Neta transforma garagem da avó em point de tortinhas e sopa paraguaia
Vitória se juntou com Maria Antonieta e fez das receitas de família um negócio no bairro Chácara Cachoeira
Vó e neta juntas na cozinha até poderia ser título de livro ou história de família, mas na Rua Junquilhos, Vitória Garcia Cáceres, de 23 anos, resolveu montar um negócio justamente com a avó dela e vender os quitutes que, quando criança, comia na fazenda. Foi observando Maria Antonieta Garcia, hoje com 76 anos, comandar o fogão para uma casa sempre cheia que Vitória viu uma oportunidade de deixá-la feliz e ainda conseguir uma graninha com um trailer na garagem de casa.
RESUMO
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Em Campo Grande, avó e neta transformaram receitas de família em um negócio promissor. Maria Antonieta Garcia, de 76 anos, e Vitória Garcia Cáceres, de 23, comandam o trailer "Quitutes da vó Dadá", instalado na garagem da residência familiar, na rua Junquilhos. O empreendimento, que começou como fonte de renda extra para os estudos de Vitória, ganhou força após a viuvez de Maria, há três anos. O cardápio inclui especialidades como sopa paraguaia e tortinhas salgadas, preparadas pela avó, enquanto a neta se dedica aos doces artesanais. Os preços variam de R$ 6 a R$ 15, com opção de encomendas por quilo.
O convite a Maria caiu como uma luva e veio no momento ideal. Há 3 anos viúva, a cozinha foi um alívio necessário e um conforto para encarar os dias. Ao lado da neta, a coisa toda é tida como uma brincadeira gostosa. Na hora do trabalho, Vitória fica com a parte doce e Dadá, como é conhecida, encarregada dos salgados. Receitas de família que agora são vendidas na garagem de casa.

A história toda começou como uma renda extra para os estudos de Vitória. Ela vendia os doces na faculdade e percebeu que aquilo dava dinheiro de fato. Foi assim, aos pouquinhos, que a vontade de ter algo no ramo aumentou. De quebra, ainda incluiu a avó, que já a ajudava.
“Sempre gostei muito de cozinhar porque quando eu ia na fazenda com a minha avó ela me deixava dentro da cozinha fazendo tudo com ela. Ficava um momento nosso. O meu avô também gostava de ver a gente cozinhar. Eu comecei a fazer doces para vender na faculdade de odontologia e no meu serviço. Depois perguntei para ela por que a gente não começava a mexer só com isso de maneira mais ‘séria’. A gente sempre se deu super bem e ela topou”.
O pai ajudou financeiramente a família a montar o trailer e cuidou de alguns detalhes. Até o namorado trabalha junto com Vitória. Ela explica que a ideia inicial não era abrir em casa, apenas atuar nas feiras livres da cidade.
“Esse aconchego de vó que é algo gostoso e resolvemos trazer isso. A gente produz nos finais de semana e alguns durante a semana. Nos demais minha vó fica sentadinha aqui fazendo a social. Todo mundo que chega também é neto dela, começa a conversar e ela é sempre muito querida. As pessoas estão aparecendo, vizinhas, crianças, o pessoal que trabalha próximo”.
No comando das formas redondas que usa para colocar a massa da sopa paraguaia com queijo fresco, Maria conta que o esposo era pecuarista e que foram 54 anos acompanhando ele nos trabalhos e cuidando da fazenda. Cozinhar para ela era uma alegria.
“Sempre gostei de cozinhar, ter os netos e amigos em casa. Desde crianças eles iam para casa na fazenda, gostava de casa cheia com bastante movimento. O cardápio começou com tortinhas de frango e sopa paraguaia, que a família gosta muito, e fomos ampliando. Está sendo maravilhoso porque dia 26 faz 3 anos que meu marido faleceu e isso é um alento, estar todo dia aqui ajudando ela”.

Maria comenta sobre o luto que viveu tardiamente, apenas em 2025, e que, com a ajuda dos filhos e netos, conseguiu lidar melhor. “Hoje graças a Deus estou bem. Antes não tinha vivido meu luto. Estou maravilhosamente bem, isso é uma terapia familiar. Eu tenho 4 netos, 2 futuros advogados, 1 influencer e 1 cirurgiã-dentista, que é a Vitória.”
Quem chega para buscar uma tortinha de frango acaba adotado como neto, sentando para ouvir as histórias de quem viveu muito. O cardápio é um equilíbrio entre a herança regional e a técnica jovem. Os carros-chefe são a sopa paraguaia, carregada no queijo caipira, e as tortinhas de frango com requeijão e palmito.
Nos doces, Vitória assume o protagonismo com receitas próprias, como a tortinha de Oreo com chocolate meio amargo, mas sempre sob o olhar atento da avó, que garante que nada leve amido ou gelatina para “firmar”.
Confira a galeria de imagens:
Entre os produtos mais procurados estão as tortinhas salgadas e a sopa paraguaia, que acabaram se tornando os grandes sucessos do cardápio. A primeira é vendida a R$ 8. A sopa a R$ 7, com aproximadamente 120 gramas. Também é possível fazer encomendas por quilo, com o meio quilo custando R$ 35. Outros salgados, como enroladinho de salsicha e esfirra de carne, custam R$ 6.
Já na parte dos doces, os valores variam entre R$ 12 e R$ 15, dependendo da receita. Entre as opções estão tortinhas de Oreo com base crocante, mousse de chocolate meio amargo, tortinha de maracujá, tortinha de limão e cake de morango. Apesar de serem sobremesas, Vitória destaca que a preocupação é manter um sabor equilibrado, sem excesso de açúcar, para que os doces não fiquem enjoativos.
O trailer Quitutes da vó Dadá fica na Rua Junquilhos, 410, bairro Chácara Cachoeira.












