Nutricionista explica por que vontade de doce pode ficar mais forte
Comportamento alimentar, fome, estresse e privação de sono costumam influenciar a busca por açúcar

É só terminar o almoço que ela aparece: “um docinho cairia bem”. Pelo menos é assim para a acadêmica Carolina de Lima, 24 anos. Pode ser um chocolate, um pedaço de bolo, um biscoito ou um café para espantar o sono depois da refeição. “É tipo uma relação de melhores amigos. O docinho me faz bem, mas tem vezes que a gente precisa de espaço”, brinca.
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A vontade de comer doces é natural e pode aumentar com fome, estresse, cansaço, sono inadequado e dietas restritivas, explica a nutricionista Thayana Regina. Ela recomenda observar se há fome e fazer um lanche quando necessário, sem tratar a sobremesa como proibida. Produtos proteicos não substituem necessariamente o doce desejado; o açúcar pode integrar uma alimentação equilibrada, com atenção à quantidade e à saciedade.
A acadêmica também percebe que a ansiedade aumenta a vontade de comer açúcar. Nessas situações, o doce aparece como uma tentativa de aliviar o momento. “Eu penso que só um doce para acalmar a situação e aí eu vou lá e como. Hoje mesmo estava com vontade, torrei uma barra de chocolate com um cafezinho”, relata.
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A relação com o doce, no entanto, nem sempre foi vista com a mesma leveza. Carolina conta que começou a prestar mais atenção no consumo após perceber mudanças no corpo. “Eu percebi quando ficava com o rosto muito inchado, com espinhas e aumento no peso. Aí eu realmente tive que me ligar”, afirma.
O doce não é o vilão - A experiência de Carolina relacionando o doce com sentimentos mostra uma situação muito comum. Mas, segundo a nutricionista Thayana Regina, com foco em comportamento alimentar e psicoterapia, sentir vontade de comer doce não significa, por si só, que existe um problema.
“Sentir vontade de comer doce, gostar de comer doces é algo natural. Doce é gostoso e proporciona uma experiência prazerosa”, explica.
Quando o desejo parece excessivo, porém, é importante observar o contexto. A restrição alimentar, o estresse, o cansaço, o sono inadequado e dietas muito rígidas podem aumentar a procura por alimentos mais energéticos.
No caso de quem sente vontade de comer um doce no meio da tarde, por exemplo, a explicação pode ser apenas fome. Após duas ou três horas do almoço, uma fome leve pode aparecer. Quando a pessoa ignora esse sinal e continua trabalhando sem fazer uma pausa, a vontade por uma fonte rápida de energia pode aumentar.
Por isso, antes de abrir a gaveta atrás do chocolate, a orientação de Thayana é observar se o corpo está pedindo comida. Um lanche com frutas, iogurte, castanhas ou um sanduíche pode ajudar a recuperar a saciedade. Se depois disso a vontade de comer doce continuar, não há necessidade de transformar a sobremesa em uma vilã.

“O melhor alimento para matar a vontade de comer doce é o doce que você está com vontade de comer”, afirma Thayana.
A diferença está na relação com esse alimento. Em vez de proibir completamente o açúcar e criar uma lista de comidas permitidas e proibidas, a proposta é incluir o doce em uma alimentação equilibrada e prestar atenção à quantidade, à fome e à saciedade.
Além da alimentação, sono e estresse também entram na conta. Para a nutricionista, cuidar desses fatores pode reduzir a necessidade de buscar no doce uma fonte de energia ou conforto.
Outras opções - Na tentativa de controlar a vontade de comer doces, Carolina também já recorreu a alternativas com apelo “fit”, como produtos proteicos. A estratégia, porém, nem sempre entrega a satisfação esperada. Quando a vontade é de chocolate, por exemplo, uma barrinha com sabor semelhante pode até funcionar como lanche, mas não substitui necessariamente o doce que ela queria.
A situação é comum entre quem tenta encontrar alternativas para reduzir o açúcar. Para a nutricionista Thayana Regina, produtos proteicos industrializados não devem ser usados como uma espécie de “antídoto” para a vontade de comer doce. Segundo ela, além de não necessariamente proporcionarem satisfação, esses produtos podem acabar frustrando a pessoa.
A orientação é separar as duas necessidades: se existe fome, o ideal é fazer uma refeição ou lanche que ofereça saciedade. Se a fome já foi atendida e continua a vontade de comer um doce, a sobremesa pode fazer parte da alimentação.
“Não existe alimento ruim ou proibido. Todos os alimentos podem fazer parte de uma alimentação saudável e equilibrada”, afirma Thayana.

