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Comportamento

Há 30 anos, casal ganhou nova família abrindo bar no Coophavila

O motivo principal não é a cerveja gelada, mas a sombra refrescante das árvores plantadas pelos proprietários

Por Suzana Serviam | 25/01/2022 13:56
Local onde os vizinhos se reúnem para beber. (Foto: Marcos Maluf)
Local onde os vizinhos se reúnem para beber. (Foto: Marcos Maluf)

O chamariz aos moradores do Coophavila II para tomar aquela bebida no bar da Rua Enseada não é só porque é gelada. A sombra boa do outro lado da rua é o que realmente convida a galera para sentar nas cadeiras e passar várias horas do dia. O responsável pelo frescor do ambiente tem nome e sobrenome: Osvaldo Pissurno.

Desde 1990, quando abriu as portas do seu boteco, ele planta e cultiva árvores do outro lado da rua. Sem nem imaginar que aquilo, futuramente, seria o local onde seus clientes escolheriam ficar.

“Esse pé de manga era um pé de sete copas. Tinha um vizinho que morava lá em baixo. Ele tinha umas vaquinhas, perguntei se ele não me dava esterco para colocar na árvore. Troquei uma pinga por dois sacos de esterco e joguei no sete copas. De repente, no meio dela, nasceu o pé de manga e ficou até hoje”, lembra Osvaldo Pissurno, 77 anos, que até hoje, tem o mesmo regador guardado.

"Ah, ninguém mexe nele, somente eu e minha esposa, por isso, está conosco todo esse tempo", recordou seu Osvaldo ao responder como está durando tanto tempo o regador.

Osvaldo, Nilva e o regador que tem mais de 30 anos. (Foto: Suzana Serviam)
Osvaldo, Nilva e o regador que tem mais de 30 anos. (Foto: Suzana Serviam)

Quando o Lado B chegou ao local, começou a chover e as pessoas que estavam sentadas por ali se apressaram para correr dos pingos de chuva. A esposa do Osvaldo também estava por lá correndo para recolher as coisas. Gestos que já de cara mostraram que ela trabalha e muito por ali. Seu Osvaldo, sem nem ter visto a cena, confirmou ao dizer que a esposa é muito parceira e trabalhadora.

Nilva Silva Pissurno, 57 anos, recordou o dia em que os clientes começaram a se sentar embaixo do pé de manga. “Um dia, um cliente, Armando Holffman, pegou a cadeira e colocou embaixo do pé de manga, que ainda era pequeno. Dali em diante, todo mundo passou a sentar naquele lugar”.

Não é para menos, já que o local é sombra o dia inteiro. No total, são 12 mangueiras que, juntas, fornecem um lugar fresquinho para toda a vizinhança. Além de ipês e pé de flamboyant.

Casal em frente à máquina de música. (Foto: Marcos Maluf)
Casal em frente à máquina de música. (Foto: Marcos Maluf)

O bar do Pissurno não reúne apenas clientes. Quem passa por ali tem história de carinho e amizade pelo casal que, apesar de ter um estabelecimento, não tratam as pessoas como clientes e sim, como amigos.

“Quando tem alguém doente em casa e o bar fecha, o pessoal aqui fica tudo preocupado e perguntam o motivo. A gente se sente cuidado com isso. A gente vê que não é só o seu trabalho, tem mais coisas envolvidas, como amizade, amor, preocupação. Às vezes, muito mais chegados que família”.

E que família grande. Por ali, o ambiente até serviu de cupido para o vizinho Val, que tem conveniência na região. Conta Nilva, que esse rapaz conheceu a esposa dele por lá e seguem juntos até hoje.

Enquanto a entrevista acontecia, uma vizinha que estava por ali curtindo o fim de tarde, sem dizer nada, se prontificou a ajudar. Abriu o freezer e serviu cerveja para quem pedia. Em outro momento, chegou outro vizinho, que desde 1994, mora no Coophavila II. Na época, ele brincava pelas ruas do bairro e hoje, também é frequentador assíduo do bar.

Sombra é o que faz do lugar um endereço aconchegante no bairro.
Sombra é o que faz do lugar um endereço aconchegante no bairro.

Fim de semana, o pessoal também bate ponto no lugar. Tem alguns que até compram ficha para selecionar a música preferida na máquina. “Uns até levantam para dançar”, diz Nilva.

Segunda ela, a máquina de música tem quase todos os estilos musicais, menos o funk. "A gente não gosta do estilo e também não agrada os frequentadores, que só escolhem o sertanejo", explica a dona.

O casal atende das 8h até 22h, mas se o dia estiver animado, estendem até 00h. Isso significa que valeu a pena seu Osvaldo ter regado, em 1990, as árvores. Hoje, o que o casal colhe são frutos de amor e carinho de todos que por ali passam.

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