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Campo Grande, Sábado, 20 de Outubro de 2018

14/06/2018 08:27

Sentada no teto de um carro, foto de 1977 marcou a história de Mariazinha

Thailla Torres
Maria do Rosário Cunha, aos 19 anos, em um foto histórica de 1977 na Rua 14 de Julho. (Foto: Roberto Higa)Maria do Rosário Cunha, aos 19 anos, em um foto histórica de 1977 na Rua 14 de Julho. (Foto: Roberto Higa)

Muitos dos momentos de nossa história, se não tivessem sido registrados pela fotografia, perderiam-se no tempo. No #TBT de hoje, mais uma vez o olhar do fotógrafo Roberto Higa não deixa esquecer de detalhes significativos, que até então haviam ficado no passado. A foto acima é uma cena que volta e meia vem à cabeça de quem viveu o ano de 1977 e lembra-se da menina miudinha, com 19 anos, sentada no teto de um carro em movimento, no centro de Campo Grande.

A protagonista da foto é a funcionária pública Maria do Rosário Cunha, hoje com 60 anos, conhecida pelas repartições como Mariazinha. Natural de Prudente (SP), construiu sua história  como campo-grandense desde que chegou aqui com a família, em 1960. A foto acima foi uma comemoração na Rua 14 de Julho, na mesma semana em que o presidente Ernesto Geisel assinou a Lei Complementar nº 31 dividindo Mato Grosso e criando o estado de Mato Grosso do Sul.

"Foi um episódio marcante na divisão do Estado. Nós fizemos uma caracterização no carro de uma amiga mais velha. Movimentamos todo mundo e fomos às ruas também fazer festa, principalmente, pela campanha de Pedro Pedrossian na época, candidato a senador", recorda Maria.

Sem medo nenhum, Maria saiu do carro e subiu no teto do veículo que ainda estava em movimento. Permaneceu assim durante todo o trajeto até a praça do Rádio Clube. Era talvez a única menina que teve essa coragem e ousadia, lembra o fotógrafo. "Não me recordo de outra mulher ter subido em um carro, só Mariazinha, ela era uma garota de personalidade", comenta Higa.

Maria não se envaidece. "Eu era mesmo maluca, jovem, né. Não tinha medo de nada e o carro estava em baixa velocidade. Lembro-me que subi descalço para jogar para o alto os papéis picados que estavam na mochila", descreve.

Foi um dia especial, tomado pela importância e paixão ao candidato. "Antigamente, a gente fazia política pela pessoa, não era nem pelo partido. A gente amava o Pedrossian e amo até hoje, estava ali por carinho e amizade". 

Maria era próxima da família do ex-governador, que por três vezes, comandou o Estado e faleceu em agosto de 2017, aos 89 anos. "Naquela época Campo Grande ainda era pequeninha, todo mundo se conhecia. Eu conhecia a família do seu Pedro, foi ele que me deu meu primeiro emprego", diz. Funcionária pública da Secretaria de Saúde, Maria prestou concurso e está no mesmo trabalho há 40 anos, para alguns, virou figura carimbada na cidade.

"Eu brinco que a Mariazinha tinha que se candidatar, é uma pessoa muito responsável e autêntica, todo mundo conhece ela nessa cidade. Não é à toa que com as lembranças do Facebook, toda vez que a foto dela reaparece, é uma chuva de comentários", afirma Higa.

Maria ri e diz que os comentários são de amigos e pessoas conhecidas, que sabem da importância de um momento como aquele na época. "A gente ia pra rua com o coração. Hoje muitas pessoas vão às ruas obrigadas, sem saber pelo o que está lutando ou torcendo, mas naquele tempo a força jovem era diferente. Hoje não sinto de todas essas pessoas a paixão".

"Icônica" aos olhos de quem viveu esse tempo, hoje uma cópia da fotografia está presente na casa de Maria e o registro também já foi parar em exposições do fotógrafo Roberto Higa.

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