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Comportamento

Treze anos depois da 1ª vez, Ester e Leia estão grávidas de trigêmeos

Elas foram o primeiro casal homoafetivo que conseguiu engravidar através de inseminação artificial no Estado, há 13 anos

Por Alana Portela | 02/04/2020 07:40
Ester e Leia com o médico José Eduardo em uma das consultas. (Foto: Arquivo Pessoal)
Ester e Leia com o médico José Eduardo em uma das consultas. (Foto: Arquivo Pessoal)

Grávidas de trigêmeos, Maria Ester Delfin e Lucileia Aparecida de Moura Costa, vão ver a família aumentar de quatro para sete, daqui 8 meses. Elas foram o primeiro casal homoafetivo a engravidar por inseminação artificial em Mato Grosso do Sul. Após 13 anos, Leia e Ester decidiram ter a segunda gestação.

“Estamos radiantes com a notícia de sermos mamães novamente. Agora vem nossa menininha, temos muitas chances. Sempre quisemos aumentar a família, só não esperávamos que de dois filhos pularia para cinco. Mas, estamos prontas para amá-los”, afirma Ester.

Ela tem 53 anos e com o coração cheio de amor e alegria resolveu conversar com o Lado B e falar da emoção de terem mais três filhos. Ester é empresária e comenta que o sonho da família grande está quase realizado.

Ester volta no tempo e lembra que conheceu Leia há 18 anos e foi paixão à primeira vista. Não demorou muito para o amor falar mais alto e elas resolverem se unir para a vida toda. Após quatro anos de relação, elas realizam o procedimento e Leia engravidou dos gêmeos, João Vitor e Pedro Henrique.

“Na época, foi a concretização de nossa família, felicidade total. Alguns obstáculos, como na certidão nascimento, que só ficou o nome da Leia como mãe”, lembra Ester. No entanto, em 2018, o casal conseguiu fazer um novo registro para os filhos com o nome das duas mães. “Sonho realizado”, completa.

Ester recorda que antes de decidirem construir a família por inseminação, elas tentaram adotar, mas não deu certo. “Desde o primeiro instante do nosso casamento queríamos ser mães, tentamos adotar, mas infelizmente, não foi possível por conta das leis da época, que eram mais burocráticas”.

Apesar da adoção não ter funcionado, elas não desanimaram e procuraram formas de fazer o amor dar frutos. Realizar a primeira inseminação foi ouvir a felicidade bater à porta. “Com eles, nossa felicidade ficou completa. É nossa família, nossa vida, sempre desejada com muito amor e respeito”, diz.

Foram meses de espera até a chegada de João Vitor e Pedro Henrique. “A sensação de ser mãe é pura e enche nosso coração de amor. Temos em nossas memórias os primeiros momentos deles, o nascimento, primeiro dia em casa, os primeiros passos, primeiro dia na escola”.

São tantos acontecimentos marcantes que não dá para descrever. São memórias inesquecíveis, como quando ouviram os gêmeos as chamaram de mãe pela primeira vez. “Isso é inesquecível. Eles chamam e dizem que têm duas mamães”.

Hoje os meninos estão no oitavo ano da escola, mas Ester afirma que nunca teve problemas em explicar a eles que são filhos de duas mulheres. “Procuramos sempre fazer o certo, como levar em psicóloga, ter todo cuidado possível para que não sofram bullying e se isso acontecer, vão saber como agir. Porém, nunca aconteceu, as escolas sempre respeitaram, não só eles como nós também”, destaca.

A empresária comenta que o preconceito sempre vai existir, porém a família não se apega a essa tese. “Sempre falo que a sociedade nunca vai aceitar. Nós temos que saber viver entre todos, com muita seriedade e respeito, pois e isso que buscamos e ensinamos a nossos filhos”, declara Ester.

Ester e Leia ao lado dos filhos, João Vitor e Pedro Henrique. (Foto: Arquivo pessoal)
Ester e Leia ao lado dos filhos, João Vitor e Pedro Henrique. (Foto: Arquivo pessoal)

Agora, mais de 10 anos após o nascimento dos gêmeos, as mães voltam a sentir o desejo de gerar novas vidas. A felicidade não coube no peito e a notícia dos trigêmeos chegou aos ouvidos de João Vitor e Pedro Henrique. “Ficaram loucos de emoção. Não acreditaram que são três, repetiam a todo momento, é sério mãe?”.

“Eles têm o quarto deles, mas disseram que dois bebês vão dormir com eles e um com a gente”, diz Ester rindo ao pensar na situação. O carinho também é por parte dos amigos que não param de enviar mensagens de felicidades às futuras mamães.

Quem está gerando novamente é Leia, que está na sétima semana de gravidez. Ela e Ester realizaram ultrassom recentemente. “Ouvimos o coraçãozinho deles, estão bem”.

Até a chegada dos trigêmeos, a família se mergulha em ansiedade e cuidados para que Leia tenha uma boa gestação e consiga dar luz aos novos membros da casa.

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