciais.

O professor também cita ferramentas que ajudam a reduzir estímulos, como o aplicativo The Minimalist, que simplifica a interface do celular e pode diminuir o uso excessivo.

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