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Sabor

Da vendinha, Rolim viu lanchonete virar point em bairro nobre

Antes trailer que virou lanchonete, desde 87 atende no mesmo ponto a fome dos campo-grandenses por hambúrguer

Por Raul Delvizio | 27/02/2021 07:34
Chalé Burger continua no mesmo ponto há 34 anos (Foto: Kísie Ainoã)
Chalé Burger continua no mesmo ponto há 34 anos (Foto: Kísie Ainoã)

Desde que Rolim de Lima Batista abriu o Chalé Burger há 34 anos, em 1987, até hoje mantém a tradição do lanche de fim de tarde para o campo-grandense. O espaço não é o mais badalado como nos início dos anos 2000, em que a galera jovem se reunia para curtir o ambiente aberto, "descolado", bem ao lado da Praça Itanhangá. Porém, isso não quer dizer que o "point" ficou esquecido. Muito pelo contrário, tem sobrevivido na pandemia da covid-19 e continua a fazer história.

Bem onde existia uma banca de revista na esquina das ruas Joaquim Murtinho com a Chaadi Scaff, no bairro Itanhangá Park, foi onde o negócio começou. "Fiz um trailer no estilo de um chalé. Era uma casinha pré-fabricada, com duas janelinhas na frente e uma atrás, em que eu mesmo atendia todas do final do dia até o início da madrugada", relembra Rolim, o comerciante de 57 anos.

Aos 57 anos, Rolim é o dono do lugar (Foto: Kísie Ainoã)
Aos 57 anos, Rolim é o dono do lugar (Foto: Kísie Ainoã)

Antes trabalhando com seu pai que tinha uma loja de materiais de construção, ele explica que sempre gostou dos "sandubas" e, quando casou, resolveu investir na ideia de um trailer diferente. Naquela época, numa Campo Grande do final dos anos 80, não tinha muitas opções para que a população saboreasse um "lanchão" velho de guerra. E é por isso que Rolim correu atrás e tirou do papel o Chalé Burger.

"Eram poucas as opções. Tinha eu aqui no Itanhangá, o Gugu Lanches na Afonso Pena, a hamburgueria da rua 14 de Julho, o trailer da Dalva em frente a Praça do Rádio e o bar Topo Gigio, e só", recorda. De lá pra cá, muitos deles não existem mais. Apenas o Chalé Burger e o "companheiro" de época Gugu são os sobreviventes.

Registro feito antes da pandemia (Foto: Reprodução/Facebook)
Registro feito antes da pandemia (Foto: Reprodução/Facebook)

O clássico "x-salada" continua a ser o carro-chefe. Na lanchonete de Rolim, o combo que mais sai é justamente desse lanche com o acréscimo da porção de batata mini e um copo de suco de laranja. Outro "sanduba" diferente leva o nome da casa, o "x-chalé", onde o pão baguete é recheado com carne de filé bovino, alho frito e rúcula verde. Ainda, sanduíches especiais, açaí na tigela, sorvetes e outras porções também fazem parte do cardápio.

A novidade, porém, vem com cheirinho e gosto de pizza. Sugestão da filha Maria Julia Krisiaki, de 20 anos, a "Maju", e Rolim embarcou na ideia. Além da adição de vários sabores desse prato italiano, os dois planejam ainda outras reformulações e adaptação do menu que, durante esses últimos 34 anos, continua praticamente o mesmo.

Aqui, "x-salada" com porção de batata-frita e milkshake de morango (Foto: Kísie Ainoã)
Aqui, "x-salada" com porção de batata-frita e milkshake de morango (Foto: Kísie Ainoã)
Sanduíche especial da casa, um beirute (Foto: Kísie Ainoã)
Sanduíche especial da casa, um beirute (Foto: Kísie Ainoã)

E por falar em décadas, foi nesse passado que o Chalé Burger até virou rede espalhada pelo estado. Vamos ver quem se lembra: do trailer original, veio o ponto onde permanece até hoje no Itanhangá Park e, na sequência, abertura de "filial" na Praça do Rádio (1988); umas das primeiras lojas do Shopping Campo Grande (1989); outro trailer, desta vez na avenida Mato Grosso perto do Colégio Auxiliadora (1990); também na Cândido Mariano, ao lado das clínicas (1992); e, por fim, foi parar no município de Dourados (1993), distante 198 quilômetros da Capital, onde ficou por 5 anos. Todos os outros pontos duraram cerca de 10 anos, quando Rolim viu o gerenciamento complicar e a grana apertar.

Chalé continua a oferecer uma "energia" de natureza colado à Praça Itanhangá (Foto: Kísie Ainoã)
Chalé continua a oferecer uma "energia" de natureza colado à Praça Itanhangá (Foto: Kísie Ainoã)

"Sempre amei fazer o que faço. Confesso que fiquei meio doido naquela época. Foi uma fase feliz, de muito trabalho, mas tive que sacrificar. Pelo menos, o ponto que continuo até hoje é o que faz essa história valer a pena", garante. No terreno baldio doado pelo ex-sogro – o antigo dono da padaria na esquina –, Rolim construiu a atual "sede" do seu Chalé.

De pai pra filha – E parece que agora o negócio, além de estar com "fome" de jovialidade, está sendo uma oportunidade de reaproximar pai e filha no mesmo barco. "Eu praticamente morava aqui na minha infância. Era uma menina gordinha comendo lanche e me divertindo por aqui. Hoje em dia dei uma emagrecida e estou um pouco mais controlada", brinca Maju.

Maria Julia, 20 anos, é filha de Rolim (Foto: Kísie Ainoã)
Maria Julia, 20 anos, é filha de Rolim (Foto: Kísie Ainoã)
Pai e filha em frente a lanchonete duradoura (Foto: Kísie Ainoã)
Pai e filha em frente a lanchonete duradoura (Foto: Kísie Ainoã)

Nos tempos de pandemia, foi a clientela fiel e a ajuda da filha que deu um gás nas redes sociais e impediu o negócio de fechar as portas. "Ainda bem que a despesa aqui é pequena, senão já teríamos fechado há muito tempo", diz Rolim. "Essa covid assustou e ainda assusta, e o medo de fechar foi grande. Mas estamos conseguindo manter", agradece.

Expectativas novas, sangue novo. É assim que o pai interpreta a chegada da filha – e até do genro Matheus – na lanchonete. "Eu que já estou beirando os meus 60 anos, a mentalidade a partir de agora é a de sucessão, deixar o meu legado para ela. Mesmo que já 'trintamos' com o Chalé, espero eu que venha ainda muitos anos pela frente".

O Chalé Burger fica na rua Chaadi Scaff, 29, Itanhangá Park.

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