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Diversão

Com saudade de MS, Gi ganha ‘Orla Morena’ improvisada pelo namorado

Leléo preparou surpresa após ouvir namorada lembrar de um dos rituais que deixou no Estado

Por Amanda Ferreira | 29/09/2026 08:43

RESUMO

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Um criador de conteúdo paulista preparou uma surpresa para a companheira, Gi, sul-mato-grossense que mora em São Paulo e sentia saudade de tomar tereré na orla. Ele montou em casa uma cena com cadeira de praia e a bebida pronta. Gi ficou feliz, e o vídeo, publicado nas redes sociais, mobilizou outros moradores de fora do estado a relatar saudades de Mato Grosso do Sul. Para ele, o gesto simboliza carinho e respeito às diferenças culturais.



Uma cadeira de praia, tereré pronto e um pouco de imaginação foram suficientes para diminuir, ainda que por alguns minutos, os quilômetros que separam São Paulo de Mato Grosso do Sul.

O influenciador Leo Matias, mais conhecido como "Leléo", decidiu improvisar a cena dentro de casa como surpresa após ouvir a companheira, Giovana Neves, dizer que sentia saudade de sentar tranquilamente na orla para tomar a bebida.

A ideia nasceu de um comentário aparentemente simples. Gi havia contado que não sentia falta apenas do tereré, mas daquele ritual completo: colocar a cadeira, sentar sem pressa e aproveitar o momento. Para quem cresceu em Mato Grosso do Sul, a descrição pode parecer cotidiana. Para o companheiro, virou uma oportunidade de levar um pedaço da terra dela para dentro da rotina em São Paulo.

“A ideia surgiu por conta de um comentário que ela fez, dizendo estar com saudade de tomar um tereré na orla. Ela deixou bem específico que a saudade era de sentar lá, com uma cadeira de praia, bem tranquila, e aproveitar aquele momento”, conta.

O paulista não partiu completamente do zero. As viagens frequentes a Mato Grosso do Sul já haviam mostrado que, por aqui, a bebida gelada vai muito além de matar a sede. Ele passou a observar rodas formadas nas calçadas, encontros entre amigos e famílias e a presença da guampa passando pelas mãos de diferentes gerações.

“Sei que é algo enraizado na cultura sul-mato-grossense. Em São Paulo tem, mas é bem diferente de MS, onde eu via em todo lugar as pessoas sentadas na calçada de casa, reunidas e tomando tereré, do jovem ao idoso”, compara.

Foi essa memória que ele tentou reproduzir. Sem a pretensão de reconstruir fielmente uma tarde sul-mato-grossense, organizou o que tinha disponível e deixou tudo preparado para quando Gi chegasse. O objetivo, explica, estava menos na fidelidade da montagem e mais no significado do gesto.

“Quis transmitir um pouco daquela sensação. Ela disse que estava com saudade e eu quis fazer um gesto de carinho. Acho que, mais importante do que recriar a cena, foi demonstrar carinho e preocupação com os sentimentos dela”.

Com saudade de MS, Gi ganha ‘Orla Morena’ improvisada pelo namorado
Léo já visitou algumas vezes o Estado com a Namorada (Foto: Reprodução)

A surpresa funcionou. Segundo ele, os utensílios usados para tomar tereré estavam havia algum tempo deixados de lado e Gi já não mantinha o hábito com a mesma frequência. Encontrar tudo preparado trouxe de volta não apenas o sabor da bebida, mas uma rotina que havia ficado em Mato Grosso do Sul.

“Ela adorou. As coisas estavam meio de canto na casa dela e fazia tempo que ela não tomava tereré. Apesar de não ser do jeitinho que ela queria, chegar e ver que já estava ali prontinho deixou ela bem feliz”, relata.

A saudade acompanha Gi por outros caminhos. Com a família em Mato Grosso do Sul e a vida atualmente em São Paulo, ela tenta retornar sempre que a rotina permite. Neste ano, porém, as viagens ficaram mais difíceis porque ela está no último ano da faculdade. Do outro lado dessa distância, o companheiro diz ter aprendido a reconhecer os sinais do saudosismo.

“A Gi é muito saudosista, sente falta de tudo que MS tem e mais ainda da família. Moramos longe, mas sempre que dá a gente dá um pulo lá para ela visitar a família.”

Por isso, ele entende que preparar o tereré significou mais do que fazer uma surpresa para render um vídeo. Como Gi vive longe dos parentes, ele conta que sua própria família passou a ocupar parte dessa rede de apoio em São Paulo. Respeitar os hábitos que ela trouxe de outro Estado, diz, também entrou na construção do relacionamento.

“Hoje eu e minha família somos a família dela no Estado de São Paulo. Esse gesto, além de ter muito carinho, representa o respeito pelas nossas diferenças culturais. É algo que fortalece ainda mais nossa relação.”

Quando o vídeo foi parar nas redes sociais, a identificação ultrapassou o casal. Sul-mato-grossenses que também vivem longe começaram a aparecer nos comentários contando suas próprias saudades. Para o criador de conteúdo, a repercussão mostrou como hábitos aparentemente banais podem ganhar outro tamanho depois que alguém deixa o lugar onde cresceu.

“Tem muita gente que mora fora do Estado hoje, coisas da vida, e elas comentam e dizem a saudade que têm de MS. A gente que trabalha com criação nunca sabe quando um vídeo vai ir bem ou mal, mas sempre que falo de Mato Grosso do Sul o pessoal aparece, curte e comenta. É bonito de ver o amor que tem pelo Estado".

As passagens frequentes pela terra da companheira também fizeram com que Mato Grosso do Sul se tornasse personagem recorrente dos conteúdos publicados por ele. Quem o acompanha em São Paulo já se acostumou a vê-lo atravessando a divisa e mostrando hábitos, comidas e diferenças entre os dois estados.

“Aqui em São Paulo a galera já entendeu que vira e mexe eu apareço em MS e, do nada, começo a mostrar os trem de lá. Tem uma aceitação muito legal. O pessoal daqui também gosta de ver as diferenças dos estados”".

Depois de tantas viagens, ele próprio já elegeu uma preferência sul-mato-grossense. Entre costumes e sabores que conheceu acompanhando Gi, o churrasco ganhou lugar especial. “Se tem algo que eu gosto demais de MS é o churrasco. Ô pessoal bom de assar carne”, brinca.

No fim, a surpresa não levou a orla para São Paulo, nem pretendia fazer isso. A cadeira estava em outro lugar e a paisagem não era a mesma, mas o tereré cumpriu uma função que a bebida conhece bem em Mato Grosso do Sul: criar um momento para sentar, desacelerar e dividir alguma coisa com quem está por perto.

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