Agricultura e silvicultura avançam no Cerrado de MS enquanto as pastagens recuam
Lavouras e setor florestal crescem desde 1985; pesquisadora defende produzir mais nas áreas convertidas
A área de agricultura no Cerrado de Mato Grosso do Sul cresceu 636% entre 1985 e 2025, enquanto a silvicultura aumentou 2.718%. Na última década, o avanço das duas atividades ocorreu em um cenário de redução das pastagens, que perderam 1,81 milhão de hectares. Os dados da Coleção 11 do MapBiomas mostram uma transformação na distribuição dos usos da terra na porção estadual do bioma.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
A agricultura no Cerrado de Mato Grosso do Sul cresceu 636% entre 1985 e 2025, e a silvicultura, 2.718%, segundo o MapBiomas. A agricultura passou de 432 mil para 3,18 milhões de hectares, e a silvicultura, de 50 mil para 1,41 milhão. Na última década, a pastagem perdeu 1,81 milhão de hectares, mas ainda ocupa 48,3% do bioma no estado. A pesquisadora Bárbara Costa defende aumentar a produtividade em áreas já convertidas, sem avançar sobre a vegetação nativa.
Conforme o levantamento, em 1985, a agricultura ocupava aproximadamente 432 mil hectares. Em 2025, eram 3,18 milhões. A silvicultura passou de cerca de 50 mil para 1,41 milhão de hectares no mesmo período.
- Leia Também
- Mata Atlântica perdeu 184 mil hectares em MS enquanto lavouras avançaram 582%
- Onde rios enfraquecem, comunidades de MS trabalham para recuperar a água
O estudo mostra que o crescimento percentual da silvicultura parte de uma área inicial pequena. Em extensão, a agricultura ganhou aproximadamente 2,75 milhões de hectares desde 1985, enquanto os plantios florestais aumentaram 1,36 milhão de hectares.
Apesar da expansão dessas atividades, a pastagem continua sendo o uso com maior área no Cerrado de Mato Grosso do Sul. Em 2025, ocupava 10,74 milhões de hectares, aproximadamente 48,3% da porção estadual do bioma.
Pastagem diminui - Conforme os dados, a comparação com 1985 mostra crescimento de 25% na área de pastagem, mas a trajetória não foi de expansão contínua. Entre os anos apresentados na tabela estadual, a maior extensão aparece em 2005, com 13,74 milhões de hectares. Em 2015, a pastagem ocupava 12,55 milhões de hectares. Dez anos depois, a área havia caído para 10,74 milhões. Nesse mesmo intervalo, a agricultura ganhou aproximadamente 743,5 mil hectares e a silvicultura, 636,6 mil hectares.
No conjunto do Cerrado, o MapBiomas identificou que, entre 2015 e 2025, 78% das conversões de pastagem para agricultura ocorreram nos estados fora do Matopiba - região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, mas o percentual não é exclusivo de Mato Grosso do Sul.
Silvicultura do bioma - Bárbara Costa, analista de pesquisa do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e pesquisadora da equipe Cerrado do MapBiomas, destaca o peso estadual na produção. Segundo ela, MS concentra aproximadamente 17% da área de agropecuária do Cerrado e mais de um terço da silvicultura do bioma.
Na classificação apresentada pela tabela, agropecuária reúne pastagem, agricultura, silvicultura e mosaico de usos. Essas classes somavam 10,20 milhões de hectares em 1985 e chegaram a 16,83 milhões em 2025, aproximadamente 75,7% do Cerrado estadual.
A pesquisadora aponta Ribas do Rio Pardo, Água Clara e Três Lagoas como um núcleo importante da expansão da silvicultura. Para a agricultura, destaca Chapadão do Sul, Costa Rica e Sidrolândia como exemplos de municípios relevantes na ocupação produtiva do território.
O avanço dos usos agropecuários acompanha um histórico de redução da cobertura nativa. Pela soma das quatro classes da tabela estadual, o Cerrado de MS perdeu 6,59 milhões de hectares de vegetação nativa entre 1985 e 2025.

Produzir nas áreas já utilizadas - Para Bárbara Costa, a importância econômica das atividades precisa ser acompanhada de medidas de conservação. A orientação é aumentar a produtividade nas áreas já convertidas, sem avançar sobre os remanescentes de vegetação nativa.
Ela também defende a proteção e a conexão entre os fragmentos restantes. A proposta associa produção, conservação da biodiversidade e segurança hídrica em uma paisagem na qual os usos agropecuários já ocupam a maior parte do território.
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.



