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Campo Grande, Sexta-feira, 17 de Agosto de 2018

25/12/2016 08:27

Emocionado, Baiano recebeu doações de ex-alunos do Auxiliadora

Thailla Torres
Baiano sorriu de felicidade, mas não conteve as lágrimas ao receber o presente. (Foto: Fernando Antunes) Baiano sorriu de felicidade, mas não conteve as lágrimas ao receber o presente. (Foto: Fernando Antunes)

Baiano não conteve as lágrimas quando finalmente recebeu a surpresa: R$ 3.813,00 doados a um dos pipoqueiros mais tradicionais da cidade. Depois que o Lado B publicou uma reportagem sobre sua história vendendo pipoca em frente ao colégio Auxiliadora, ex-alunos criaram uma vaquinha on-line para ajudar o pipoqueiro. No sábado, véspera de Natal, ele recebeu uma visita especial em sua casa na Vila Alburquerque e a festa teve até choro de emoção. 

Quem apareceu para contar sobre o valor e mostrar que o dinheiro já estava depositado em conta, foi a advogada Marina Mandetta, que atualmente mora no Rio de Janeiro e estudou 10 anos na escola. Foi ela quem organizou a contribuição para que Baiano não desista de vender pipoca. 

"Eu estudei lá e quando li a matéria, pensei em alguma forma de ajudar. A página de ex-alunos do colégio também contribuiu muito com isso porque os alunos ficaram bastante tocados. Então usei o crowdfunding, uma plataforma onde as pessoas fazem a doação com quem se identificam. E foi sucesso", explicou.

Marina foi pessoalmente dar um abraço e contar sobre as doações para Baiano. (Foto: Fernando Antunes)Marina foi pessoalmente dar um abraço e contar sobre as doações para Baiano. (Foto: Fernando Antunes)

Baiano estava tranquilo em casa, na companhia do esposa, quando nos recebeu. Disse que ainda estava confuso quando disseram a ele sobre a arrecadação. "Sabe, eu nasci no bairro Lagoa da Cruz, mas cresci na fazenda. Não tive muito estudo, então tem coisa que as vezes não entendo muito bem. Mas eu fiquei intrigado com o tanto de informação, cheguei um dia lá e mostraram no celular que estavam falando de mim. Como pode?", questiona.

Pensativo, Baiano assume que chegou a desconfiar da doação, por conta do tempo, mas entendeu que Marina queria fazer a entrega pessoalmente. Ele diz que não esperava o dinheiro, mas ficou muito feliz com todo reconhecimento. "Eu fiquei feliz pelo carinho", diz. 

Todo valor arrecadado é resultado das doações de 130 pessoas. A meta era conseguir só R$ 500,00, mas a expectativa foi 866% maior. No total, foram arrecadados R$ 4.333,00, mas 12% ficam como taxa de administração.

Depois que a campanha foi encerrada, a plataforma estabeleceu um prazo de 60 dias para que o dinheiro fosse pago. E por conta da demora, Marina diz que aproveitou a oportunidade do Natal para entregar e aproveitar para dar um abraço apertado.

Ao saber do presente, Baiano não conteve a emoção, sorriu, chorou e em poucos palavras disse da vontade de retribuir o carinho. "Olha, eu nem sei o que dizer, não sei falar palavras bonitas, mas queria conseguir apertar a mão de cada um. E eu desejo toda felicidade a quem fez isso por mim. Vai ser um grande ajuda", diz. 

Questionado se já tem planos para o presente. Baiano diz que só não vai gastar com o passeio. "Passeando eu não gasto, vamos usar com coisa importante, né", diz com toda simplicidade. 

A esperança que se abre é de que Baiano não deixe de vender a pipoca na frente da escola. Ele também torce para isso, mas lamenta pelo ano difícil. "Olha, vou falar que está complicado. Tem dia que nem compensa ir vender. Não vende nada, só cansa", desabafa. 

Por conta da idade, a saúde já vem dando sinais de sensibilidade. Baiano revela que o carrinho ganhou um peso maior. "Está difícil empurrar o carrinho. E ele não é pesado, mas eu que não tenho mais força. Mas tomara que dê tudo certo e ano que vem melhore", torce. 

Baiano trabalha em frente ao colégio Auxiliadora há 50 anos. Sentiu que o movimento cai há 2 anos, mas apesar da tristeza, não desiste. Morando na Vila Albuquerque, atravessa a cidade para trabalhar diariamente.

Não importa se faz sol ou chuva, lá está Baiano enfrentando ônibus lotado para pegar o carrinho que fica guardado em um estacionamento próximo à escola e enfrentar a jornada de trabalho com todo orgulho do mundo pela profissão.

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