Crianças vão aprender a criar roupas com peças descartadas
Oficina gratuita inclui pintura, desenho e customização e termina com desfile das criações

Uma roupa velha pode virar uma peça totalmente nova. É isso que crianças e adolescentes da Vila Nhanhá vão aprender em uma oficina gratuita de moda sustentável, que acontece entre os dias 20 e 25 de julho.
Promovida pela marca Screew Art Vestuário, a atividade é voltada para participantes a partir dos 8 anos e será realizada no Núcleo Humanitário da Nhanhá, na Rua do Comércio, nº 149. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas diretamente no local.
Durante cinco dias, das 13h às 17h, os participantes terão contato com o chamado upcycling, prática que transforma roupas e materiais descartados em novas peças. A oficina também vai ensinar técnicas de desenho, stencil, pintura em tecido e customização de vestuário.
A iniciativa será conduzida pelo multiartista e produtor cultural San Martinez, que desenvolve ações na comunidade desde 2022.
“Foi um espaço que a gente conquistou levando o hip-hop para dentro da comunidade. Desde então realizamos eventos de graffiti, rap, dança e ações de alimentação, tudo construído de forma independente. Essa oficina é mais um passo nessa caminhada de compartilhar conhecimento e arte com as crianças e adolescentes da Nhanhá”, afirma.

Além de ensinar técnicas artísticas, a oficina pretende despertar reflexões sobre consumo, sustentabilidade e identidade.
“A arte pode levar à criação do próprio estilo, do próprio jeito de pensar e de gerir a vida. Quando a criatividade é despertada desde cedo, ela ajuda a formar pessoas com mais autoestima, autonomia e capacidade de enfrentar os desafios do cotidiano”, destaca San.
Ao longo dos encontros, os participantes também vão conhecer a origem do reaproveitamento de roupas e discutir os impactos ambientais da indústria da moda.
“Hoje existe um enorme desperdício de roupas no mundo. Muitas peças acabam descartadas sem destino adequado, gerando impactos ambientais. O upcycling (ou upcycle) se tornou uma das maiores ferramentas da moda periférica contemporânea. O termo significa, na prática, pegar algo que seria descartado ou que já perdeu sua utilidade original e transformá-lo em uma peça de maior valor, estilo e qualidade, sem passar por um processo industrial de reciclagem. Transformar uma roupa é dar um novo sentido para ela, criar novas possibilidades por meio da arte, do desenho e da pintura”, explica.
Para a realização das atividades, o projeto disponibilizará tintas para tecido, sprays à base d'água e outros materiais de customização.
“Muitas vezes o acesso à arte é limitado pelo custo dos materiais. O projeto possibilita que os participantes tenham contato com ferramentas que normalmente não estariam ao alcance deles. Isso também é inclusão”, afirma.
O encerramento da oficina contará com um desfile das peças produzidas, uma sessão de fotos e uma exposição dos registros. A ideia é que as imagens sejam levadas posteriormente para escolas da região e também para o próprio Núcleo Humanitário da Nhanhá.
Para San Martinez, o momento final é uma celebração da criatividade de cada participante.
“Criar a própria roupa é uma forma de mostrar quem você é e quem deseja se tornar. Com uma diversidade de representações e estilos, o movimento tem como objetivo ajudar jovens de periferias, favelas e subúrbios a reconhecerem sua própria beleza e força, movimento esse que veio do hip-hop. A fotografia fica como uma lembrança que atravessa o tempo, registrando esse momento de descoberta, autoestima e liberdade criativa”.
Além do aprendizado artístico, a oficina também busca incentivar uma reflexão sobre a origem das roupas, os impactos da indústria da moda e a construção de um mundo mais sustentável.
“A ideia é que essas crianças levem consigo uma consciência maior sobre o meio ambiente, sobre consumo e sobre o próprio papel delas no mundo. São reflexões que podem ajudar a formar adultos mais conscientes das escolhas que fazem e do futuro que desejam construir”, conclui.
O projeto conta com investimento da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, e é executado pelo Governo de Mato Grosso do Sul, através da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS).
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