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Sabor

“Galã do alfajor”, Adriano faz sucesso e lucra R$ 6 mil por mês

Paquerado por homens e mulheres, ele deixou orgulho de lado para trabalhar e pagar a faculdade

Por Jéssica Fernandes | 21/07/2022 07:35
Adriano vende alfajor para pagar a faculdade. (Foto: Alex Machado)
Adriano vende alfajor para pagar a faculdade. (Foto: Alex Machado)

Adriano Aguiar, de 27 anos, sai pelas ruas de Campo Grande todas as noites com o objetivo de vender os alfajores que produz durante o dia. Para quem antes tinha vergonha do trabalho, hoje ele tira de letra os ossos do ofício. Seja levando cantada, ouvindo grosserias ou sendo expulso dos lugares, o empreendedor encara tudo com simpatia e bem-humorado.

O ‘Galã do Alfajor' começou a empreitada como vendedor de balas baianas após aprender a receita com uma vizinha. Há três meses, ele passou a comercializar os alfajores que tem diversos sabores, como tradicional, paçoca, torta de limão, churros, prestígio e leite ninho. Vendidos a R$ 5, a sobremesa, segundo ele, dá lucro de R$ 6 mil no final do mês.

A princípio, amigos não entenderam porque Adriano resolveu fazer doces para vender. Ele comenta que certas pessoas duvidam que ele precise da renda. “Eles acham que eu não preciso, acham que sou playboy porque me visto bem, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra. Eu preciso sim, hoje é a minha realidade é isso”, afirma.

Doce é produzido de forma artesanal e tem diversos recheios. (Foto: Alex Machado)
Doce é produzido de forma artesanal e tem diversos recheios. (Foto: Alex Machado)

Os alfajores são vendidos em bares, postos de combustível, lojas comerciais, saída de colégios particulares, no restaurante da família e nas ruas. Ao total, ele passa quatro horas oferecendo o produto para quem encontra no meio do caminho. Por estar em contato direto com as pessoas, Adriano lida com diversos tipos de situação.

Uma das mais comuns é quando os clientes flertam com o vendedor. O flerte, segundo ele, parte de homens e mulheres. “A gente nunca sabe se é muito ou pouco, mas tem. Tem gente que pede para seguir no Instagram depois. O homem geralmente é mais ousado nessa parte”, revela. Outra situação, conforme Adriano, acontece quando ele vende o doce para um casal e o homem fica com ciúmes da companheira.

Além dessas situações, ele relata outras que ocorrem com frequência. “Eu saio na rua vendendo e tem muita gente mal educada, gente que fecha o vidro na sua cara e não deixa você entrar em loja. Esses dias o cara mandou eu sair de uma otica”, expõe.

'Galã do alfajor' sentia vergonha de vender no começo. (Foto: Alex Machado)
'Galã do alfajor' sentia vergonha de vender no começo. (Foto: Alex Machado)

Ao se aproximar das pessoas, Adriano se apresenta, fala que é estudante de direito e explica que paga a faculdade  com o dinheiro dos alfajores. Mesmo tendo recebido propostas para trabalhar no setor de vendas de duas empresas, ele não abre mão do próprio negócio. “Eu consigo pagar minha faculdade e tirar três vezes mais do que trabalhando para outras empresas”, ressalta.

Começo das vendas -  Em 2020, o empreendedor enfrentava pela terceira vez um quadro depressivo. Além disso, ele estava desempregado, pois tinha passado por duas empresas onde vivenciou situações desagradáveis, e precisava pagar os estudos. A vontade de começar a vender, segundo ele, surgiu a partir da necessidade em fazer algo por si mesmo. “Eu me coloquei nessa situação, foi proposital, eu escolhi isso”, destaca.

O jovem diz que precisava mudar alguns valores, por isso, resolveu ser vendedor de doces. “Eu precisava mudar coisas dentro de mim que não faziam sentido. Não fazia sentido eu ser apegado a reputação, ser apegado a vaidade e orgulho. Passei várias vezes por situações de querer entrar num lugar para vender e não conseguir por vergonha. Toda vez era uma resistência”, comenta.

Em postos, ele oferece os doces para os clientes que encontra. (Foto: Alex Machado)
Em postos, ele oferece os doces para os clientes que encontra. (Foto: Alex Machado)

Com o apoio do casal de amigos Pedro e Isa, Adriano arriscou, perdeu o medo e deixou o orgulho de lado. A cada dia de vendas na rua, ele ficava mais animado. “Na época eu ganhava por bala mais ou menos um real. Eu lembro que falei: ‘Caramba, que daora, hoje eu vendi cinquentão’, recorda. Atualmente, ele diz que lucra mais com os alfajores. “Eu consigo tirar na base de R$ 6 mil, porque eu vendo muito. Por dia vendo uns R$ 200”, diz.

Sem planos de parar de vender, Adriano conseguiu empregar mais duas pessoas no negócio. Os funcionários são quem dão uma força na produção dos alfajores, mas é só ele que fica à frente das vendas. Embora goste do ramo, ele comenta qual é o sonho profissional que tem. “Eu quero ser professor universitário. Quero ser empresário, mas meu sonho vocacional é a parte do corpo docente”, pontua.

Quem quiser comprar os alfajores, Adriano vende o doce no restaurante da família na Avenida Mato Grosso, 2141, Centro. O vendedor também aceita encomendas, o perfil no Instagram é @adrianoaguiar22.

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