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Consumo

Entre consertar ou comprar, assistências técnicas ainda resistem em MS

Donos de estabelecimentos sentem impacto no movimento, mas permanecem de portas abertas

Por Bruna Melo | 13/10/2026 06:13
Entre consertar ou comprar, assistências técnicas ainda resistem em MS
Lavadoras e refrigeradores para venda na Rua Marechal Rondon (Foto: Paulo Francis)

Quando a geladeira deixa de gelar, o ventilador para de girar ou a máquina de lavar começa a falhar, surge uma dúvida comum: ainda vale a pena consertar ou é melhor comprar outra? A resposta envolve o preço do reparo, a idade do aparelho e até o vínculo com um eletrodoméstico que acompanhou diferentes fases da família.

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Em Campo Grande, a Rua Marechal Rondon reúne assistências técnicas que ajudam consumidores a decidir entre consertar eletrodomésticos ou comprar novos. Técnicos relatam que parcelamentos facilitam a substituição, embora reparos possam custar menos. A escolha depende do preço, da idade do aparelho e da confiança no serviço. Uma estudante conta que foi vítima de golpe e, após comparar custos, optou por trocar a geladeira.

Enquanto alguns consumidores consideram o conserto uma economia, outros temem gastar e enfrentar um novo defeito pouco tempo depois. Entre a substituição e o reparo, as assistências técnicas continuam movimentando um mercado sustentado por quem busca prolongar a vida útil dos aparelhos.

Em Campo Grande, a Rua Marechal Rondon tornou-se uma referência para esse serviço. A via reúne diferentes lojas de manutenção e profissionais que passaram a vida consertando aparelhos, acumulando experiência em um ofício que resiste ao avanço dos produtos descartáveis e às facilidades da compra de novos equipamentos.

Célio Britto, 56 anos, está há mais de 30 anos no mesmo ponto na Rua Marechal Rondon. Na loja, Britto, como é conhecido, trabalha ao lado da esposa e funcionários. A especialidade dele são aparelhos de refrigeração e, quando vem o calorão, o movimento também aquece, mas ainda não é suficiente. O empresário conta que muitas pessoas optam por aparelhos novos devido às condições de parcelamento que várias lojas oferecem. “Quem que tá bem das pernas aí hoje?”, diz Célio.

Entre consertar ou comprar, assistências técnicas ainda resistem em MS
Britto no balcão da loja de manutenção de aparelhos criada há 30 anos (Foto: Paulo Francis)

O técnico explica que se sente frustrado por pagar aluguel, contas de água e luz para disputar espaço no mercado com pessoas que trabalham apenas com o carro e que não têm ponto fixo de vendas. O movimento na loja de manutenção não é como Célio gostaria.

 ”O consumidor entra aqui na loja, olha um produto, olha outro, aí vai lá na loja lá parcela é em 24 vezes, 8 vezes, o cara paga parceladinho, mas compra dois, três produtos, dependendo da situação”, conta Célio.

Para Britto, existem aqueles consumidores que acreditam em resolver manutenções complexas com pequenos tutoriais no YouTube. “O YouTube ajuda, na verdade, para quem tem conhecimento. Para quem não tem, às vezes, complica o cara. É igual ao GPS”, diz. Segundo o empresário, o consumidor prioriza o preço hoje e não a qualidade.

Ele relata que os aparelhos que mais recebe para manutenção são refrigeradores, lavadoras, ares-condicionados e adegas de vinho. Existem aqueles que procuram o serviço e abandonam o produto. Britto acredita que as pessoas vão descartar esses eletrônicos.

Fernando Idie, 26 anos, trabalha há 4 anos em uma empresa de manutenção especializada em televisores. Fernando conta que a loja aposta em tráfego pago e em publicidade para atrair consumidores pela internet. “A gente consegue uma boa porcentagem desse pessoal pela internet. Porque às vezes muitas pessoas não sabem que tem problema e ou talvez não sabem que dá pra arrumar, né?”, diz Fernando.

Entre consertar ou comprar, assistências técnicas ainda resistem em MS
Fernando Idie consertando um televisor (Foto: Paulo Francis)

Na loja é possível observar um intenso fluxo de televisores e aparelhos específicos para reparos. O empresário conta que o fluxo ainda é bom, pois algumas vezes não é tão viável para o cliente comprar uma nova televisão. “Então fica mais interessante ali, muitas das vezes ele consertar do que realmente ele ter que investir numa nova, se perdendo um valor bem maior, né?”, diz Fernando.

Apego aos eletrodomésticos - Camille Filetto, estudante de 22 anos, conta que depende dos eletrodomésticos devido à praticidade que oferecem para a rotina corrida. O micro-ondas é o maior aliado da estudante que separa as refeições da semana em marmitas congeladas. Camille conta que no primeiro ano que passou a morar sozinha levou um golpe.

“Eu pedi indicação lá no grupo do do meu condomínio, aí esse cara entrou em contato comigo e eu assim precisando da geladeira, acabei pedindo os serviços dele”, diz Camille.

A estudante chegou a pagar um valor para o técnico para ele comprar uma peça de que precisava e depois o homem sumiu. Camille optou por vender a geladeira, já que o aparelho não funcionava como antes, mesmo após o conserto. “A geladeira que eu tinha lá era mais antiga e aí por conta de todo o trabalho para consertar, o golpe que eu levei, eu preferi comprar uma nova mesmo”, conta Camille.

A estudante conta que sempre tenta consertar antes de comprar um novo, devido ao alto valor. Camille sempre faz um orçamento e verifica o valor de um produto novo; ela trocou o liquidificador durante essa comparação de preços.

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Eletrodomésticos para venda (Foto: Paulo Francis)


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